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Efeito "lava jato"

Construtora proíbe que seus funcionários deem presentes para autoridades

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Comentários de leitores

7 comentários

Ética é ética, não muda!

Flávio Marques (Advogado Sócio de Escritório - Eleitoral)

Com relação ao comentário de Marcos Alves, o dono do frigorífico mereceu. O simples fato da realidade brasileira ser de um jeito não retira a sua responsabilidade. Ademais, quantos e quantos brasileiros que não aceitam em hipótese alguma pagar propina? Ficar com dó desse dono do frigorífico é o mesmo que dar um tapa de luva na cara daquelas pessoas idôneas que preferem fechar o seu negócio a aceitar a corrupção. Isso demonstra que, para o dono do frigorífico, ética é só uma questão de crença (o que deveria ser uma convicção - mas descabe tratar aqui da diferença entre crença e convicção, só lembrando que nesta, o convicto vai até o fim com a sua forma de convicção, sendo ela imutável). Ademais, Marcos Alves afirmou que o sujeito ficou preso vários anos, como? Se a denunciação caluniosa tem pena entre 2 a 8 anos e não é um crime hediondo, logo a sua progressão se dá com cumprimento de 1/6 da pena. Como o nosso sistema penal (medíocre) adota a pena sempre (ou próxima do) no mínimo, como assim ele ficou preso por "vários anos"? Ainda que ele tivesse tomando pena máxima (o que é impensável) em decorrência de todas agravantes possíveis, reincidência e maus antecedentes (o que demonstraria que esse dono do frigorífico não é tão honesto), ele ficaria preso pouco mais de 1 ano (em reg. fechado). Agora, por pensar assim, "ah, Brasil é assim mesmo, não muda, nunca vai mudar etc. etc. e mais etc.", é que as coisas neste mais belo país do mundo estão como estão. Hora, a mudança tem que começar em algum momento, mas formas de pensar assim que tanto prejudicam.

Já é um começo!

Coelho (Advogado Autônomo)

Concordo com o Dr. Pintar quanto ao Brasil ser o país da propina, no entanto, podemos envidar esforços para que esta realidade mude. Não podemos ficar reféns dos agentes públicos, seja de qualquer escalão. Devemos dar um basta nisso tudo.

Quer a obra? Tem que pre$entear...

Mig77 (Publicitário)

Concordo com o Dr. Marcos Pintar quando diz.
"O Estado brasileiro pertence ao agente público".
Nada mais cabal e lamentavelmente isso explica o Brasil.

Brasil é o País da propina

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Lembro-me de uma época ter analisado uma extensa ação penal que estava em curso pelo Supremo. O caso era mais ou menos assim. Dono de frigorífico, salvo engano de Goiás, passou décadas dando boa parte do faturamento da empresa aos bandidos institucionais. Os agentes públicos, no entanto, nunca estavam contentes com a propina e sempre queriam mais. Chegou em um ponto que não havia mais como a empresa operar e o dono do frigorífico resolveu então promover uma denúncia para ver se se livrava dos delinquentes. Lembro-me de haver a descrição de que uma das filhas de um dos agentes fazendários vivia como a Rainha da Inglaterra em um apartamento em Nova Iorque, com o dinheiro pago pelo empresário, tão vultosa era a propina. A partir da denúncia seguiu-se o esperado. A bandidagem institucional montou um procedimento administrativo fajuto e "concluiu" rapidamente que as acusações do empresário eram falsas, apesar das vastas provas. Não tardou para que ele fosse denunciado pela prática de denunciação caluniosa, permanecendo preso por vários anos. O processo que eu analisei se referia a um pedido de soltura. Esse na verdade o caminho de todo aquele que se rebela. O Estado brasileiro é propriedade dos agentes públicos. São eles que mandam e a lei não vale nada. Quem não abre a mão não toca negócio e tem que fechar as portas. Nada disso mudou com a "Lava Jato", nem vai mudar a curto prazo.

Corrupção no Brasil é cultural

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

O que há nessa história é muito cinismo. No Brasil nenhuma grande ou média empresa consegue sobreviver sem molhar a mão, os pés, e a barriga de agentes públicos. Todas de alguma forma ou de outra dão presentes e agrados a agentes públicos, seus familiares e amigos. É algo cultural, fortemente arraigado na nossa cultura.

Exceção para um mimo

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

O único presente aceitável, a partir de então será o maior sucesso literário do imortal JOSÉ SARNEY (membro da, hoje, esculhabandoria brasileira de iletrados) - antiga Academia Brasileira de Letras-, denominado "MARIMBONDOS DE FOGO" . Esse livro pode ser dado a vontade. O único problema é que quem o receber provavelmente irá cortar todos os contratos mantidos com o presenteador. Afora isso, não há nenhuma irregularidade.

Funciona...

Flávio Marques (Advogado Sócio de Escritório - Eleitoral)

É um absurdo as empresas proibirem essa forma de conduta só após a operação lava jato. Para quem apregoa que a operação lava jato é um absurdo... está aí a prova cabal: só através do rigor é que as pessoas aprendem. Preferem o aprendizado pela dor: que vossas vontades sejam feitas!!!!

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