Consultor Jurídico

Artigos

Massacre de cartunistas

Humor visa trazer alegria, e concretiza o direito à dignidade humana

Comentários de leitores

4 comentários

Caso emblemático

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

O triste episódio ocorrido na redação do jornal Charlie Ebdo, na França, retrata e ressalta, sem sombra de dúvidas, a que ponto chega o fanatismo que impulsiona esses radicais islâmicos, muitos ligados a organização criminosa Taliban. Querem impor ao resto do mundo a sua tradição; a sua crença; os seus hábitos e se insurgem com violência extrema quando "se sentem" ofendidos por qualquer opção de conduta que não seja aquela rigorosamente imposta pelo alcorão. São prepotentes e se consideram os únicos a marcharem do lado correto (da vida, da religião, dos costumes,etc). Constituem "células" espalhadas por todo o mundo (inclusive no Brasil) prontas para desencadear atos de terrorismo, caso seus preceitos religiosos sejam contrariados ou mesmo simplesmente questionados. Extremistas, não hesitam em eliminar quem não segue os seus princípios e, "em nome de Alá", como se ungidos por um poder de vida e de morte, "se entendem" autorizados a cometer as mais atrozes barbáries , tudo em nome desse fanatismo idiota (a chacina de 11 de setembro de 2.001 nos EUA bem demonstra isso). O mundo deve responder à altura diante de atentados como esses e banir do mapa seus algozes, como aconteceu com Bin Laden e, agora com os terroristas na França. Todos têm o sagrado direito de expressar e professar a sua crença, mas NUNCA o "pretenso direito" de matar, em nome dela, aqueles que têm posições diferentes, aí incluindo-se a imprensa, quer manifestada por charges quer por matérias, gostem ou não esses insanos xiitas. Intolerância desse jaez se combate com mais intolerância, mostrando que quem mata em nome dela (intolerância) também vai morrer pelo mesmo motivo. Não há que se ter complacência nem ponderação nesses casos.

Hipocrisia

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Lembro-me que há alguns anos um humorista no Brasil fez piada sobre uma artista grávida. Perdeu o emprego, foi condenado criminalmente e na esfera cível, e quase todo mundo no meio jurídico o recebeu com pedradas. Agora, quando o assunto são humoristas franceses (chique), não se vê esse mesmo pessoal da área jurídica aqui no Brasil lançando críticas em face ao trabalho dos humoristas, que embora tenham a liberdade de expressão e pensamento, acabaram não respeitando a religião alheia. Óbvio que nada justifica as mortes, mas resta evidente a diversidade de aplicação de reprovação para casos idênticos, mais uma vez.

Liberdade de expressão ou de insulto?

Radar (Bacharel)

Minha liberdade de expressão não inclui a de golpear no estômago alguém de quem eu não gosto. Ocorre que, para determinadas pessoas e culturas, certos tipos de escárnio doem mais do que um soco no estômago. A maioria reage implodindo suas mágoas para que não se amplie um conflito. Outros reagem, até mesmo da forma odiosa e desproporcional como a que vimos. Antigamente as pessoas só possuiam o direito de ficar calado diante de humilhações individuais ou coletivas, que chegavam a lhes ofender a dignidade humana. Muitos moldaram suas personalidades sob as limitações de um ambiente hostil e discriminatório. Por mais que sofressem, nada podiam fazer a não ser se conformar. Hoje, com a velocidade das comunicações e a facilidades tecnológicas, tornou-se ingênuo esperar que a cultura da opressão seja sempre, e por todos, digerida como exercício normal de uma liberdade, que o Estado lhe confere. O que os chargistas faziam extrapolava a liberdade de expressão. Era insulto, ofensa a diversas coletividades de pessoas, por sua religião, opinião ou estilo de vida. E isso, a meu ver, era também uma faceta do tão condenado "discurso do ódio", sancionado pelo Estado e fomentador de ainda mais ódio e segregação.

A paz

Zé Machado (Advogado Autônomo - Trabalhista)

A paz é um valor acima do humor. Há muita contradição das sociedades.É claro que existe ofensas por trás do humor. A França está pagando o preço da obstinação, inclusive do poder judiciário em não impor moderação e proporcionalidade no humor. O problema é que essa guerra entre judeus e muçulmanos não tem fim mesmo. Nada pode ser absoluto realmente; nem mesmo os princípios.

Comentar

Comentários encerrados em 19/01/2015.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.