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Charlie Hebdo

Dizer coisas desagradáveis a quem não quer ouvi-las é um direito universal

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Comentários de leitores

35 comentários

Liberdade sem limites

José Arlindo Siqueira da Silva (Funcionário público)

Há uma confusão a respeito da interpretação do teor de alguns comentários postados. Creio que não se trata de justificar ou não assassinatos e terrorismo, como o advogado anônimo Sê e o comerciante Sil interpretaram. Discordar do artigo do Dr. Maurício, não quer dizer justificar o ato insano de indivíduos radicais islâmicos. Creio também que nada tem que ver com religião, mas com a convivência entre pessoas em sociedade. Abomino quaisquer atos de violência sob quaisquer pretextos, e essa tragédia fez-me reafirmar o que penso a respeito das liberdades desde quando foram pensadas pelos filósofos iluministas. Para não perder tempo escrevendo o que outros escreveram muito melhor, sugiro que leiam os seguintes textos publicados na Carta Maior, inclusive ao Dr. Maurício Cardoso, pois eles retratam exatamente o que penso a respeito da questão das liberdades. Creio que não será uma perda de tempo as suas leituras, pois podem contribuir para o debate sobre a liberdade sem limites e insensata da maioria das mídias, hoje, no ocidente. Não esqueçamos que sempre haverá (e a história está aí para comprovar o que digo) pessoas insanas que não suportam se sentir caluniadas, injuriadas ou ridicularizadas, por mais que seja em nome da liberdade de expressão, por mais que seja em nome do riso e da sátira. Não esqueçamos, também, que o conceito Ocidental de liberdade e democracia não tem o mesmo significado para povos "não Ocidentais". Enfim, seguem os links: http://cartamaior.com.br/?/Coluna/Je-ne-suis-pas-Charlie-eu-nao-sou-Charlie/32598
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Entre-a-liberdade-sem-limites-e-a-liberdade-de-estabelecer-limites/4/32609.

Olá

Professora Gisele Leite (Professor)

Parabenizo-lhe pela lucidez e pela simplicidade.
Abraços
Gisele

Entendi.

Valdir Resende (Outros)

Acho que já entendi. A Conjur não é uma publicação que mereça ser levada a sério. Viva a (falta de) ética midiática!

Reprobabilidade Seletiva

BrunoAlmeida (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Inicialmente cabe destacar que nenhum tipo de posição defendida em uma forma civilizada de comunicação pode causar a morte de ninguém, alias segundo a Constituição Federal é livre a garantida vedado o anonimato.
Entretanto, verificamos na mídia brasileira e nos meios ditos intelectuais, o politicamente correto impera, debochar e satirizar religião dos outros pode, profissão e ideologia política pode, mas se satirizar negros, gays e etc..., contra os quais, ressalto, não defendo nem tenho nada contra, ou inda contrariar qualquer manifestação politicamente correta, aí não pode, é de mal gosto e fere a ordem constitucional e etc...
A verdade é que ou se tem e garante a liberdade de expressão para as ideias, sejam elas quais forem, ou se tem uma democracia hipócrita, onde a liberdade é sempre relativa aquilo que se está defendendo.

Lógica...

Valdir Resende (Outros)

Do que vocês estão falando? Rodrigo Barbosa, para respeitar a fé de alguém você não tem que ser da mesma fé! Você respeita um muçulmano não denegrindo aquilo que um muçulmano considera sagrado. Isto vale para qualquer religião. E discurso do ódio pode ser veiculado também através de uma charge "aparentemente" inofensiva. E o que dizer do texto de J. Ribeiro? Relacionar pensamento religioso a distúrbio psiquiátrico, é como relacionar ateismo ao mesmo problema. Acho que está faltando bom senso no debate das ideias.

Tantos religiosos e tanta hipocrisia

J. Ribeiro (Advogado Autônomo - Empresarial)

O texto acima não condiz muito com o título.
Muito coerente e oportuno os comentários de Rodrigo P. Barbosa.
Os que se acham que são religiosos por ter uma fé em determinado "Deus" (sabemos que Ele tem muitos nomes ou a Ele dão esses nomes), muitos se matam e matam outros por Ele (como se fosse por Ele ou mesmo em nome Dele), inclusive entre esses religiosos de mesma fé. Parece coisa parecida como se fosse o Ele um tipo de time futebol, com direito a torcida uniformizada, organizada e tudo.
Mas o que tudo indica, abstraindo a insanidade que geralmente dominam esses tipos de "religiosos" ou que assim se intitulam, uma espécie de patologia (a merecer tratamento psicológico ou mesmo psiquiátrico), a religião é utilizada politicamente por aqueles mais "espertos" (geralmente sequer acreditam em Deus) como forma de dominação, de poder e controle sobre aqueles mais desavisados, carentes, que vivem em ambientes hostis, aculturados e sob a educação controlada por esses "espertos".
Quando todos entenderem que religião é um equívoco, será possível meditar e rezar sem abstrações e preconceitos.
Liberdade é uma conquista da humanidade; é o alimento de que precisa o homem para prosseguir sua caminhada; Homem livre, homem vivo.
No caso da revista Charlie Hedbo é apenas uma revista que trabalha com um tipo de humor satírico, a meu ver bem elaborado, crítico, inteligente, de modo que muitos poderiam até utiliza-lo para uma reflexão.

Erros múltiplos

Skeptical Eyes (Engenheiro)

Só atingi a independência de pensamento quando tive a felicidade de me desvicular de qualquer seita e me tornar um agnóstico confesso.
A meu ver os quatro agentes erraram:
Erro nº01: Os provocadores que a meu ver vilipendiaram a crença alheia e a divulgaram publicamente promovendo a ligação entre atos com as religiões e crenças . Não se confunda esse ato, como erroneamente tem sido divulgado , como se fosse atividade de imprensa. A imprensa séria seja a investigativa ou apenas informativa sim merece respeito e sigilo das fontes (tal qual decidiu recentente o STF). Propagar com recursos visuais preconceitos sabidamente enraizados naquele país e em outros ligando-os a seitas a meu ver poderia ser enquadrado como vilipêndio conforme o código penal brasileiro(não chutar a santa!).
Erro 2) Cometer crimes para corrigir as publicações dispensa comentários.
Erro3) A imprensa séria do mundo todo, com exceção de raridades imparciais como o comentário de Mitre na BandNews, entrou na barca furada da generalização baseada nas análises de superfície do "politicamente correto"
Erro nº4) A meu leigo ver, pois não tenho formação policial, tudo deveria ser feito para preservar a vida dos que foram mantidos em cárcere privado . Em nenhum momento se ouviu falar sobre a instilação de gases paralisantes ou seja qual for no sistema de ventilação e aquecimento dos estabelecimentos com todo o tempo que tiveram. Ao contrário, perderam um tempão até que as mortes dos reféns ocorreram, assim muito embora o presidente do país tenha dito elogios às autoridades, eu não penso assim , e o pior transformaram os agentes em mártires sob o infinito custo de suas vidas perdendo também a eventual oportunidade de interrogá-los.
Concluindo, todos erraram!

A vida é o bem maior.

AlexandrePontieri (Advogado Sócio de Escritório)

O maior bem de todos é a vida. Nenhuma sociedade ou religião pode aceitar algum tipo de agressão contra esse bem maior, sob qualquer argumento.

Ódio.

Valdir Resende (Outros)

Uma charge pode ser exemplo de "discurso do ódio". Externa-se ódio também por meio de desenhos.

Pessoas.

Valdir Resende (Outros)

Se eu sei que alguém é católico e quebro estátua de algum santo, não é a estátua, mas a pessoa católica, que estarei agredindo. Se alguém é umbandista e eu quebro estátua de alguma entidade, estarei agredindo a pessoa do umbandista. Eu não tenho que ser católico, nem umbandista, nem muçulmano. Mas eu tenho o dever de respeitar os valores sagrados para essas pessoas, porque esses valores são uma extensão da própria personalidade.

Rodrigo...

Valdir Resende (Outros)

Deixe de lado o manual de lógica. Respeitar minha fé não é seguir minha fé. Eu desrespeito a fé do umbandista quando ridicularizo aquilo que o umbandista tem como sagrado. O mesmo vale para o islã, para o hinduismo, para o cristianismo. Quando agrido valores sagrados, é a pessoa que estou agredindo.

Corolário

Rodrigo P. Barbosa (Advogado Autônomo - Criminal)

Pela sua lógica, Valdir Resende, eu posso dizer que a minha fé é uma extensão da minha pessoa. E como você tem uma fé diferente da minha, você não respeita a minha fé, e portanto não respeita a minha pessoal.
Corolário: só respeita a minha pessoa pessoas que tem a mesma fé que eu.
A essência do discurso de ódio e xenofóbico que é o coração de todo o movimento fundamentalista que gera a violência que testemunhamos. Você está na mesma escada desses fundamentalistas, apenas em um degrau diferente.

Rir...

Valdir Resende (Outros)

"Rir de tudo é desespero". A frase é da música de Frejat, não Cazuza. Desculpem o lapso.

Respeito.

Valdir Resende (Outros)

Minha fé é uma extensão de minha pessoa. Se você não respeita minha fé, então você não me respeita.

Pessoas merecem respeito, ideias não merecem respeito

Rodrigo P. Barbosa (Advogado Autônomo - Criminal)

Eu fico chocado em ver, em pleno século XXI, pessoas ainda dizendo que religiões merecem respeito. Não parecem.
Pessoas merecem respeito. Pessoas tem que ter o direito de terem a religião que quiserem, ou até mesmo nenhuma religião. A separação estado/religião é a única forma de garantir esta liberdade, que é um direito universal. Isto vai além do estado laico. Em um estado laico, se o estado se relaciona de maneira igualitária, sem preferência, com todas as religiões, não há problemas. Em um estado em que existe a separação, o estado não pode se relacionar, de nenhuma forma, com religiões. Nem a favor, nem contra.

De qualquer forma, dizer que religiões merecem respeito é uma contradição de termos, pois um religião (qualquer) é um desrespeito a todas as demais religiões. Dizer que todas as religiões devem ser respeitadas é o mesmo que proibir, ou no mínimo limitar/censurar, todas as religiões.

Pessoas merecem respeito. Ideias não.
Eu defendo absolutamente de ter uma religião diferente da minha, porém não ofereço nenhum respeito à sua religião. Apenas a você.

Progresso?

Valdir Resende (Outros)

"Rir de tudo é desespero" (Cazuza). Tem gente aqui que pensa que zombar do que é Sagrado é sinal de progresso! Fazer um desenho mostrando a Santíssima Trindade em cenas de depravação... que progresso há nisso? As charges do jornal francês eram nojentas, sintoma da degradação intelectual dos tempos de hoje. Havia menos imoralidade nas cavernas!

Premissas erradas fundamentam o artigo

Paulo H. (Advogado Autônomo)

A Charlie Hebdo não foi atacada por ser "politicamente incorreta". Pelo contrário, a França, mais do que um Estado Laico (como é o caso do Brasil), é um Estado antirreligioso. Politicamente incorreto na França são as religiões, não as charges religiosas do Charlie.
O articulista, ainda, escolheu convenientemente uma capada do jornal para fundamentar seu artigo. Nada daquelas capas do Papa consagrando uma camisinha no lugar de uma hóstia (e fazendo piada com o texto da consagração), nem do espirito santo currando a virgem... essas capas não convém.
O que é importante é ter consciência e saber que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. A chacina no Charlie, claro, foi um crime atroz e indesculpável, e isso é fato. Todavia, é igualmente fato que o jornal abusava, fazia mau uso de sua liberdade de expressão.
Concluindo: é perfeitamente possível (e comum) ser visceralmente contra o ataque ao Charlie e, não obstante, igualmente discordar da maneira não crítica (pois até aí tudo bem), mas desrespeitosa, como o jornal trata as religiões.

"Religion is poison"

André Fadel (Funcionário público)

Observo aqui que há indivíduos que acabaram de sair da caverna, aparentemente. Alô, temos novidades: a liberdade de expressão é um direito tão fundamental quanto o direito à vida, pelo menos em países com algum grau de civilidade, como a França.

Comentários que justifiquem o banho de sangue provam que o Brasil é um país moralmente ambíguo, não importando o grau de letramento, pois quem frequenta o site são pessoas que supostamente estudaram um pouco de direito. O que esperar de islâmicos intolerantes, cujo ideal de vida é o retorno à violência e a um califado atroz?

Um mundo sem irreverência, sem humor e sem diversidade é o retrato do inferno. A partir do momento em que se atenta contra a vida humana, perde-se a razão. E comentários monolíticos escusando o ataque perderam a razão faz tempo.

Torço para que um dia surja aqui no Brasil algo à South Park, à Charlie Hebdo, porque seria um sintoma de que estaríamos avançando na liberdade de expressão. Pessoas que não sabem rir devem aprender a conviver com as que sabem.

Será que entendi errado?

Sil (Comerciante)

Li os comentários desta publicação e fiquei chocada. Como alguém pode justificar uma violência desta? E gente que se julga seguidor de Cristo. Conversa fiada! Só segue Cristo quando acha que pode conseguir algo dele.
Liberdade de crença? Que se dane! E o direito à vida?
Só porque você acredita em "forças misteriosas", eu tenho que ficar de boca fechada e não falar nada a respeito?
"Respeito às convicções alheias..." Pois eu tenho uma convicção: religião é uma nascente de ignorância. Podem me metralhar se quiserem, mas eu também tenho direito à minha "descrença". Ou não?

Direito à vida

 (Advogado Autônomo - Civil)

Discordo da maioria dos comentários e parte do relato, por enxergar o direito à vida, nosso bem maior diante do qual os outros bens perdem a razão de existir, como direito supremo e de cada um em particular, logo, a ninguém é dado tirar o que não é seu...

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