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De ministros e ministros

Brasil não precisa optar entre combate à corrupção e Estado de Direito

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Comentários de leitores

6 comentários

Sem novidade

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

A matéria só vem repetir o que os milhares de criminalistas esbravejam diuturnamente. Para eles, direito de defesa é inocentar a todos, pois, sinceramente, não conheço um só preso que cumpre pena por ter praticado algum delito. São todos inocentes, sem exceção, e injustamente estão sendo punidos por algo que desconhecem. Alguém tem alguma dívida sobre isso? Não ? Então, a missivista só veio RETOCAR a velha maquiagem .

Sobre a maior violência

Luiz Antônio Almeida Liberato (Cartorário)

Tecnicismos à parte, o único "problema" do Exmo. ex ministro Joaquim Barbosa é a honestidade. Nós advogados temos como valor primordial a ampla defesa. É o prisma com que estudamos, formamos, trabalhamos. Porém, sob ótica republicana, do cidadão, a maior violência possível num Estado é a apropriação da coisa pública para fins escusos, o que é a regra no Brasil. Aí sim a violência é bárbara e atinge milhões de indivíduos. Sinceramente não sei qual a pacificação social que pretende o direito brasileiro difundir. Quanto mais direitos temos, mais conflitos surgem, mais a sociedade se divide em grupos, mais lobbies são criados e renovados em desfavor dos menos abastados... é desanimador.

Dra Dora tem razão.

Radar (Bacharel)

Fosse o Procurador Geral, porque acusador, falar em particular com o Ministro da Justiça, todos os demais acusadores de plantão achariam muito natural, constitucional e moralmente aceito. Como foram os advogados de defesa, não! Como ousam? Que absurdo! A ordem é lançar o "inimigo" à fogueira desse sentimento atávico que nos consome e nos faz abjurar à Constituição que devíamos obedecer. Também parecerá, num futuro distante, de uma bizarrice ímpar, o que ocorre nesses processos: Um juiz dirige a investigação, promove delações premiadas, manda prender e soltar, dá pito nas partes e seus defensores, etc. No final, adivinha quem vai julgar? QUEM? Ele!!!! O mesmo juiz que prendeu, investigou e indeferiu petições, que já resolveu em quem deve acreditar ... O mesmo que desautorizou conversas de advogados das partes com o ministro da justiça. Ele, a celebridade da hora, tão ao gosto de uma imprensa engajada, e que guindou um juiz competente, admita-se, à condição de "deus". Há ou não o devido processo substancial? Ou seja, há a mínima possibilidade de a sentença destoar do senso comum? Talvez soe bizarro DAQUI A 50 ANOS! Porque agora o que importa é dar vazão ao mais "sublime" de nossos sentimentos: a vingança!!! Contra o inimigo, contra os maus, contra os bolsos e contas bancárias invejáveis, insuflados, lícita ou ilicitamente. Constituição? Direitos Individuais? A Lei? Ora, isso é apenas um incômodo detalhe. O direito penal do inimigo não se compraz de uma sentença justa, mas quer vingança "redentora", fogo que irá purificar a alma brasileira e que nos protegerá dos "maus". Só não nos protegerá dos "bons".

direito de defesa

Eduardo Silveira (Administrador)

Impressionante como alguns tentam nos confundir com a ideia que direito de defesa e liberdade tem algo a haver com a reunião do eminente petista com os advogados do corruptores , o processo e totalmente legal , sendo que o stf tem se pronunciado com varias decisões sobre o caso , esta mais do que comprovado para onde foi grande parte do dinheiro subtraído da petrobras [ PARTIDO DOS TRABALHADORES } , os detalhes da reunião foram divulgados pela imprensa e são óbvios , as empreiteiras não querem pagar sozinhas pelos crimes e querem uma ajudinha oficial como sempre .

Defesa do direito de defesa

isabel (Advogado Assalariado)

Espetacular a forma como a articulista manejou a idéia esclarecendo que o que está em jogo , mais do o direito dos acusados , é o direito de defesa , apanágio do estado de Direito e indispensável à segurança de todos os cidadãos ! Se o judiciário pode ignorar as leis e tripudiar sobre o réu , todos estamos inseguros , ainda mais inseguros do que pelos crimes pelos quais os réus respondem ! Como advogada ( na mesma linha que a autora : técnica e estudiosa do Direito ) subscrevo suas palavras na esperança que pelo menos os operadores do Direito compreendam e prestigiem o sagrado direito de defesa : afinal , para isso somos advogados !

Sobre o período de semi suspensão dos direitos individuais

José Trad (Advogado Sócio de Escritório)

Tenho acompanhado com aflição o desenrolar deste processo da Lava-Jato.
Quando eu penso que nada mais poderia acontecer em termos de violação ao direito de defesa e às prerrogativas profissionais, vejo na mídia que a prisão preventiva de determinados acusados foi decretada porque advogados dos réus estiveram em audiência com o Ministro da Justiça para pedir providências quanto ao vazamento de informações do inquérito.
Como advogado, gostaria de me solidarizar com a colega Dora Cavalcanti e com os demais colegas que atuam neste caso.
Ao mesmo tempo, parabenizo a colega pela lucidez do artigo, pois não consigo encontrar expressão melhor que a utilizada pela articulista para identificar o momento em que vivemos: um período de quase suspensão dos direitos individuais.
Por fim, como cidadão brasileiro que ama esta pátria e reverencia a sua Justiça, só me resta esperar que as coisas sejam colocadas nos seus devidos lugares e que todas as ilegalidades cometidas neste caso sejam, ao fim, reconhecidas e reparadas.

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