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Caráter retributivo

Processo administrativo que cassa aposentadoria viola Constituição Federal

O processo administrativo disciplinar que concluiu pela pena de cassação do benefício previdenciário viola diretamente o artigo 40, caput, e parágrafo 5º do artigo 195, ambos da Constituição Federal. Seguindo esse entendimento o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo anulou ato administrativo que cassou a aposentadoria de um delegado de polícia.

No caso, o delegado ajuizou recurso contra ato do governador do Estado que lhe aplicou pena de demissão. Como ele já estava aposentado quando foi aplicada a pena, esta foi retificada em cassação de aposentadoria. No Mandado de Segurança, o delegado questionou a cassação de aposentadoria e a pena que lhe foi aplicada antes do trânsito em julgado do processo criminal que responde.

A pena de demissão foi resultado de processo administrativo disciplinar instaurado para investigar a suposta participação do delegado em quadrilha que operava esquema de concessão de benefícios previdenciários. Na ação penal que responde, o delegado foi condenado em primeira instância, mas seu recurso ainda aguarda julgamento.

Ao analisar o Mandado de Segurança, o relator Paulo Dimas de Bellis Mascaretti explicou que o processo administrativo tramitou de forma regular e todas as garantias previstas na Carta Magna foram resguardadas. Ele apontou, contudo, a incompatibilidade das leis que preconizam a cassação de aposentadoria como sanção disciplinar com a nova ordem constitucional, estabelecida a partir da promulgação das Emendas Constitucionais 3 e 20, que tornaram o regime previdenciário dos servidores públicos um sistema de caráter contributivo e solidário.

“Inafastável, pois, a conclusão de que com a exigência de contribuição previdenciária visando financiar a futura aposentadoria, o processo administrativo disciplinar que conclui pela pena de cassação do benefício previdenciário viola diretamente o artigo 40, caput, e parágrafo 5º do artigo 195, ambos da Constituição da República, pois como mencionado acima, o sistema previdenciário tornou-se retributivo, o que acarreta na concessão e manutenção do benefício, após o implemento do tempo exigido de contribuição”, afirmou em voto.

“Não se pode olvidar, ademais, que os proventos de aposentadoria têm caráter alimentar e a cassação do benefício, por causa alheia à legislação previdenciária aplicável, importa em relegar o servidor à situação de absoluta indigência, privando-o dos recursos indispensáveis à sua sobrevivência, justamente no momento em que normalmente já não ostenta plenas condições de trabalho.” Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-SP.

Revista Consultor Jurídico, 5 de fevereiro de 2015, 16h32

Comentários de leitores

2 comentários

Regime próprio

preocupante (Delegado de Polícia Estadual)

Entendo que, se não há vinculação expressa no estatuto do servidor subordinando a decisão administrativa disciplinar à decisão penal com trânsito em julgado pelo mesmo fato, deve ser ser seguido o princípio da independência das instâncias, exceto nas hipóteses da inexistência do fato e negativa de autoria. Quanto às consequências econômicas advindas da perda do cargo ou função, esse é apenas um dos efeitos colaterais de quem transgrediu as normas elementares do seu dever de ofício que, conscientemente sabia de seu desfecho. Premiar com uma aposentadoria o agente público demitido por desvio de conduta grave é o mesmo que premiar o infrator, além de servir de estímulo ao desidiosos, que acredito ser a maioria no serviço público brasileiro.

o crime contra ao erário público compensa

Lailson Felipe Ferreira (Funcionário público)

Aquele que rouba a nação comete homicídio. O dinheiro subtraído pela ganancia de alguns provoca óbitos nas portas dos hospitais. As possíveis penas para o agente público ladrão são amenas. O crime compensa. A demissão do cargo é amenizada pela aposentadoria. O ressarcimento dos valores são impossíveis pela demora do processo e pela utilização de laranjas. A prisão , quando acontece, é por período ínfimo e regada a bons vinhos. Concordo com a tese da renda mínima para o condenado, mas no valor de um salário mínimo. Concedam para eles um LOAS e coloquem todos para quebrar pedras. Há de se aplicar ao regime previdenciário o principio da SOLIDARIEDADE. Ao servidor público que trai o Estado deve se aplicar o principio da especialidade, utilizando-se do ESTATUTO próprio que a Constituiu permitiu.

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