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Comentários de leitores

4 comentários

Fantástico

Duns Escoto (Outros)

Muito bom a síntese das ideias do Lenio.

Ao colega que parece ter dificuldades em compreender totalmente o texto, recomendo a leitura de Verdade e Consenso" do próprio Lenio.

Não me leve a mal. Entendi o seu drama: percebe que o texto é bom, mas falta algumas peças para completar (lei o texto do Lenio sobre o vendedor de palavras e entenderá o que digo).

Há alguns anos atrás eu também me sentia náufrago nesse mundo da hermenêutica. A obra do professor com um pouco de reflexão já abre muitos caminhos.

Na verdade, as coisas ficam tão claras que se não tiver colírio, vai ter que usar óculos escuro.

Para quem a Hermenêutica Jurídica?

Ana Karenina (Outros)

A adoção de Gadamer sem a dialética implica numa mera mudança de paradigma que partilha com o adversário (positivismo) a mesma indiferença política. Até camaradas como Wolkmer insistem numa mera mudança de imaginário. Não basta. Como tenho usado Lacan, este grande dialético (basta ver "De um discurso que não fosse semblante", Zahar, p. 27) a práxis parte do Simbólico para tocar o Real. Temos que apostar numa verdade engajada fruto do que Hegel chamava universalidade concreta. Por exemplo, o constitucionalismo tem por paradigma a Revolução Francesa. Parte da revolução dos escravos no Haiti que anunciou o verdadeiro sentido da egaliberté. Viva o Haiti.

Para quem a Hermenêutica Jurídica?

Ana Karenina (Outros)

A compreensão de que sempre estamos em situação e não diante de uma situação foi há muito desvelada por Karl Marx. Não foi ele quem, primeiro que Gadamer, não é a consciência que determina a vida, mas sim a vida que determina a consciência? O próprio Gadamer reconhece que sem a incorporação do conceito hegeliano de experiência a hermenêutica não se sustenta. O problema é que a ereção do paradigma proposto pelos autores desconhece o horizonte dialético para o qual o um se torna dois (Mao). Como nós latino-americanos espoliados e com um passado tal salpicado de dor incorporamos, acriticamente, o conceito de tradição? Karl Marx afirma que os códigos estão empapados de sangue. Imagem crua, mas é a partir dela que deveríamos partir. A tradição está marcada de conformismo. A única saída é fazer o que a arqueologia do silêncio, das vozes reprimidas do passado, e torná-las vivas contra a hipostasia da tradição. Em minhas faço uma análise do filme "sangue de heróis'' para mostrar como se forja discursivamente uma tradição desprovida de dor e das contradições do passado. Que concepção de história Gadamer e Habermas adotam? Prefiro outro dialético: "Cada época deve tentar sempre arrancar a tradição da esfera do conformismo que prepara para dominá-la" (Walter Benjamim, Autêntica, p. 11/12). O problema é que o jurista brasileiro com a sua consciência pacificada despolitizou o corte epistemológico que, na sua origem, tinha uma nítida opção política. Assim caminha a universidade no Brasil. Quanto a identificar Descartes ao individualismo e autotransparência é mais um equívoco das universidades de Bruzundangas. Lacan mostrou que a clivagem do sujeito empreendida por Freud foi primeiro empreendida por Descartes. Clivagem que Zizek nomeio de Paralaxe.

Leia com calma.

Gabriel Cabral Parente Bezerra (Advogado Autônomo - Tributária)

Texto de razoável difícil compreensão.
Hermenêutica é algo que deve ser ensinado desde o início da faculdade, mas este artigo em particular certamente é para iniciados.
Fora os parágrafos em que os autores são, digamos, mais específicos no assunto em que querem se fazer entender e utilizando uma linguagem mais precisa para tal, me restou a impressão que para entender completa e adequadamente o texto será (seria?) necessário ler com calma e estudar todos os autores citados, o que significa que talvez o texto não consiga acessar todos os leitores pretendidos.
No entanto, espero ter sido capaz de extrair a ideia principal.

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