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Prestígio e respeito

Não há argumento consistente para impedir Fachin de ir para o Supremo

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Conheci o Luiz Edson Fachin quando com ele integrei uma comissão formada pelo primeiro titular da recém criada Secretaria da Reforma do Judiciário, o jurista Sérgio Rabello Tamm Renault. Ele convidou Fachin, Luis Roberto Barroso, Aristides Junqueira Alvarenga e eu para o auxiliarmos a discutir a proposta que se converteu na Emenda Constitucional 45/2004, a segunda parte da Reforma do Judiciário.

À época, eu estava no Tribunal de Alçada Criminal, saudosa corte da qual fui vice-presidente e presidente. Como Sérgio Renault e eu estávamos em São Paulo e os outros em Curitiba, Rio Janeiro e Brasília, preferíamos fazer a maior parte das reuniões aqui e no Tacrim. Luiz Edson Fachin veio muitas vezes a São Paulo e participou ativamente dos trabalhos.

Aprendi a admirar Fachin. Sereno, prudente, sensato e profundo. Sua erudição não é pedante. É um homem simples. Transmite tranquilidade. Suas ideias eram ponderadas, prenhes de bom senso.

Foi bom trabalhar com ele e, evidentemente, com os demais. Acredito que fizemos algo para melhorar o sistema Justiça. Àquela época, ele já integrava a bolsa de apostas para o STF. E nunca houve estranhamento nisso. Ninguém conseguia e nem consegue oferecer ressalvas ao seu conhecimento. Sua produção doutrinária e científica é imensa. Seu currículo Lattes é de fazer inveja. Nunca se recusou a participar de cursos, congressos, debates. E consegue aliar à produção acadêmica a partilha de sua experiência com inúmeros jovens aos quais orienta, aconselha, encaminha.

Um nome como o de Luiz Edson Fachin apenas acrescenta prestígio e respeito ao Supremo Tribunal Federal. Honra que todos almejam, muitos chegam a recusar, mas que é reservada a pouquíssimos.

Quando se procura semear de obstáculos uma caminhada que agora chega à sua etapa final, depois de várias décadas, não se encontra argumento consistente para impedir que o STF receba o jurista de notório saber e de reputação ilibada, requisitos que Fachin preenche à saciedade.

Tudo vai passar, como tudo passa. E Fachin deve se preparar e se precaver para uma consequência da nomeação: como enfrentar a multiplicação de homenagens, a prolífica concessão de medalhas, títulos e honrarias destinadas a quem exerce o poder nesta República?

Bem vindo à Suprema Corte, ministro Luiz Edson Fachin.  

José Renato Nalini é presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Revista Consultor Jurídico, 30 de abril de 2015, 17h14

Comentários de leitores

12 comentários

Perfeito jpancotti

Caribé (Advogado Assalariado - Empresarial)

Concordo integralmente com seu comentário jpancotti. A maioria daqueles que defendem a recusa do Dr. Fachin utiliza-se desse argumento de que ele tem ligações com o PT. ORA, MAS TERIA LIGAÇÕES COM QUEM? COM O PSDB OU O DEM? E o Min. Gilmar Mendes, que foi Advogado Geral da União do FHC, alguém ousou recomendar sua recusa pela sua ligação com o PSDB ou o DEM? O maior representante dessa opinião é um colunista da VEJA, que está fazendo campanha aberta, inclusive com "chantagem" de cunho político-eleitoral ao senadores do PSDB para que estes o recusem. O resto das pessoas apenas repete esses argumentos como papagaios. Esse tipo de argumentação revela a desonestidade intelectual dessas pessoas, pois tem 2 pesos e 2 medidas. Aos que pensam igual a eles, ou tem a mesma ideologia, pode haver alguma ligação política, aos demais, tratar-se-ia de um absurdo, de um "aparelhamento" do Judiciário. Enfim, eu ainda acrescento, pois conheço o Dr. Fachin, trata-se de pessoa honradíssima, humilde e de comportamento corretíssimo.

Não há argumento para impedir Fachin de ir para STF

jpancotti (Juiz do Trabalho de 2ª. Instância)

Esse debate decorre da crença equivocada de que um juiz é um ser que não tem nenhum vínculo com das suas origens, sem convicções ou crenças religiosas, que não tem interferências emocionais, nem de sua formação pessoal (decorrente do núcleo familiar), que nunca teve opção política e ideológica.
Enfim, quando julga, Juiz não é ser humano, porque deve assemelhar-se a Deus, isento de interferência psicofísicas, caráter e elementos de caráter hereditários.
Se o Dr. Fachin, embora tenha um belo currículo, teve ou tem militância de esquerda, vamos escolher uma pessoa com iguais qualificações profissionais com militância de direita? Não me venha dizer que deveria ser alguém de neutro?
Partindo-se de premissa de se deve rejeitar quem tenha opinião por este ou aquele caminho, vamos escolher um extraterrestre.
Convenhamos não se pode equipará-lo a um Tófoli.
Este sim nunca deveria estar lá, porque a sua única credencial é a militância no PT e advocacia para este partido.
Não conheço pessoalmente o Dr. Fachin, mas acredito que ao sentar-se na cadeira do STF vai sentir o peso da responsabilidade e não se deixar influenciar por pedidos de políticos.

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Olympio B. dos S. Neto (Advogado Autônomo)

Não há argumento para impedir mesmo.
O currículo é muito bom.
E ele é um cabo eleitoral Petista de primeira.

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