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"Indícios concretos"

Vaccari é preso em São Paulo durante nova etapa da operação "lava jato"

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quarta-feira (15/04), o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, na 12ª etapa da operação “lava jato”. Ele foi detido em sua casa, em São Paulo e deve chegar à carceragem da PF em Curitiba no período da tarde.

Segundo a polícia e o Ministério Público Federal, a prisão preventiva do tesoureiro foi motivada pela existência de “indícios concretos” de reiterada prática criminosa assim como pela "comprovação clara” de crimes como lavagem de dinheiro e fraude contra o sistema financeiro. Vaccari nega as acusações.

Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, durante depoimento na CPI da Petrobras
Reprodução

O tesoureiro também é suspeito de operar um esquema criminoso que desviava recursos de publicidade de órgãos públicos por meio de gráficas. Segundo as investigações, essas empresas eram forçadas a emitir notas fiscais falsas para dar legalidade a pagamento de altos valores.

“Verificamos o pagamento para uma gráfica com a ausência da prestação de serviço. Isso nós já temos comprovado. São notas bem genéricas, em que constam apenas serviços gráficos”, explicou o procurador Carlos Santos Lima, em entrevista coletiva.

A mulher de Vaccari, Giselda Rose Lima, e a cunhada dele, Marice Correia Lima, também foram alvos da 12ª fase da operação “lava jato”, deflagrada na manhã de hoje. Contra a mulher de Vaccari foi expedido mandado de condução coercitiva. Ela foi ouvida por agentes da Polícia Federal em casa. 

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos decorrentes da “lava jato”, expediu mandato de prisão temporária para Giselda. Por não ter sido localizada pela PF, a cunhada do tesoureiro é considerada foragida.

Para o MPF, Vaccari exercia papel semelhante ao do doleiro Alberto Youssef, como uma espécie de operador do esquema de fraudes em contratos da Petrobras e de empresas de publicidade com órgãos públicos. “A posição de João Vaccari é muito semelhante [à do doleiro Alberto Youssef] no sentido de que ele aparece como operador, representante de um esquema político-partidário dentro da Petrobras”, disse o procurador.

Segundo o delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula, desde 2004, João Vaccari Neto “desafia” as autoridades “reiteradamente”. “Nem uma ação penal da Justiça de São Paulo, em 2010, o intimidou em nada”, frisou o delegado. A prisão de Vaccari, acrescentou Romário de Paula, está embasada também em depoimentos de cinco presos em fases anteriores da “lava jato” e comprovação documental “clara” de práticas ilícitas.

“A prisão não ocorreu baseada apenas nas delações, mas no material fornecido por esses delatores e também em documentos apreendidos na operação. É bem claro o material apreendido contra ele. Já há indícios concretos de crimes”, disse o delegado da PF.

Vaccari foi citado como intermediário de pagamento de propinas oriundas de contratos superfaturados da Petrobras pelos ex-diretores da estatal Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, pelo doleiro Alberto Youssef, pelo empreiteiro Júlio Camargo, e pelo executivo da empresa Toyo Setal Augusto Mendonça.

De acordo com as investigações da PF e do MPF, há suspeitas de que Vaccari usava parentes para tentar acobertar transações ilícitas. “Verificamos que a família dele tem diversas operações suspeitas, com valores significativos transitando por contas bancárias de familiares”, disse o delegado.

Segundo o procurador Carlos Santos Lima, algumas transações financeiras, como a compra de um apartamento pela filha de Vaccari no valor superior a R$ 1 milhão, e movimentações bancárias superiores a R$ 300 mil nos últimos três anos na conta da mulher do tesoureiro do PT, sem comprovação da origem dos recursos, apontam o crime de lavagem de dinheiro. Ainda não há previsão sobre a data em que ele prestará depoimento à Justiça. Com informações da Agência Brasil.

Revista Consultor Jurídico, 15 de abril de 2015, 14h10

Comentários de leitores

4 comentários

será que vai até o fim?

WLStorer (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Até agora, como no caso do "mensalão", só os asseclas estão sendo presos. Vamos ver se desta vez os lideres da organização criminosa também vão para prisão.

vai dizer que não sabia de nada tambem....

hammer eduardo (Consultor)

Depois da espetacular decepção com Joaquim Barbosa no ano passado que deixou milhões de Brasileiros sedentos por decência mínima que fosse na mão , surge um novo Guerreiro por um MINIMO de honestidade nesta ZONA a ceu aberto chamada de Brasil.
O trabalho impecável feito pelo Juiz Sergio Moro e sua Equipe de trabalho de certa forma reacende a esperança de que podemos um dia ter orgulho de viver por aqui livres das patas imundas desta quadrilha de petralhas golpistas e ladrões que nos infernizam a 12 longuissimos anos.
Com a prisão deste repugnante elemento que agora começa a perder a soberba desfilando de mãozinhas devidamente algemadas em Curitiba , podemos afirmar que o tsunami de esgoto misturado com xorume chega bem próximo da turma do alto coturno petralha em Brasilia , a famosa quadrilha do "eu não sabia". Dilmão deve estar tomando Isordil com colher de sopa apesar de que, conhecendo bem as ratazanas do PT , este pernóstico coordenador do achaque vai ser osso duro de quebrar por parte da Equipe Curitibana. Ali esta a verdadeira "caixa preta" que varreria ( em tese ) essa quadrilha de vagabundos do PT do mapa brasileiro. O material colhido tem sido tão farto que certamente os Procuradores da Equipe de Moro em breve precisarão de um computador padrão CRAY para processar toda a enorme montanha de papeis e trocentas horas de depoimentos.
Sustento paralelamente que se a gran-canaglia petralha JAMAIS sabia de qualquer coisa todo o tempo , deveriam TAMBEM ser escorraçados por incompetência administrativa pura e simples. Na cadeia o "canário" de barba já esta , o problema é saber se vai cantar e quando. Bando de ladrões descarados e nojentos eles

Direito penal não pode ser circo

LMSN (Procurador Federal)

Qual o fundamento de medida tão drástica? INDÍCIOS de materialidade e autoria bastam?
E POR QUE ALGEMAS? A súmula vinculante 11 foi cancelada?
É lamentável a recorrente espetacularização com os símbolos do direito penal.

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