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Pena alternativa

Violência contra companheiro resulta
em casamento por ordem judicial

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Ao ouvir dizer que seu companheiro teria um caso com outra mulher, a americana Quenesia Catasphany, 27, se inflamou de ciúmes. Despejou sobre ele o conteúdo de uma lata de fluidos para isqueiro... e acendeu o isqueiro. O companheiro, Andre White, conseguiu escapar e, enquanto ela enfrentava uma crise de choro, ele chamou a polícia.

Acusada de violência doméstica, Quenesia não deu trabalho ao promotor. Declarou-se culpada, em troca de uma pena menor, para evitar o julgamento. Assim, ela compareceu à audiência, na qual o juiz iria aprovar o acordo e a pena menor, já definida pelo promotor.

Mas o juiz Joseph Williams III tinha outras ideias. Embora a “ocorrência” policial estivesse correta e embora a denunciada não a contestasse, era preciso saber o que estava por trás dessa história, decidiu o juiz.

“Por que você se declarou culpada?”, perguntou o juiz, de acordo com transcrições dos autos obtidas — e publicadas em parte — por uma emissora de televisão da Pensilvânia. “Está acontecendo muita coisa ao mesmo tempo...”, ela respondeu.

O juiz “entrevistou” a ré e obteve algumas respostas. Ouviu, por exemplo, que Quenesia e Andre White viviam juntos há alguns anos, tinham três filhos e o quarto estava para nascer. Além disso, o casal cuidava de uma criança de um parente. Ela estava se sentindo insegura, um tanto desesperada, algumas vezes.

O juiz mandou trazer o companheiro de Quenesia para a sala de julgamento e se pronunciou: “Vocês devem ficar juntos. A vida de vocês está inextricavelmente entrelaçada. Ela se meteu em uma encrenca por causa de seu estilo de vida. Saiu fora dos eixos porque acredita que você não assume qualquer compromisso com ela. Ela provavelmente tem uma boa razão para isso”.

“As coisas ficaram um tanto disfuncional entre vocês, por causa da insegurança dela. Ela já tem 27 anos e fez o que a família dela não queria que ela fizesse: abandonar a carreira para ficar com você e ter bebês um atrás do outro. E ela fez isso com um homem que não assume um compromisso com ela e que, ao que se suspeita, tem um caso com outra mulher. Por isso, ela está tão insegura e perdendo o controle emocional”.

“Por que vocês não adicionam alguma estabilidade a suas vidas? Vocês vão sair daqui e vão conseguir uma licença para se casar em três dias. Se vocês se casarem, poderemos mudar o curso desse processo”, disse o juiz que acrescentou: “Ah, eu quero fazer o casamento”.

Três dias depois, quando Quenesia teria outra audiência sobre o processo criminal, ela teve, na verdade, uma cerimônia de casamento celebrada pelo juiz Williams III, de acordo com uma cópia do certificado obtido pela emissora de TV local WPXI. A decisão sobre o processo criminal ficou para depois.

Em entrevista à apresentadora da TV WPXI, Quenesia declarou: “Eu preciso agradecer o juiz por nos dar uma oportunidade de melhorar nosso relacionamento. Fiquei muito agradecida a ele por falar por mim o que nunca tive coragem de falar”.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 3 de abril de 2015, 10h44

Comentários de leitores

3 comentários

Eu não entendi

hermeto (Bacharel)

Para quem sofreu a violência que este Senhor sofreu e ainda ter o "castigo" de um casamento forçado, só tenho a dizer que este Juiz é MUITO BOM, e convincente.

Cade o Lenio?

Esperidião (Advogado da União)

Cade o Lenio Streck para ter convulsões com a decisão do magistrado?

Hitch

George Rumiatto Santos (Procurador Federal)

Juiz "Hitch", o Conselheiro Amoroso.

Comentários encerrados em 11/04/2015.
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