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Ficha suja

Candidato a senador nos EUA é denunciado pela própria banca por roubar cliente

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O advogado David Denemberg retirou sua candidatura ao Senado estadual de Nova York nesta quarta-feira (24/9), depois de ser acusado na Justiça de haver roubado US$ 2,3 milhões de um cliente corporativo. A própria banca do advogado, a Davidoff Hutcher & Citron (DHC), moveu uma ação contra ele, na terça-feira, no tribunal superior do estado.

Na ação, a DHC alega que o advogado, que era um dos sócios da banca, apresentou faturas fraudulentas por serviços de advocacia que nunca prestou e por despesas que nunca existiram, desde que entrou na banca, em 2006, até este ano, quando a fraude foi descoberta e o advogado, demitido.

Segundo a banca, Denenberg chegou a forjar ordens judiciais e falsificar assinaturas de juízes para justificar serviços que nunca foram prestados e fazer suas faturas parecem legítimas. O advogado também teria inventado audiências em outras cidades que nunca aconteceram, para justificar cobrança de despesas.

A banca descreveu o advogado, cujo slogan de candidato pelo Partido Democrata às eleições de 4 de novembro é “Ninguém trabalha mais duro”, como “um advogado patife”, que armou um esquema frio e calculado para roubar um cliente durante anos, e “um criminoso concorrendo imperdoavelmente a um cargo público”.

Depois que descobriu a fraude, o escritório de advocacia ressarciu o cliente, a Systemax Inc. A DHC e o cliente fizeram, juntas, o levantamento das cobranças fraudulentas, de acordo com o Daily News e a CBS.

A denúncia também foi apresentada à Procuradoria-Geral do Estado e mais “sujeiras” de Denenberg chegaram ao conhecimento público. Em 2005, ele se declarou culpado em uma investigação de declarações falsas feitas à Justiça. Isso lhe rendeu uma sentença condenatória, suspensa condicionalmente, e a suspensão da licença para advogar por 90 dias.

Neste ano, quando ele foi confrontado pelos sócios da banca, admitiu fraudes em suas faturas, mas resistiu ao pedido dos colegas para deixar a banca. “Eu não quero sair. Vocês querem que eu vá embora só por causa disso?”, teria dito aos sócios. Foi, então, forçado a sair.

Ao retirar sua candidatura ao Senado estadual, Denenberg declarou, em uma nota à imprensa, que irá “se defender vigorosamente” contra as alegações feitas contra ele na Justiça. Mas reconheceu que, diante da proximidade das eleições, será impossível se defender perante os eleitores.

Como faltam apenas seis semanas para as eleições, não há mais tempo para retirar o nome do candidato democrata da cédula. Mas o partido tentará usar uma “tecnicalidade” da lei eleitoral estadual, que poderá permitir a substituição do candidato.

No Brasil, os desfalques cometidos por advogados contra clientes são o principal motivo dos processos disciplinares na Ordem dos Advogados do Brasil. Segundo o Tribunal de Ética e Disciplina de São Paulo, por exemplo, a grande maioria dos casos julgados e das condenações de profissionais são por problemas na prestação de contas dos serviços contratados. 

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 25 de setembro de 2014, 11h13

Comentários de leitores

5 comentários

Fez a opção correta

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório)

O advogado ladrão fez a opção correta: Ir para a política. Lá encontrará abrigo e identidade de propósitos.

Resposta ao questinamento

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Para que não ocorra situações como a mostrada nesta reportagem, sr. Prætor (Outros), conforme o sr. já sabe "de cor e salteado":
.
http://www.conjur.com.br/2014-set-23/juiz-eua-responder-processo-julgar-errado

Menos, MAP

Prætor (Outros)

Ninguém sugere acabar com a advocacia. Esta é uma não-questão.
Mas assim como pode-se optar por métodos extrajudiciais de solução de conflitos (dispensando o juiz), por que obrigar alguém que litigue direito disponível (por sua conta e risco) com advogado? Reserva de mercado?

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