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Questão de ética

"Banca que recebe R$ 14 por processo vai pagar mal seus advogados"

Comentários de leitores

14 comentários

Lamento

Prætor (Outros)

O corporativismo da OAB é a tônica da entrevista, do início ao fim.

É verdade, Sr. Cid Moura!

Igor M. (Outros)

Essa corrida pelas migalhas já é tanta que já tem gente militando pelo fim das defensorias tão somente para ganhar uns trocados em cima dos que mal tem condições de se sustentar na vida! Uma lamentável realidade...

Parece estar acostumado com o baixo nível...

Igor M. (Outros)

Como sempre o Sr. Marcos Alves Pintar, ao ser confrontado com argumentos, recorre ao argumentum ad hominem para sair pela tangente. Você, com toda sua inocência, pode até acreditar que eu seja um “sabichão que vive em um mundo imaginário”, mas eu tenho certeza absoluta que você não tem a mínima noção do que estou falando. Afinal, se já descobriu há décadas, porque não tem capacidade de melhorar?
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Quando o Sr. vem com justificativas – rasas – para que o piso fique em R$ 2 mil, pouco acima de motoristas de ônibus e garis (que exigem menor formação que um advogado), sob a alegação de que 0,001% não tem a capacidade de produzir R$ 2 mil por mês, está desvalorizando a sua própria profissão – e, de quebra, a classe inteira. Isso porque dificilmente irão distingui-lo dos 99,99% dos advogados que não merecem ganhar mais de R$ 2 mil – segundo sua visão. Por isso, no alto de sua “experiência impar” de mais de uma década, fica a dica: pense, Sr. Marcos Alves Pintar, pense! O senhor está inconscientemente se nivelando por baixo...

Para quem está de fora, tudo é fácil

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

No dia em que possui vosso escritório, prezado Igor M. (Outros), mantendo-o de forma digna por uma década e arcando com todas as despesas mensais da advocacia, aí sim estaremos em condições de discutir alguma coisa. Até lá, creio que o sr. é mais um dos "sabichões" que vivem no mundo imaginário, tentando descobrir o que nós advogados já conhecemos há décadas. Venha para o campo de batalha e verás como é a luta.

Igor tem total razão,

Cid Moura (Professor)

são alguns advogados que desvalorizam a própria classe. Esses que se contentam em ganhar pouco e competem por migalhas, os mesmos que tenta tomar clientes uns dos outros, cobrando pouco. Normalmente, estes advogados detestam juízes, promotores e defensores, simplesmente pelo fato destes servidores ganharem bem.

Realidade muito além disto! (2)

Igor M. (Outros)

Terceiro que se mesmo assim tiver que existir demissão em massa, é porque existe algo muito errado atualmente no mercado da advocacia que não está evidenciado: que há mais profissionais que o mercado realmente comporta. E isto prejudica todos os profissionais, pois, como acontece agora, desvaloriza cada vez mais a profissão. E somente com o aumento do piso salarial é que essa situação poderá, no futuro, ser corrigida, seja por menos pessoas procurando a faculdade de direito por falta de vagas no mercado, seja pelo profissional qualificando melhor sua mão-de-obra – com maior aprofundamento acadêmico. E creio que o que acontecerá é o segundo!
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Quarto, os escritórios de contencioso de massa não param de crescer no Brasil. Estes, que também contratam em massa, tem muito lucro concentrado aos seus donos, mas pagam muito pouco aos advogados. Cada vez mais eles precisam de profissionais. Não vai ter tanto advogado demitido assim como o Sr. imagina.
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Por fim, Sr. Marcos Alves Pintar, achar certo ter piso de R$ 2 mil, um pouco maior que motoristas de ônibus em São Paulo e no Rio, e não muito distante ao dos garis (aqui no Rio), para quem, em tese, faz cinco anos de faculdade, “estuda o mínimo” e passa no Exame da OAB – e ainda tem que pagar anuidade caríssima –, e tem que comprar livros para sempre se atualziar, é aceitar que a advocacia caminha a largos passos para não ter valor nenhum. E desvalorizar o advogado é desvalorizar a justiça!

Realidade muito além disto! (1)

Igor M. (Outros)

Primeiro, Sr. Marcos Alves Pintar, que um escritório que não contrata de acordo com o resultado que o investimento em um novo profissional vai lhe gerar, está fadado à falência. O advogado contratado ao salário que for, seja de R$ 2 mil, seja de R$ 20 mil, tem que estar ali porque o escritório tem a necessidade, através dele, de lucrar significativamente mais do que seu salário. Ele tem que contratar porque há uma demanda a ser explorada, e não porque quer ter um assistente de terno e gravata. Assim, quem contrata um advogado a R$ 2 mil, e gera 500 reais por mês, também deve se juntar aos 99,999% dos que não estão aptos a sentar numa cadeira de escritório, pois não sabem estabelecer corretamente uma margem de lucro.
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Segundo, Sr. Pintar, é que não se contrata por caridade: o faz por necessidade. Se o piso for de R$ 2 mil, ou de R$ 10 mil, vão contratar profissionais de qualquer forma – desde que precise para gerar lucro. É o que acontece em qualquer carreira em qualquer lugar no mundo! A diferença é tão somente que o pagamento do piso de R$ 2 mil vai fazer com que escritórios se esforcem menos para lucrar mais!

Ao J. Ricardo (Economista)

Eduardo. Adv. (Advogado Autônomo)

Particularmente, sou contra esse tipo de expediente. Mas esse expediente é fomentado pelas iniciativa de Governos, que atuam para não pagar precatórios... Cada povinho tem o governinho que merece.
Mesmo sendo contrário à tal prática, você sabe como se chama isso? Cessão de direitos... Está prevista no Código Civil. Quem não vende (prefere esperar o Governo pagar), não tem o "processo" comprado (e não recebe antecipadamente). Simples assim. A venda não é obrigatória.
E sabe a quem aproveita a venda lá na ponta? Ao Governo, pois a dívida comprada vai ser usada para abater dívidas com o Governo...
E bancos utilizam o instituto (cessão) reiteradamente, inclusive nas operações de financiamento imobiliário para fugir da execução judicial e usarem a execução cartorial....
Bancos vendem (cedem) dívidas bancárias para que "abutres" não bancários (normalmente um "conluio" entre economistas e "adevogados" ) cobrem a dívida e façam o "diabo" como se bancos fossem... Esperteza dessa gente, né?
Entendeu?
Não são só os "adevogados" os vilõezinhos, não.

Realidade brasileira

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Parece-me que o Igor M. (Outros) e tantos outros não conseguem entender que um piso salarial elevado para os advogados retiraria do mercado 90% dos profissionais, além de inviabilizar completamente o ingresso do mais novos. Hoje, considerando o mercado da advocacia e o preparo médio de quem sai da faculdade, nem 0,001% está apto a sentar em uma cadeira de escritório de advocacia e gerar 2 mil por mês. Com um piso de 4 ou 5 mil reais as empresas e escritórios ficariam sem advogado, e os advogados sem emprego. Quem duvida, monte seu escritório e daqui a um ano venha me apresentar o balança mostrando que ganhou (descontando as despesas e pagando todos os credores) mais do que 500 reais por mês na média.

Concluí-se que a coisa está ruim quando... (2)

Igor M. (Outros)

Além disto, acabar com qualquer margem para redução de honorários. Trabalhou no processo inteiro? Então são 20%. Ponto! Nada de “10% a 20%” como é disposto atualmente. Trabalhou em parte do processo? Fraciona por etapas descritas em lei, e cada parte da fração vai para o advogado correspondente, sempre se considerando os 20% no geral. Ponto de novo! Piso para o assalariado? Meta de triplicar em prazo curto, como três a cinco anos. E ficar em cima dos escritórios que pagam menos que o piso.
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Porque, afinal, é no mínimo de se estranhar que, em um universo de 850 mil advogados, haja menos poder de pressão e influência do que, por exemplo, 3 mil defensores públicos – que estão conseguindo aos poucos levar suas demandas para frente!

Concluí-se que a coisa está ruim quando... (1)

Igor M. (Outros)

... o próprio Presidente da OAB não estranha os estados estipularem o piso da advocacia em R$ 2 mil. Um piso 3 vezes menor que o da engenharia, e – pasmem! – 5 vezes menor que o defendido para os médicos este ano. Todas exigem nível superior, cumprem função social, tem sua importância para a sociedade e a democracia, mas é só com a advocacia que a batata está assando.
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Ao invés de perder tempo com a obrigatoriedade de filiação dos defensores públicos (o que não lhes assiste razão alguma), com Exame da OAB, com para-legais, amicus curiae em questões controversas e coisas de pouca – ou nenhuma – relevância para a advocacia, devia estar mobilizando seus 850 mil filiados para pressionar o MEC e proibir novas autorizações para funcionamento das faculdades de direito, dar prazo para as faculdades aumentarem a qualificação de seus professores, exigir máxima excelência acadêmica, alterar a forma de prática jurídica para que haja maior contato do aluno com todos os personagens do meio jurídico e com a sociedade (acabando com aquela inutilidade de relatório de audiência ou de palestra, que não agrega nada ao aluno – no máximo ficar escutando “não” ao implorar para assistir audiência em vara de família) e, mais ainda, se adequar à realidade do capitalismo – que tem sido uma das maiores deficiências da advocacia.

Advogados e "adevogados"

J. Ricardo (Economista)

Seria bom criar algum tipo de fiscalização sobre profissionais que compram ações de seus clientes pois isso ocorre com regularidade em Uberlândia, além de casos piores envolvendo juízes!

Salário não é honorário.

Eduardo. Adv. (Advogado Autônomo)

Salário é salário. Quem quer ter advogado empregado, assuma, ou então reparta os lucros reais.

Somos todos "clandestinos"?

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

"É um grande exército de advogados fora da formalidade."? Quer dizer que o Advogado que ilegitimamente exerce a função de Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil acredita que os advogados fora de uma sociedade de advogados é "informal"? Deve ser por isso que a Ordem vem simplesmente desprezando de forma sistemática a figura do advogado individual, muito embora representemos 85% da advocacia brasileira.

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