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Jogo de damas

Quando candidatos inelegíveis lançam suas mulheres, reforçam padrão machista

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*Artigo originalmente publicado no blog Conexão Eleitoral, do jornal O Estado de S.Paulo

Em 2010, o ex governador Joaquim Roriz foi barrado pela justiça eleitoral e na última hora lançou sua mulher para substituí-lo como candidata a governadora. Inexperiente, mas leal, a candidata participou de um debate na TV com os adversários, onde protagonizou cenas constrangedoras que caíram na internet e se tornaram virais. Recentemente o vídeo voltou a circular nas redes e de novo fez sucesso, pelo riso fácil que algumas cenas provocam.Nesta semana dois candidatos a governador seguiram o mesmo caminho. Barrados pela lei da ficha limpa, desistiram de suas candidaturas para governador e lançaram suas mulheres. Encontraram uma forma de driblar a regra. Em direito chamamos isto de fraude à lei.

A prática de usar mulheres de políticos como alternativas eleitoreiras não é recente. Em 2002 Garotinho desistiu de disputar a reeleição para o governo do Rio e preferiu se arriscar em uma candidatura a presidente. Mas deixou sua mulher no seu lugar.

No Brasil temos uma lei que obriga os partidos a comporem as chapas para cargos proporcionais, reservando pelo menos 25% de vagas para mulheres. A fixação da cota feminina tem o objetivo de modificar um padrão historicamente masculino da vida política.

Quando candidatos inelegíveis lançam suas mulheres em seus lugares, reforçam o padrão machista que relega as mulheres a um papel secundário na política. Na linguagem das nossas tradições estes políticos escarnecem da lei e reafirmam o seu espaço de poder. É a identidade deles que prevalece sobre a de suas mulheres.

O incrível é que isto tudo esteja acontecendo na mesma eleição em que duas mulheres duelam genuinamente pelo cargo de Presidente da República, mas a questão de gênero não é debatida.

O Brasil é realmente um país de paradoxos.

Silvana Batini Cesar Góes é professora da FGV Direito Rio.

Revista Consultor Jurídico, 19 de setembro de 2014, 15h22

Comentários de leitores

2 comentários

O machismo é tão odioso quanto o racismo

Simone Andrea (Procurador do Município)

O machismo é tão odioso quanto o racismo, e não há nenhum argumento válido para afirmar o contrário. Porém, este país vira-latas e sem nenhum futuro ou nega a persistência desse crime de lesa-humanidade (o machismo) em nossas vidas, ou o trata como se fosse uma coisinha engraçada ou inofensiva, como é o caso dos estúpidos que contam piadas de loura, ou fazem comentários do tipo, "mulher não sabe dirigir", e outras ofensas nojentas mais, e, se uma mulher que ouve isto reage, o vagabundo que proferiu a frase diz que foi "brincadeirinha", e ainda tem o tremendo mau-caratismo de imputar à ofendida adjetivos como "nervosa", etc. Um ficha-suja que tenta permanecer no poder através de sua esposinha submissa só reforça sua vileza: além de ímprobo, é machista, sim. Porque a fulana faz um "favor" ao inelegível, que apresenta sua cara-metade ao eleitorado alienado como se fosse seu "alter ego", sua extensão. Este é o caso quando se trata de mulheres que nunca exerceram ofícios de vida pública, obviamente. A autora do texto, com argumentos, demonstrou que tem razão. Quanto ao comentário que contra o texto reagiu, nenhum argumento, só ataque desrespeitoso.

Machismo?

Marco Antonio de Oliveia Lopes (Advogado Associado a Escritório - Tributária)

Discordo da observação, as esposas dos candidatos nem viram isso como machista, creio que a sociedade nem isso percebeu, a vossa observação é forçada e tendenciosa, mais ocupada em promover a discórdia entre os gêneros do que de fato ajudar a mulher. Vc está vendo chifre na cabeça de cavalo.

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