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TV pode exibir o que teatro e livro são proibidos de contar

Comentários de leitores

2 comentários

Pobre povo brasileiro

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

A bem da verdade, o que a televisão mostrou foi a encenação montada sob controle dos agentes estatais, que viram no episódio envolvendo os Nardoni uma chance para tirar proveito. No Brasil o rancor domina as massas. O povo quer prisões, sofrimento, expiação, e diante da situação de incerteza envolvendo o caso viram que impondo uma pena elevada, mesmo sem provas, as massas aplaudiriam. E tudo deu certo. Aplicaram uma pena completamente descabida, sem precedentes na história do autoritarismo recente, fazendo com que o IBOPE dos agentes estatais fosse nas alturas. Naturalmente o episódio não empolgou o cidadão médio, que enxergou no circo armado pela mídia, como mostrou o Articulista, apenas exageros e exploração midiática sensacionalista. Assim, certamente que os mesmos agentes estatais que lucram com o episódio e as penas elevadas não possuem nenhum interesse que o caso seja analisado sob um aspecto racional e equilibrado. Na medida em que "novas versões" do caso (ou da reconstituição do caso) surgirem em livros, peças, filmes, etc., talvez a conclusão daqui a algumas décadas seja de que a condenação não passou de mais um monumental erro judiciário (tal como vem ocorrendo em vários casos reanalisados nos EUA envolvendo penas elevadas). E assim a censura chegou, pela pena de quem é pago para fomentar justamente a liberdade de manifestação do pensamento. Pobre povo brasileiro.

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"Direito" ao esquecimento

Nicolás Baldomá (Advogado Associado a Escritório)

Esse "bendito" "direito" já começa a nos render frutos arbitrários.
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Confundindo a proteção da intimidade e da privacidade com um suposto direito a nunca mais ouvir falar de algum fato, transformam fatos públicos (e de interesse público), amplamente noticiados, em assuntos intangíveis por todos, mesmo por aqueles que pretendem criticar de forma artística, poética e ficcional justamente a forma como a intimidade e a privacidade da família foi exposta pela mídia.
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Que "bom", né? Quais serão os próximos passos? Proibir representações artísticas de acontecimentos trágicos que nos marcaram? Vamos proibir grandes obras literárias que retratem acontecimentos semelhantes aos que queremos esquecer? Vamos fazer apagar da história tudo o que é triste para a sociedade? Vamos reescrevê-la apresentando apenas fatos positivos, que não ofendam o "direito" de alguém esquecer o fato - ou outro idêntico que remeta ao seu?

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