Consultor Jurídico

Direitos da personalidade

Mãe de Isabella Nardoni será indenizada por peça baseada em morte da filha

Retornar ao texto

Comentários de leitores

13 comentários

Parabéns

João da Silva Sauro (Outros)

Correta a juíza. Quebra de sigilo é um caso patente de dano irreversível. Além disso, a legitimidade é do judiciário para decidir se há ou não interesse público a ser resguardado nos autos.

A vida alheia (continuação)

Mônica M. Catarino (Servidor da Secretaria de Segurança Pública)

... Façam a autobiografia! Creio que despertaria o interesse de muitos. O que não falta no mundo é curioso. Ainda mais quando se trata do infortúnio “DO OUTRO”... “Ah! Mas o texto injustamente proibido pela magistrada não referencia os envolvidos na realidade!” Ora, então não utilize o nome do prédio onde se deram os fatos! Tampouco enredo similar ao ocorrido em tal caso! De acordo com a ciência, se não desprovidos de cérebro e isentos de moléstias limitantes, somos todos, teoricamente, indivíduos pensantes e, uma vez dotados de um mínimo desenvolvimento cognitivo, estabelecemos relações entre coisas e fatos ao nosso redor. Por favor, não menosprezem a própria inteligência! Pelo amor de Deus nos deem arte de verdade e não uma versão poética ou artística da tragédia que destruiu as vidas dos envolvidos!

A vida alheia...

Mônica M. Catarino (Servidor da Secretaria de Segurança Pública)

Como se não bastassem os programas de televisão sustentados pela desgraça alheia, em nome de jornalismo policial, agora também “a arte” parece querer conquistar o público explorando a natureza violenta do ser humano. Neste caso em particular, já tão remexido e enfadonho, me pergunto: “Com qual intenção?”. “Informar” ao “Homem” do perigo que o seu semelhante lhe oferece? - Creio que ele já está careca de saber, pois é igualzinho a ele! Basta olhar o panorama mundial! Guerras e milhares de mortes “em nome de Deus”, crueldade não só com os seus semelhantes, mas, também como entretenimento, as touradas e os rodeios. Ora não é preciso uma peça teatral para que se tenha explicita a irracionalidade do Homem, que se diz racional! Então seria para “educar” os filhos de pais separados para que não confiem nos padrastos? - Não é possível generalizar. Há padrastos mais amáveis e cuidadosos que os próprios genitores. Não sendo estas as razões, deve ser pela simples preferência do autor em expor e explorar a desgraça alheia? – já que não é a própria. Ou pensando em uma razão ainda mais lamentável... Pela total incapacidade criativa de produzir dramas inéditos, ou textos mais apropriados ao entretenimento? Será que está sendo obrigado a vender histórias já amarrotadas pelo tempo a fim de poder comprar o seu pãozinho do café de amanhã? É a “arte” se misturando com a “mídia”... “liberdade de expressão”... Por que não expõem as próprias vidas? Temos tantos atores e outros tantos famosos – dentre eles, alguns jornalistas – que se envolveram em escândalos, em ocorrências policiais... Por que não falam de si próprios? ...

Lucro e Morte

Pedro Arthur Figueiredo (Promotor de Justiça de 1ª. Instância)

O artista deve ser reconhecido, dentre outros predicados, pela sua genialidade, sensibilidade e, principalmente, criatividade. Basta passear pela lista dos mais renomados e geniais escritores, desde a Grécia antiga, para constatar que a originalidade sempre foi o traço marcante que os diferenciava dos demais. É bem verdade, entretanto, que muitas obras retratavam as tragédias por eles conhecidas. Neste ponto, destacam-se os célebres Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, apenas por referência. Não objetivo buscar qualquer comparação entre os autores da peça teatral sub judice com os tragediógrafos já nominados, mesmo porque isso seria tarefa fácil por demasia. Pontuo, apenas, que, ao que se sabe, aqueles três não se locupletaram com a desgraça alheia. Qualquer Obra que faz riqueza em cima do flagelo humano, sob o argumento mentiroso de que está se fazendo cultura, deve ser desprezada.

Muito democrático esse país...

Kelsen da Silva (Outros)

As mais brilhantes obras do teatro e cinema são daquelas baseadas em fatos reais, por mais dolorosas que sejam. Se essa peça é boa, de mal gosto, etc., não é o caso. Até porque ninguém sabe a efetiva participação da mãe no lançamento da criança pela janela, o que torna sua grita inútil. Monetizar pela arte casos horrendos da vida real não só é comum como necessário.

Lucrar com o sofrimento de uma mãe, é requinte de crueldade

Silvana Alves Scarance (Advogado Autônomo - Civil)

O bom senso e solidariedade direcionam a consolar a mãe da pequena Isabela, na tentativa de aliviar seu sofrimento diário, mas ao revés, quando um grupo de pessoas e empresas se aproveitarem do episódio, e com isso, pretendem lucrar, a meu ver, merecem condenação em indenizar SIM ! A dor da mãe não será aliviada com a indenização, mas esta, certamente servirá para intimidar os desumanos agressores. O respeito a dor alheia, perdeu-se, quando o lucro falou mais alto.
Respeitem a dor de uma mãe, cuja filha foi vítima de tamanha barbaridade, e parem de falar desse assunto! Respeitem o silêncio daquela mãe !

Faltou de Tato

Luiz Otávio Mascolo (Estudante de Direito - Criminal)

É chocante a falta de sensibilidade demonstrada por esse grupo de teatro. Não é necessário ser um grande racionalizador, ou mesmo um operador do direito, para perceber o dano que tal peça poderia causar.

O caso Nardoni, e o júri que dele decorreu, já estão eternizados, gravados na memória do povo muito mais pela espetacularização midiática do que pelas agruras do ocorrido. Foram anos de dor e cruel exposição para a mãe e pessoas próximas da vítima. Infelizmente, mazelas do processo. Porém, este já acabou, não havendo mais o que se falar, salvo se a intenção for monetizar uma historia aberrante, como parece ser o caso.

O limite da arte é muito subjetivo, mas essa subjetividade não é argumento para atropelar o direito de uma mãe de seguir em frente e,quem sabe um dia, superar o episódio que marcou tão profundamente a sua vida, pois a peça em questão não é fruto do intelecto, não é uma obra ficcional que pode ser exposta irrestritamente, mas sim a reformulação de uma tragédia real. Isso muda completamente a natureza da discussão.

Não conheço o grupo Satyros e não sei se suas peças são boas ou ruins, mas apelar a tal ponto me parece uma tentativa desesperada de captação de audiência.

Valdir (Advogado Autônomo - Financeiro)

Observador.. (Economista)

Respeito o que o senhor escreveu e admiro a preocupação, demonstrada em seu comentário, com o sofrimento alheio.
Mas - acredito - o problema está em setores do judiciário fazerem análises altamente questionáveis "público mediano não entende licença poética" para banir algo que consideram não apropriado ou de mau gosto, alimentando a sede que alguns tem de se arvorarem como juízes das decisões e visões de vida alheios. Se alguém quer ir à um teatro assistir algo ruim, é válido mesmo ser impedido?Pois teatro é um ambiente controlado.Só está ali quem quer, por livre e espontânea vontade.
Eu achei lamentável a decisão da magistrada.E abre brechas incríveis neste país que teima em ter castas em vez de respeitar este arremedo de democracia que temos aqui.

E o bom senso, onde fica?

Gusto (Advogado Autônomo - Financeiro)

Respeitando todas as opiniões, tenho comigo que bem andou a Juíza em sua fundamentação, pois é evidente que a peça em questão remete diretamente, e de maneira flagrante e inescondível, ao trágico e monstruoso episódio da eliminação da pequena Isabella (recuso-me a mencionar o sobrenome por me causar náuseas). Aqui não se trata de defender qualquer direito à livre manifestação artística ou à liberdade de expressão, pois acima disso se encontra o ainda pulsante o sofrimento de uma mãe que deve cultivar diariamente a memória da filha. Então trata-se de uma simples exploração desconexa com a arte e que impinge em terceiros (a mãe e a família materna) sofrimento totalmente desnecessário. Que os autores e mentores da referida peça busquem outros caminhos para ganhar dinheiro, mas não o façam com espeque nas lágrimas de um coração materno.

A Volta de Pinochet

Ian Manau (Outros)

Não assisti à peça nem conheço quem o tenha feito. Mesmo assim, fico me perguntando se estaríamos sujeitos ao retorno da Censura, a qual foi ressuscitada pelo cantor Roberto Carlos, quando conseguiu judicialmente a proibição da venda do excelente livro "Roberto Carlos em Detalhes". Agora, magistrados são aptos a decidir o que é "bom gosto" em artes cênicas? Magistrados são professores de teatro? Como se não bastasse Glória Perez encher o saco toda vez que Guilherme de Pádua aparece na mídia, agora, com o devido respeito à memória da criança, a mãe de Isabella estaria querendo sucedê-la nisto? Se continuar assim, podemos estar sujeitos a apanhar dos tatatatataranetos de Machado de Assis, pelos comentários debochados contra "Dom Casmurro". Vou me embora pra Passárgada...

Lamentável!

FELIPE CAMARGO (Assessor Técnico)

É lamentável que, para além da crítica especializada, agora a arte tenha que se sujeitar a entendimentos de juízes ou de advogados. Nada a lamentar quanto à peça, ao contrário do que opina o advogado Marcos Alves Pintar. Afinal, o "mal gosto" é apenas uma opinião dele. Outros podem apreciar o bom gosto e outros podem achar que se trata de mau gosto.

Contra mal gosto não há remédio

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Inicialmente é de se lamentar que alguém tenha escrito peça teatral ou livro tratando de um tema tão delicado de forma jocosa ou inoportuna, como é colocado. No entanto, se não há menção direta a nomes prevalece o direito à liberdade de expressão. A reprovação nesse caso deve vir da sociedade, simplesmente ignorando tal espécie de arte de péssimo gosto.

Não entendi

Observador.. (Economista)

Qual estudo sobre cérebro ou comportamento humano fundamentou a definição de "público mediano"?
E onde está escrito que "público mediano" (seja lá o que isto for) não compreende uma licença poética?Uma platéia de economistas daria conta?Ou de engenheiros?Ou de magistrados?Qual platéia adequada?Ou seria necessário uma platéia de pós-graduados?De preferência no exterior, pois aqui andam banalizando não só a graduação como a pós (vide ranking do saber brasileiro no exterior).
Talvez sejamos todos medianos em Bruzundanga.

Comentar

Comentários encerrados em 10/09/2014.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.