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Senso Incomum

O protótipo do estudante de direito ideal e o “fator olheiras”

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37 comentários

Sem falar nas deficiências didático-pedagógicas

Modestino (Advogado Assalariado - Administrativa)

Há muitos professores didaticamente deficientes, chatos, pedantes, com apostilinhas, aplicadores de provas de múltipla escolha etc.

No Brasil, a aprovação em concurso para a magistratura e Ministério Público pressupõe habilitação para o magistério.

Música

Rodolfo Macena (Estudante de Direito)

Eu só acrescentaria uma coisa.

Pra quem trabalha com leituras o dia inteiro como o estudante, muitas vezes é difícil em momentos livres continuar lendo textos, mesmo textos literários. Para isso eu sugiro Música.

Mas Música de verdade.

Chopin, Mozart, Bach, Beethoven, e tantos outros que nos fazem voltar ver o lado "místico" de nossos anseios.

Curso de Direito

caboclo (Estudante de Direito - Ambiental)

Sou bacharel, não concordo com a explanação feita pelo professor,conclui a academia em 2010 já cogitava no melhoramento dos cursos,não foram poucas vezes que fui a biblioteca para fazer trabalho em grupo outras para pesquisar, ler periódicos de atualizações jurídicas.

Pressupostos lógicos ignorados: onde nasce o problema?!?

Eduardo Jobim (Advogado Sócio de Escritório - Tributária)

Não há como tirar leite de pedra. Hoje o ensino fundamental básico é uma vergonha e daí deriva nas consequencial descritas. Sem investimento alocatício, sofreremos pela parca qualidade dos egressos da escola pública, com baixa qualificação para o mercado e quiçá etapas de graduação e pós. Sem as bases, não há soluções mágicas. Essa etapa é pressuposto lógico e fundamental da prosperidade. O desenvolvimento passa, em síntese, pelo êxito de nossas crianças em adquirirem uma formação adequada em níveis mundiais. Contudo, nessa fase crucial, quem é encarregado são as prefeituras, com raras exceções, incompetentes e que recebem parcos recursos. Gasta-se errado perdendo-se de vista as prioridades nacionais.
Na política implementada na educação, temos um excessivo percentual dos recursos aplicados no ensino superior e pós-graduação, o futuro imediato, enquanto o futuro mediato, é prejudicado. O primeiro tem um “pai rico”, o governo federal, e o ensino básico um “pai pobre” e inoperante. Abraham Maslow, psicólogo famoso no meio empresarial, comprovou que todos nós contamos com uma capacidade diária de aprendizado, uma espécie de “cota diária” que varia subjetivamente. É difícil quantificá-la, mas o fato é que dispomos dessa capacidade de absorção de informações que precisa ser utilizada diariamente, pois é da condição humana e nascemos para construir conhecimento. Ocorre que a “cota diária” não utilizada significa uma oportunidade desperdiçada, pois no dia seguinte haverá outra “cota a ser preenchida”, daí por conclusão que o aprendizado é cumulativo.O tempo da criança na escola é mal aproveitado e merece foco; as crianças desperdiçam sua oportunidade diária de aprendizado e o reconhecimento disso leva ao contexto exposto pelo Prof. Lênin.

Maturidade é recomendável aos ingressos nas Faculdades

Eduardo Jobim (Advogado Sócio de Escritório - Tributária)

A questão foi muito bem tratada pelo Prof. Lênio. Sem oposição ao comentado, depois de experiência de profundos estudos com Mestres do Largo São Francisco (que nutrem os mesmos ideais do Prof.), entendo que deveria ter entrado na Faculdade mais maduro, e não aos 17 anos como fiz. Se tivesse maturidade suficiente, saberia suprir o déficit educacional sofrido e descrito, utilizando 100% do meu tempo para estudo mais profundo. Veja uma nova Escola de Direito em São Paulo, cujo corpo docente é muito bom que tenta destacar-se do perfil das velhas Arcadas, por entender seu modelo e disciplinas inconciliáveis com a atualidade. Adotou um modelo de Faculdade com dedicação exclusiva durante os primeiros anos e estágio obrigatório nas melhores bancas de advocacia em segunda etapa. Inegável o seus público alvo: a elite paulistana. Algumas ideias lá implementadas são adequadas e úteis, principalmente muita pesquisa e exigência de maior carga de leitura "Boa" (muitas vezes), versão criticadas, porém adotadas. Gostaria de ver mais Professores em DE's em todas as Universidades. Aberto para críticas, claro

Brilhante

Prof. HAROLDO (Estudante de Direito - Tributária)

Inspirador. Parabéns.

esperando.....

Heloisa Covolo (Advogado Associado a Escritório - Civil)

No aguardo da cesta básica.

Sugestão ao prof. Lênio

Rebeca Lago (Jornalista)

É vergonhoso, mas termino o curso de Direito sem ter uma formação razoável nas matérias (e assuntos) que o prof. Lênio expôs como fundamentais à formação de um operador de Direito. O que me consola é o fato de minha realidade não ser tão diferente da de outros colegas, estudantes de faculdades espalhadas país afora. Diante disso, sugiro ao prof. Lênio que - se possível - pense sobre a possibilidade de desenvolver um curso online no qual ministre aulas e sugira livros que formem devidamente aqueles que estão dispostos a ter olheiras em favor de uma boa formação jurídica. Que tal?

Perfeito!

Marcelo Cortez (Advogado Autônomo - Administrativa)

Concordo com tudo... E obrigado!

Excelente

Dimas Bentim Junior (Bancário)

O texto aborda tema extremamente relevante para os estudantes de Direito. Assino embaixo.

Não há soluções simples.

A P Bertanha (Advogado Assalariado)

Concordo com a crítica de que o ensino do Direito deve ser reformulado completamente, é retrógrado, engessado, anacrônico e fora da realidade profissional. Porém, cheguei a conclusão de que é impossível fazer essa reformulação global se não houver uma mudança substancial do ensino básico e médio, não há milagre a ser feito na graduação se o aluno já vem com deficiências profundas de formação, sem qualquer capacidade de abstração e sequer capaz de interpretar textos simples. Se o professor tenta levar a coisa para um nível mais profundo o aluno se queixa, vai na direção, diz que o professor é prepotente etc... Próximo semestre, no maravilhoso mundo dos "horistas", você está em uma situação financeira complicada, fora o fato de que te "obrigam" a pegar disciplinas que você não domina, não respeitam seus direitos trabalhistas, turmas enormes, falta de autonomia de atuação em sala de aula etc. Isso, claro, se você é um profissional que se importa em fazer um bom trabalho, em um universo onde muitos não se importam com isso. Fora as distorções da prova da OAB, Enade e concursos em geral que geram a maiorias das distorções abordadas no texto. A mudança deve vir de cima, e não de baixo, não há mágica ou soluções fáceis. Entretanto, reconheço que a crítica deve ser feita, sob pena de não mudar nada.

A realidade é outra

Jefferson K. (Funcionário público)

Pena que estudar direito na realidade socioeconômica da maioria dos estudantes seria inviável. Pois mesmo que o bacharel conseguisse a formação básica tida como ideal no artigo teria que iniciar uma longo estudo das leis (no caso do Brasil como se sabe em quantidade e extensão grandiosa) e jurisprudências após essa formação de maneira que demoraria muito mais que os 5 anos para estar pronto para atuação profissional. Mas de fato muita coisa precisa melhorar no ensino jurídico no Brasil.

Cid Moura tem dor de cotovelo

Juliano Pante (Outros)

Cid Moura, tua resposta é típica daquele a quem "serviu o chapéu". Que pena. Mágoa vertem de suas palavras. É nítido.

Te informo que está completamente enganado. Sempre fui voltado para as disciplinas propedêuticas e para a literatura em detrimento da cultura manualesca. Passei na OAB de primeira.

Teu discurso não cola, meu amigo.

É necessário o estudo ACADÊMICO do direito positivo (4 de 4)

Cláudio Ricardo (Oficial de Justiça)

***(CONTINUAÇÃO)***

Em minha opinião, o curso de Direito deve contemplar, pois, em igual volume, zetética e dogmática (de um lado, teoria, filosofia, sociologia e história do Direito, e, de outro, direito positivo, de base legislativa e jurisprudencial, em seus diferentes e crescentes ramos pedagógicos). Talvez isso demandasse 6 (seis) anos em horário integral, como ocorre hoje com a graduação em Medicina, e não os 5 (cinco) anos em horário parcial, dos cursos de Direito. E talvez isso seja o necessário, ainda que, para tanto, tivéssemos de buscar alternativas de inclusão para estudantes que não têm como se manter na universidade sem trabalhar, com a adoção de programas de bolsa estudantil vinculadas a contratos de exclusividade para os estudos, tal como já existe nos principais programas de mestrado e doutorado. Esperar, contudo, de alguém que trabalha 8 (oito) horas por dia e frequenta aulas à noite resultado intelectual semelhante ao de quem somente se dedica à academia é utópico, por mais enxuto e direcionado que seja o currículo. A fuga dessa realidade é o que impulsiona os cursos de mera técnica legislativa, os quais, em verdade, sobretudo na iniciativa privada, sequer esse objetivo têm conseguido atualmente alcançar, dados os efeitos da mercantilização do ensino na diplomação imerecida de discentes, fruto da busca desenfreada por números protagonizada por governo e mercado educacional. Tal, para mim, é a essência do problema, que ostenta gravidade elevada e necessita de medidas urgentes.

É necessário o estudo ACADÊMICO do direito positivo (3 de 4)

Cláudio Ricardo (Oficial de Justiça)

***(CONTINUAÇÃO)***

A sociedade demanda, pois, também no plano jurídico, da figura do “especialista em”, o qual, inobstante precise dominar a teoria e os embates filosóficos do ramo em que atue, necessita, talvez com ainda maior intensidade, de estar em dia com a lei, a doutrina e a jurisprudência de seu ramo de atuação, vez que, no mundo real, carecerá – e muito – desse conhecimento, abstraídas eventuais divagações acadêmicas. E nada melhor que tal saber seja adquirido e avaliado no âmbito das universidades, à medida que se estuda a filosofia de cada corrente normativa (tal como, nos cursos de Engenharia, não se leciona somente matemática, química e física, mas, igualmente, estruturas premoldadas e materiais pré-concebidos, que servem à prática da construção civil e, nos cursos de Medicina, os currículos não são compostos apenas química e farmacologia, mas também do exame das técnicas e dos fármacos já existentes para o tratamento das principais patologias – tudo isso inobstante a eventual superação do conhecimento pelo surgimento de novas tecnologias, exatamente como ocorre com o direito positivo, que se altera de tempos em tempos). Embora seja de difícil compreensão para quem, como eu, possui uma veia acadêmica, nem todo profissional tem vocação para pesquisador, contentando-se em ser um consumidor da pesquisa.

***(CONTINUA)***

CID

Nicolás Baldomá (Advogado Associado a Escritório)

Então um erro (a forma como são cobrados os conteúdos na OAB e concursinhos em geral) justifica o epistemicídio no Direito?
.
Se aplicassem uma prova semelhante no CFM, seria válido que os estudantes de medicina passassem o curso estudando por livros como "Medicina Esquematizada para Concursos" ou "Cirurgia Cardíaca Simplificada para Exame de Conselho"?

É necessário o estudo ACADÊMICO do direito positivo (2 de 4)

Cláudio Ricardo (Oficial de Justiça)

***(CONTINUAÇÃO)***

A função da universidade, a meu ver, nesse contexto, deve ser submeter o discente à exposição a conteúdo mínimo, a par, é claro, de fomentar a pesquisa, a crítica e o livre pensamento, e de avaliar o conhecimento adquirido, assegurando à sociedade que os portadores de determinado diploma tiveram acesso a uma base curricular comum, essencial ao exercício de determinada profissão. Da forma como foi colocada a questão em seu texto, porém, parece que é possível aos que integram o curso jurídico estudar toda a legislação por conta própria e compreendê-la suficientemente, bastando ao docente ensinar a teoria e a história de cada um dos ramos do Direito. Relegar tão importante conhecimento ao estudo particular do discente, contudo, sem a avaliação acadêmica do conteúdo estudado, parece-me perigoso e danoso à sociedade. Teoria, filosofia e história não resolvem muitos dos problemas jurídicos cotidianos, que demandam, sim, uma rápida resposta com base no estrito direito posto. Tão necessários à sociedade quanto os filósofos e pesquisadores do Direito, que impulsionam a evolução legislativa e jurisprudencial, são os técnicos ou “operadores” da lei, capazes de obter licenciamentos ambientais, parcelamentos tributários, alvarás de soltura, registros públicos, inventários, dentre tantos outros benefícios que demandam o mero saber dogmático e a prática burocrática obtida nas repartições administrativas e nos assoberbados corredores forenses – dos quais, não raro, distancia-se o jusfilósofo.

***(CONTINUA)***

É necessário o estudo ACADÊMICO do direito positivo (1 de 4)

Cláudio Ricardo (Oficial de Justiça)

Prezado Prof. Dr. Lênio Streck, sua análise veio revestida do brilhantismo que lhe é peculiar. De fato, é preciso alterar drasticamente o ensino jurídico contemporâneo, sob pena de produzirmos apenas técnicos em legislação. Apesar disso, permita-me discordar de alguns pontos, considerando o seguinte: é uma tendência dos teóricos e filósofos do Direito menosprezar o ensino do direito positivo sob uma perspectiva estritamente dogmática, como se pudesse tal saber ser absorvido pelos discentes de forma autônoma e apartada da universidade. Com razão, o pode. Mas o mesmo se pode dizer das disciplinas jurídicas que encerram uma abordagem predominantemente zetética. Percebe onde quero chegar? Autodidatas são a exceção. Para tais, qualquer conhecimento pode ser adquirido com profundidade e vastidão, independentemente da fiscalização docente. Esses são os verdadeiros intelectuais (ou se duvida que há jornalistas, administradores, contadores e filósofos de formação que sabem mais de Direito que muitos bacharéis nas letras jurídicas?) Não me parece, contudo, que essa forma de aprendizagem deva ser a regra. Não obstante o processo cognitivo ocorra de dentro para fora (e não de fora para dentro), há muitos que dependem do modelo tradicional expositivo para a consolidação da informação. ***(CONTINUA)***

Meu maior presente

JAIRO V. LEITE (Advogado Autônomo)

Professor Streck, lendo seus artigos, especialmente o de hoje, descobri que meu curso foi falho, sobretudo nas disciplinas chamadas por você de formativas. Pretendo corrigir isso, de modo que eu (uso agora suas palavras) possa pegar uma lei e fazer um estudo sobre ela e dá um nó num neoespecialista. Por essa razão, como Marco Antonio PGE, peço que cumpra sua promessa de indicar os livros que me tirarão das trevas.
Aguardo...

o discurso é interessante mas...

Cid Moura (Professor)

INCOMPLETO. O professor precisa analisar o "fator OAB". Como são elaboradas as provas da ordem? Já vou avisando: ficar somente criticando e dizendo que se trata de quiz show, NÃO SERVE Lênio. Ultrapassada a barreira da prova da OAB , o professor precisa conhecer o ENADE, como é elaborado o ENADE professor? O que se pergunta no ENADE?
Não podemos cometer "estelionato educacional". Explico: peça para o aluno se preocupar bastante com literatura, ler os textos originais dos hermeneutas (de prreferência) em pergaminhos. DEPOIS, PEÇA PARA ELE SE SUBMETER AO ENADE E A OAB. Então me conte como o acadêmico se saiu....

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