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Sem perspectivas

Candidatos à Presidência da República não discutem propriedade intelectual

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Qual a relação entre o Alibaba Technology, gigante chinesa da internet, que recentemente ofertou ao público as suas ações na bolsa de Nova York, com as eleições presidenciais brasileira?

Num primeiro momento, pode-se dizer que nenhuma. O Alibaba surgiu da iniciativa de um professor chinês para atuar no mercado atacadista, de vendas pela internet. Aos poucos, conquistou espaço ao redor do mundo e diversificou sua atuação. Vende-se de tudo: de cortina, pasta de dente, dutos de petróleo a ração de cachorro. Hoje faz frente a gigantes americanas como a Amazon e eBay.

De outro lado, e daí a relação, não se tem notícia no mercado brasileiro de empresa semelhante. Junta-se as expressões clichês startup, inovação, tecnologia e internet e não encontraremos nenhum, ou quando muito, esporádico e esparso, incentivo para o surgimento de Alibabas nacionais. Não nos falta criatividade, boas ideias e mercado interno a explorar. Nos faltam políticas públicas para o setor e a cultura para inovar.

Basta uma simples pesquisa no programa de governo dos presidenciáveis. Tanto Dilma Rousseff (PT) quanto Aécio Neves (PSDB) não apresentam nenhuma medida concreta para o setor. Apenas plataforma de trabalho com ênfase em termos genéricos e ambíguos, ou seja, com fortes indícios que não trarão nada de novo sobre esses temas. Tanto é que nos debates e discursos, o assunto sequer é tratado ou priorizado quando, na verdade, deveria ser o primeiro da pauta.

Vale lembrar que as estatísticas atuais apontam para uma estagnação brasileira na produção de pesquisas científicas e um dos menores índices de crescimento na área de inovação. E, no geral, o cenário não poderia ser mais desolador. Em nenhum lugar do país encontramos, por exemplo, propostas para o desenvolvimento de projetos como o East London Tech City, também conhecido como Tech City ou Silicon Roundabout. Lá, já se encontram milhares de pequenas, médias e grandes empresas e, logo, logo, brotará uma nova Alibaba.

Considerando os números atuais, a falta de perspectiva do atual governo e o curto prazo de tempo para se implementar uma nova política para o setor, na hipótese de eleição de novo presidente, ao que parece não teremos nos próximos quatro anos nenhuma perspectiva para o surgimento de uma Alibaba tupiniquim.

 é advogado, especialista em Direito Civil pela UERJ e mestre em Inovação, Propriedade Intelectual e Desenvolvimento pela UFRJ.

Revista Consultor Jurídico, 22 de outubro de 2014, 7h31

Comentários de leitores

3 comentários

hilário esperar alguma mudança...

Celsopin (Economista)

confiando que o agente da mudança seja o governo, que é a CAUSA do problema.
O vale do silício não nasceu por iniciativa governamental...
só para ilustrar, não acho que experiências pessoais valham merda nenhuma, mas vou compartilhar uma minha:
- Professor se apresentando em aula de uma famosa universidade estatal brasileira, que não vou citar o nome porque está com problemas porque paga mais em salaries do que as receitas:
sou XXX, fiz graduação aqui, mestrado aqui, doutorado aqui, pos doutorado aqui (ou seja, passou a vida dentro de uma universidade estatal; da mesma)... publiquei isto, aquilo blablabla...

- Professor se apresentando em aula de Stanford:
meu nome é YYY, trabalho ha 20 anos na empresa Z onde sou o principal executive. Tenho 8 patentes na area específica que vou lecionar a vocês.

julguem como quiserem!

Calma lá...

Ian Vermelho (Outros)

Malgrado sejamos discordes, não há como negar que são hilárias as críticas do nosso amigo Fernando José Gonçalves ao nosso Alulabá. Parabéns!
Quanto ao artigo, me pergunto se nossa (ausência de) pesquisa aplicada deve ser integralmente submetida ao fomento do Poder Público. Embora imprescindível ao alcance do patamar de países que mais produzem patentes, penso que a letargia nacional no setor tem mais relação com a desimplicação da Academia com os resultados, do que necessariamente falta de verba pública. Sou filho de professora universitária e sei bem os nichos de privilégios e descompromisso de que muitos centros de pesquisa se cercam, à míngua de maiores cobranças por resultados. Não é uma afirmaçao peremptória, mas o tom do artigo dá a entender que cabe ao futuro presidente revolucionar a inovação tecnológica brasileira, quando se sabe que não foi exíguo, nos últimos anos, o aumento de investimento público na pesquisa nacional. Tenho pra mim que nossa (falta de) criatividade espelha uma cultura de generalizado desinteresse pelo mercado, que temos muita dificuldade de superar, para além das lideranças de ocasião.

Temos um similar tupiniquim

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório)

O nosso ALIBABÁ "se criou" há mais ou menos duas décadas. Nasceu bem longe do Vale do Silício e mesmo sem exposição na Internet, detém, igualmente, um poderoso império financeiro sob o regime de "CIA. LTDA"(aliás limitadíssima) dividido com a família e amigos mais íntimos.Não possui ações na bolsa de valores(só valores nas bolsas à tiracolo e cuecas); até há pouco tempo atrás exercia escancaradamente o poder; há quatro anos gerencia o negócio "à distância", traficando influência, fazendo lobby com empreiteiras junto a países comunistas e emprestando o nosso dinheiro, mediante módica comissão, a outras Nações, com quem mantém estreitos laços comerciais, através de sua representante estrategicamente alçada ao píncaro do poder para tal desiderato. É eclético e negocia até pinga.Como se vê, da mesma forma versátil, esperto e vem diversificando constantemente o seu "negócio". Estabeleceu percentuais de propina para bancá-lo e aos interesses por ele administrados, via da maior refinaria de petróleo da A. Latina e foi considerado "o cara" pelo estadista da Nação mais rica do mundo. O nosso "ALIBABÁ" também está à frente de vários ladrões, só que em maior número, (cerca de 560), todos concentrados ou egressos de Brasília. Com pouca ou nenhuma cultura ainda dá palestras por todo o mundo e cobra bastante por isso. Não se conhece bem o que ele ensina, porém mesmo nunca sabendo nada sobre nada, jamais tem qualquer dúvida. Esse nosso ALIBABÁ deita e rola; é intangível; esquivo e tem se dado muito bem aqui nessas paragens, à sombra das bananeiras. Comenta-se (a boca pequena) que até pretende voltar novamente como protagonista de um projeto de poder pelo poder e em breve. É um cultor severo da honestidade e do bom caráter; atributos que exige DOS OUTROS.

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