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O ceticismo jurídico de Tolstoi e
as mazelas do Direito brasileiro

Comentários de leitores

8 comentários

Reflexão

Roberto Carlos Parcianello (Outros)

Tolstoi teria se encontrado consigo mesmo? ou com receio de se corromper pelo Direito entorpecido preferiu outro caminho? Talvez tenha perdido a chance de ampliar o encontro do homem consigo mesmo (Gadamer). O legado de desilusão com o direito de Tolstoi também é construção ou desconstrução para quem sabe algum dia possamos nos encontrar com o Homem e com o Direito como demanda a reflexão. O tempo não para, como diz o poeta.

A Luta pelo Direito

Manuel M.A.Melo (Juiz Estadual de 1ª. Instância)

A obra de Liev Tolstoi constitui, de fato, um dramático contraponto à tese de R. V. Ihering (A Luta pelo Direito), trazendo à luz uma forma diferente de ver, pensar e reaccionar o conflito "jurídico". Enfim, parabenizo o autor do texto, principalmente pela citação da obra de René David, um dos grandes juristas do século XX.

Ressalvadas as diferenças personalísticas...

J.Koffler - Cientista Jurídico-Social (Professor)

... entre o grande escritor russo, Liev Tólstoi, e este humilde escriba tupiniquim, não é difícil compreender o razoamento tolstoiano e sua descrença firmada em relação ao Direito. Tenho me expressado em similar compasso, nessa linha de raciocínio e sou convicto de o Direito ter sempre sido mais 'torto' que direito.
Criou-se toda uma parafernália instrumental e operacional complexa, às vezes obtusa, mais inclinada a 'não fazer/dizer o Direito', mas, pelo contrário, a reforçar o 'torto', i.e., a ratificar (e desmistificar) a desigualdade perante a norma legal, derrubando por terra qualquer resquício, por menor que seja, do tão festejado (e vazio) princípio constitucional da isonomia.
Diuturnamente presenciamos exemplos que ratificam a fantasia desse inócuo - porque eternamente violado - princípio. Não é preciso ser-se um "Tolstoi" para fundamentar essa assertiva insofismável.
Todavia, não é nesse princípio e seu sumaríssimo ditame que reside o âmago do engodo. Como já o defendia em minha tese doutoral de 1976 ("O homem: esse projeto mal-acabado"), a raiz da mentira constitucionalizada reside na mente enferma do próprio ser humano, desde remotas eras. Mudaram-se conceitos, normas, ambientes, sistemas; sofisticaram-se as tecnologias em sentido lato; aprimoraram-se os intelectos; mas o homem sempre foi, é e será um "projeto mal-acabado".
O poeta M. de Combi, ao referir-se à provável e intempestiva descoberta pelo homem de que seu mundo seria uma farsa, cunhou sua histórica e lapidar frase: "Algum dia, em qualquer parte, indefectivelmente, hás de te encontrar contigo mesmo e só de ti depende que seja a mais amarga das tuas horas ou o teu melhor momento".

Crise do ensino

Mário Sérgio Ferreira (Procurador Autárquico)

O texto reflete muito bem a crise do ensino no Brasil, não só na área jurídica, como também em todas as outras áreas do saber.

Tolstoi destroi!

Schleiden (Outros)

O Direito é uma ferramenta para o alcance da justiça, sim. Mas, também, é uma ferramenta para a perpetuação do poder e para a imposição de uma minicultura sobre as demais.
Anima-me o seu texto. A literatura explica a justiça de modo mais magnífico do que o próprio o Direito, e, quando falamos do maior escritor de todos os tempos, temos um pensamento magnificamente justo.

Texto excelente, André!

Alexandre Melo Franco de Moraes Bahia (Professor)

Ganhei meu domingo! Texto muito interessante para (re)pensarmos o papel do Direito. Excelente resgate de Tolstoi.

Magnífico!

Immanuel Kant (Advogado Sócio de Escritório)

Este texto é... Apenas... Sublime.

Otimista?

Marcelo Francisco (Procurador do Município)

Não, somos crentes de que enquanto existir um humano, temos uma missão a cumprir - talvez efetivar uma esquecida Constituição.
É, eu sei, uma tanto messiânico, mas não é com esse sentimento que você, André, continua o magistério.
É o que me parece e se não for, vamos adiante nesse Xadrez cada vez mais complicado.
Abraço.

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