Consultor Jurídico

Entrevistas

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Ideias do Milênio

"A liberdade na internet não se traduz em liberdade"

Entrevista concedida pelo pesquisador da Harvard Univserity Evgeny Morozov ao jornalista Jorge Pontual, para o programa Milênio, da Globo News. A entrevista foi concedida e veiculada no programa antes do dia 17 de março, quando a Crimeia fez um referendo que aprovou com 96,8% dos votos a adesão da região à Federação Russa. O Milênio é um programa de entrevistas, que vai ao ar pelo canal de televisão por assinatura Globo News às 23h30 de segunda-feira.

Evgeny Morozov [Reprodução/GloboNews]Centenas de milhões de pessoas em todo planeta usam a Internet todos os dias. A previsão é que em breve serão bilhões. Muitos vêm nessa nova tecnologia uma força histórica capaz de transformar o mundo, a sociedade, a economia. O culto a Internet tornou-se praticamente uma nova religião. Mas se a rede tem seus apóstolos e profetas, tem também seus hereges. E um dos mais veementes e influente hereges da internet é Evgeny Morozov, um jovem pensador nascido na Bielorússia, que aos 29 anos se tornou uma estrela do mundo acadêmico americano. Ao contrário da utopia prometida pelos ideólogos da era da informação, Morozov alerta para o risco que a democracia corre se os tecnocratas da internet impuserem o seu projeto de controle social. Um perigo que o escândalo da espionagem eletrônica pelo governo americano deixou bem claro. O sonho de uma sociedade tecnologia perfeita, ele diz, é na verdade um pesadelo autoritário. Morozov reside em Cambridge, onde é pesquisador da Harvard Universit, e de passagem por Nova York falou ao Milênio sobre sua visão iconoclasta da Internet e seus mitos.

Jorge Pontual — Devemos encarar a internet de forma mais realista. Esse é um bom resumo do que você faz? É claro que faz mais do que isso.
Evgeny Morozov — Claro. Eu faço várias alegações, mas meu esforço é para entender porque tendemos a acreditar que a tecnologia, especificamente a tecnologia da informação, vai libertar o mundo, salvar o mundo da fome, da desigualdade, da pobreza. Se você ouvir parte da retórica do Vale do Silício, vai perceber que muita gente lá acredita piamente que os apps podem mudar o mundo. E eu tento encontrar falhas nessa retórica porque acho que ela confia em expectativas muito ingênuas em relação a como o mundo funciona, como o poder é distribuído, por que a pobreza existe. Não é só uma questão de as pessoas não saberem como ser espertas. “Se ensinarmos as pessoas a serem espertas com os smartphones”, alguns no Vale do Silício acham que elas se comportarão melhor. Não acho que essa seja a causa da pobreza, é por isso que a tecnologia da informação sozinha não vai aliviá-la. Mas a minha critica tem muitos outros níveis. Alguns têm haver com o fato de que tentamos encarar a internet como uma força histórica única, como a imprensa, que ela vai transformar o mundo de uma forma unidirecional e coerente. Haveria mais democratização, mais acesso a ferramentas, a conhecimento, dará mais poder ao indivíduo, e acho que devemos ter cuidado com essas conclusões radicais, particularmente com a coerência dos efeitos que vemos. Muitas vezes esses efeitos não são nada coerentes. Em muitos casos, a tecnologia para descentralização que veneramos acabam aumentando o poder a agentes já centralizados. Nos anos 1970, quando o Vale do Silício estava superempolgado com o computador pessoal, eles achavam que, conforme nos afastássemos daqueles computadores imensos que ocupavam um andar inteiro e passássemos para itens mais pessoais, as pessoas teriam mais poder. Até certo ponto isso aconteceu, mas o que eles erraram foi que dados e informações se tornaram extremamente importante, e apesar de carregarmos computadores pessoais no bolso, ainda são servidores centralizados em algum lugar da Califórnia que definem a nossa vida. Portanto, temos a centralização e a descentralização acontecendo ao mesmo tempo. Temos de ser capazes de definir essas tendências simultaneamente e não cair numa forma de pensamento simplista. Meu medo quando escrevi meu primeiro livro há muitos anos era que, a menos que tomássemos medidas drásticas, principalmente para restringir a expansão dos equipamentos de vigilância que são fabricados pelas mesmas empresas do Vale do Silício, se não restringíssemos isso, muitas dessas ferramentas se tornariam ainda menos libertadoras do que imaginávamos, elas se tornariam ferramentas poderosas de opressão e não de emancipação. E acho que isso aconteceu em vários países.

Jorge Pontual — Agora que aconteceu o escândalo da NSA, com as revelações de Snowden, o Brasil está pensando em ter uma internet controlada. Isso é viável, faz sentido? Como as revelações de Snowden atingiram as teorias sobre a internet, principalmente no seu caso?
Evgeny Morozov — Uma das ideias mais polêmicas do meu segundo livro, que gerou muitas criticas, foi a tese provocadora de que a internet não existe. O que eu quis dizer é que não há coerência. Precisamos ser capazes de distinguir as redes físicas dos serviços que rodam nelas. Todos rodam em lógicas diferentes e são sujeitos a regimes econômicos e políticos. Precisamos ser muito cuidadosos, e não querer tudo isso junto, porque ficamos de mãos atadas na hora de formular diretrizes. Não vejo problema em tentar descobrir como podemos cabear de forma diferente, como mudar essa parte da infraestrutura, porque não acho que isso vá prejudicar a causa da liberdade de expressão. Não gosto da expressão “liberdade da internet”, mas isso não significa que não devamos nos preocupar com o estado da liberdade de expressão, ou com a habilidade de um governo abusar desse poder. E há certas decisões, como tentar maximizar a soberania dos governos em relação à informação, que é uma expressão popular hoje em dia. Isso precisa ser entendido e traduzido em diretrizes. É por isso que acho que toda essa retórica sobre o temor da balcanização da internet é pura propaganda do Vale do Silício. Eles acham que se você mexer no serviço on-line, isso automaticamente destruirá a internet, ela quebrará. E esse é o tipo de retórica que nos deixa de mãos atadas, pois não estamos pensando em termos institucionais, como deveríamos, então o desafio é descobrir como continuar experimentando com infraestrutura, serviços, software e hardware sem que nos digam que, se mexermos em alguma coisa, todo um império ruirá. Se é tão poderoso, como é tão frágil?

Jorge Pontual — Em seu artigo sobre a questão da NSA, você desenvolve a ideia de que estamos indo na direção de um desastre, ou apocalipse, da informação, assim como estamos indo na direção de um desastre energético com o aquecimento global, porque usamos energia sem nos importar com seu custo. Fale sobre essa ideia.
Evgeny Morozov — Parte da minha análise sobre as denúncias de Snowden é que estamos conduzindo o debate em termos muito limitados. Só falamos no lado legal e no lado tecnológico da coisa, e os geeks dizem que podem construir ferramentas maravilhosas para nos proteger, e os políticos nos dizem que há buracos nas leis que precisam ser fechados. Ambos os grupos, de geeks e de políticos, dizem que é apenas um problema de abuso, que pode ser consertado com a tecnologia. Precisamos ter uma estrutura intelectual muito ampla para analisar isso, porque precisamos encarar as questões de capitalismo, de consumo, de como no futuro pagaremos pelas coisas do dia a dia, e pagaremos por ela com nossos dados. A minha expectativa é que em 5 ou 10 anos, muitos dos objetos que temos em casa serão de graça, mas terão sensores que coletarão dados de consumo, e pagaremos por esses dados. Todos esses dados tornam-se ativos, tornam-se mercadorias, então precisamos entender as implicações políticas disso para a democracia, e acho que serão imensas, porque a minha decisão de gravar algo particular e compartilhar esses dados para obter algum beneficio terá, direta ou indiretamente, impacto em você, porque as instituições também mudarão seu funcionamento. Se você se recusa a se monitorar, elas acharão que tem algo a esconder. Esse é o tipo de consequência indireta que deve ser discutida no campo da ética e da moral, não do mercado. Portanto, eu devo ser capaz de decidir se quero compartilhar meus dados, mesmo sem ganhar nada com isso, se isso tiver consequências políticas e morais. Essa é a camada ética e moral que sequer articulamos hoje. Por isso fiz a comparação com o movimento verde, porque era assim que encarávamos a energia: achávamos que ela era abundante, que não precisávamos nos preocupar com a luz acessa desde que pudéssemos pagar. Só não nos preocupávamos porque nosso modelo econômico não previa o desastre em potencial. Agora desenvolvemos, em parte graças ao movimento verde, essa camada extra de pensamento que enfrenta as consequências éticas e morais de nossa decisão de deixar a luz acessa. E precisamos descobrir como desenvolver uma estrutura ética similar para lidar com a informação com mercadoria, pois não sabemos lhe dar o preço correto porque não sabemos nem o papel que a informação e os dados têm na democracia, esse é o problema. Com a energia foi mais simples. 

Jorge Pontual — Mas isso seria uma decisão individual ou da sociedade?
Evgeny Morozov — Acho que não seriamos capazes de solucionar todas essas questões no nível individual, mas isso não significa que não devamos discutir a política e a ética do uso de dados. Os dados são essenciais para as políticas públicas, mas também são essenciais para essas start-ups que criam serviços a partir deles, e nós temos que ser capazes de, por um lado, fazer algo em relação aos formuladores de diretrizes, que hoje preferem lidar com os sintomas do problema, porque têm dados suficientes. Pense em como lidamos com o problema do terrorismo nos EUA: hoje, a forma de resolver o problema do terrorismo nos EUA é estudar tudo que podemos sobre os jovens do lêmen para garantir que os mais problemáticos não embarquem em aviões. É assim que combatemos o terrorismo, e não questionando porque esses jovens se radicalizam. Talvez descobríssemos que essa radicalização tem a ver com nosso uso de drones no lêmem para perseguir os pais deles. Esse é o tipo de problema estrutural que se torna difícil de encarar quando você foca no que é de fácil solução. Isso acontece porque você tem dados para isso. Pode identificar todos os sintomas sem resolver as causas estruturais do problema. É isso que me incomoda tanto. Para os militares, por exemplo, o ambiente atual é perfeito, porque permite que se perpetue o que eles fazem sem que nada mude. 

Jorge Pontual — E por trás disso está a atitude que você menciona: a inovação é aceita como algo necessariamente bom e inevitável. Essa ideia de que a inovação é sempre positiva.
Evgeny Morozov — A inovação é a nova política. Não conseguimos mais discutir política, não conseguimos nos unir enquanto sociedade para discutir como devemos viver juntos, o que precisa mudar, quando devemos parar, quem deve sofrer. Em vez disso, nos escondemos nessa linguagem apolítica da inovação, que diz: “Vamos construir mais coisas, e essas coisas estarão disponíveis a todos.” Nem precisamos mais pensar na distribuição. Então, a maior preocupação política, que esteve sempre em discussão desde a filosofia antiga, sempre foi a distribuição. Agora temos esses gurus do Vale do Silício publicando livros com títulos como “Abundância”. Eles acham que podem transcender totalmente a política tradicional e construir apps, carros, smart glasses e ferramentas o bastante que tornarão a questão de distribuição irrelevante. Acho que é um conto de fadas que atrai muita gente porque passa uma mensagem muito animadora que, de alguma forma a história acabou e agora a tecnologia fará o que a política não conseguiu. 

Jorge Pontual — Na economia, essa ideia levou a crise de 2008. Qual é esse desastre da informação do qual você fala?
Evgeny Morozov — O desastre da informação é o colapso da política democrática conforme entramos em uma era na qual os tecnocratas podem otimizar e solucionar todos os problemas armados com dados por um lado, mas também com infraestrutura tecnológica interativa para que os cidadãos façam o que têm de fazer. Para dar um exemplo, aqui nos EUA há muito fascínio pela economia behaviorista e pelo “nudging”. Muitos formuladores de diretrizes em Washington querem estimular os cidadãos a fazerem coisas que eles não fariam. Tendemos a achar que há muitos obesos nos EUA não porque há problemas ligados ao poder da indústria de alimentos, porque ela é pouco regulamentada ou porque há falta de infraestrutura para as pessoas se exercitarem, mas porque as pessoas são burras e tomam decisões estúpidas. Como resolvemos o problema? Tentamos fazer com que elas tomem menos decisões estúpidas. Pense no papel que nossa infraestrutura tecnológica tem nisso. Seu smartphone monitora tudo que você faz, mas ele também tem uma tela e se conecta à Internet, então influencia seu comportamento mandando você se exercitar mais, comer menos, ir para tal lugar e não para outro. E essa nova infraestrutura privada para solução de problemas é acessada por formuladores de diretrizes, não só nos EUA como também no Reino Unido, que estão fascinados pela forma de tornar o estímulo mais tecnológico. Para mim isso já significa a morte da política, porque estamos basicamente deixando a solução dos problemas nos ombros dos cidadãos em vez de pensar em como solucionar a falta de infraestrutura no poder das empresas e no poder de Wall Street. Estamos dizendo que tudo o que está errado na sua vida é culpa sua, mas agora há uma variedade de apps para ajudá-lo. Ache os apps certos, instale-os e abrace está lógica. Para mim, isso já é o desastre da informação, porque significa que só podemos dizer as pessoas que elas estão sozinhas. “Se virem.” Não sei se quero um futuro assim, e o papel que o Vale do Silício e a infraestrutura tecnológica têm nisso, para mim, é muito perturbador, porque tudo nos é apresentado como um esforço para melhorar a nossa vida, melhorar nossa tomada de decisões. Tudo nos é servido com essa retórica de nos dar poder. Precisamos ter acesso aos dados de nosso genoma, precisamos ter acesso a outros tipos de dados, porque isso é ter liberdade, é ter poder, mas, quando temos acesso ao nosso genoma, nos dizem: “Devia ter tomado uma atitude com relação a esse risco de câncer. Por que não fez nada?” Quando a conversa é essa, tudo se torna uma responsabilidade individual. Deixa de ser uma questão de saúde pública, de reforma pública. E o desaparecimento do “público” como forma de encarar problemas me assusta muito, porque tudo fica disfarçado nessa linguagem de empoderamento via ferramentas. O acesso a ferramentas é o mantra. 

Jorge Pontual — Qual é a forma política de lidar com isso? Partidos como o Pirata da Alemanha seria uma forma?
Evgeny Morozov — Não acho que os piratas estejam agindo corretamente. Eles caíram na mesma armadilha. O problema é que os piratas na Europa também estão perseguindo deuses fantasmas como a liberdade na internet. 

Jorge Pontual — Fale dos piratas.
Evgeny Morozov — O partido pirata é um novo movimento político que surgiu na Suécia, mas que se espalhou pela Europa e por núcleos menores fora da Europa. Eles conquistaram assentos no Parlamento Europeu, em parlamentos regionais na Alemanha e na Suécia e havia muita expectativa em relação ao Parlamento Alemão, mas eles perderam as eleições porque as pessoas estão perdendo o interesse neles. O caso Snowden deveria atrair atenção para eles, mas não ajudou. 

Jorge Pontual — Mas eles discutem as mesmas questões.
Evgeny Morozov — Não. Eles não pensam politicamente, esse é o problema deles. Só pensam na questão digital, no futuro da internet, da liberdade, e é uma visão muito apolítica para um movimento assim. Acho que um movimento assim, que eu aponto como salvador em potencial do apocalipse da informação, tem de ser capaz de discutir política e começar com a pergunta básica: como preservar a liberdade e a democracia, e só depois passar para o nível tecnológico e pensar em como a questão da liberdade e da democracia se traduz em objetos, redes, protocolos, aplicações etc. O Partido Pirata começou pelo oposto: ele diz que quer preservar a liberdade tecnológica. “Vamos lá. Queremos proteger a liberdade da internet.” Mas não sabe o que liberdade da Internet significa. Muitas vezes é só um rótulo que o Vale do Silício usa para que ninguém a regulamente, porque ninguém vai querer restringir a liberdade na Internet, mas, além disso, a conexão com a liberdade real não é óbvia, e parte do meu argumento, no meu primeiro livro é que é possível ter muita liberdade na internet num país como a Bielorússia ou a Rússia, que não censuram a internet como a China, e ainda assim não ter liberdade. Este é o paradoxo: a liberdade na internet não se traduz em liberdade. Parte da minha crítica a esses movimentos sociais emergentes é que eles precisam aprender a fazer política, precisam aprender a identificar como as questões se tornam importantes, precisam entender a diferença entre encarar os problemas individual e publicamente, precisam entender que há limitações e poderes estruturais que precisam ser encarados. Não se trata só de oferecer mais informação. Eles precisam saber discutir sobre dinheiro e sobre questões financeiras, de capital... A menos que tenham uma formação mais ampla, o esforço pode estar condenado. 

Jorge Pontual — Com diz em seu livro, a internet é só uma consequência, não é a causa de nada.
Evgeny Morozov — Exatamente. E acho que isso é o perigo desses conceitos: as pessoas acham que a internet é uma coisa que caiu do céu, que foi inventada, descoberta, e não tem nada haver com esforços anteriores, e essa lógica é enganosa, porque até uma ferramenta de busca como o Google pode parecer revolucionária, mas os conceitos básicos nos quais o Google se baseia tem a ver com ciência da informação e biblioteconomia por um lado, mas também com algo chamado cientometria, que é usada para rastrear quem cita quem em trabalhos acadêmicos. E isso existe já há algum tempo. Tendemos a nos esquecer disso e achamos que foi a Internet que nos deu o Google. 

Jorge Pontual — Para terminar, por trás disso tudo está a ideia que você cita no livro de acharmos que a tecnologia nos faz perfeitos. Mas nos fazer perfeito não é algo sequer desejável, porque nós somos imperfeitos. Desenvolva essa ideia.
Evgeny Morozov — Parte da minha critica é que devemos defender a imperfeição, devemos entender quanta imperfeição queremos ter em nossas instituições, quanta imperfeição queremos ter na nossa vida e só então descobrir como a tecnologia pode nos ajudar a lidar com a reforma dessas instituições e da nossa vida. Não podemos achar que só porque gravamos tudo e tornamos tudo mais transparente, eliminando a hipocrisia, a ambiguidade, a mentira da política ou de nossas vidas, necessariamente viveremos num mundo melhor. Acho que essa é a presunção de muitos no Vale do Silício. Acha que se criarem um app que lhe dirá quando seu amigo mentir, você terá muito mais amigos ou amigos melhores. Eu acho essa a ideia mais ridícula. Nós precisamos de um pouco de prevaricação e da habilidade de esconder coisas para cultivar relacionamentos ricos e significativos. Senão acabamos em um lugar tirânico e atrasado, do qual a modernidade deveria nos ajudar a escapar.

Revista Consultor Jurídico, 31 de março de 2014, 16h50

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 08/04/2014.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.