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Arte proibida

OAB-SP pede que quadro com escravo seja retirado de fórum

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A Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo pediu que um quadro que retrata um escravo negro amarrado a um tronco seja retirado do Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. Segundo a entidade, o quadro “não reflete a condição atual da população negra” e reforça estereótipos e o preconceito “enrustido em muitas pessoas, que, ainda nos dias atuais, têm a ousadia de se referir ao negro ou negra afirmando ‘vou te colocar no tronco’”.

A entidade afirma que não há interesse em dar visibilidade à escravidão, pois ela “não é construtiva”, uma vez que vem sendo desenvolvido um trabalho de mostrar que a população negra, apesar das diferenças e desigualdade de oportunidade, “vem superando essa fase horrorosa da história”.

O ofício pedindo a retirada da obra de arte do Fórum Criminal Ministro Mario Guimarães é assinado pela presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-SP, Carmen Dora de Freitas Ferreira. O documento foi enviado para a Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de São Paulo (Acrimesp), que mantém no fórum o espaço Waldir Troncoso Peres, onde o quadro está exposto.

Segundo Carmen Ferreira, o motivo do pedido foi ela ter recebido diversas ligações de cidadãos reclamando que o quadro exposto retrata o negro de maneira depreciativa e faz apologia à escravidão. A advogada faz coro às reclamações. “Por que não colocam um quadro com um negro médico ou artista? Todo mundo está cansado de saber a história que o opressor escreveu”, diz.

A obra de arte, diz ela, está relembrando um sofrimento que foi imposto e contra o qual os negros sempre se rebelaram, “por isso eram açoitados e mutilados”. Agora, diz ela, é o momento das políticas afirmativas, do resgate da cidadania e do respeito que foram negados aos negros que chegaram no Brasil.

História e arte
A Acrimesp diz que vai substituir o quadro por uma obra que “retrate o negro de forma positiva”, mas considera o pedido “um disparate, totalmente sem fundamento e que busca, sobretudo, esconder nossa história”. Em ofício, o presidente da entidade, Ademar Gomes, afirma que o tráfico de escravos e os horrores que essa população sofreu nos tempos coloniais e do Império são parte da história do Brasil. “Negar essa realidade é esconder nossa própria história”, diz.

Gomes cita o pintor Jean-Baptiste Debret, que registrou os diferentes momentos da escravidão no Brasil ao longo do século XIX, como a tortura sofrida pelos escravos, no quadro Pelourinho (foto), no qual a obra em exposição no fórum paulista foi inspirada.

A obra de Debret “constitui um dos mais importantes registros iconográficos da escravidão no Brasil, uma época que certamente não queremos reviver”, aponta, antes de questionar: "Há como esconder o trabalho de Debret?"

A Acrimesp cita também autores como Castro Alves, Machado de Assis, Lima Barreto, Monteiro Lobato, entre outros, que retrataram a vida dos negros durante a escravidão ou situações de racismo e preconceito após a abolição. Segundo a entidade, se pedidos como o feito pela Comissão de Igualdade Racial da OAB-SP prosperarem, “nossos livros de História do Brasil deverão ser revistos, suprimidos os episódios em que negros escravos eram humilhados, torturados, amarrados ao poste e mortos, já que todos seriam politicamente incorretos”.

Clique aqui para ler o ofício enviado pela OAB-SP e aqui para ler a resposta Acrimesp.

 é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 13 de março de 2014, 18h56

Comentários de leitores

61 comentários

escravidão

ivadv (Advogado Autônomo - Criminal)

Concordo em genero, numero e grau, quando dizem que o brasileiro tem memória curta, ou nenhuma, no que se refere a nossa história, ao nosso passado, no que ocorreu de bom e de vergonhoso e, em assim sendo, se prefere sofrer de "amnésia" e lembrar apenas da copa do mundo, do Rei Pelé, dos famosos do Futebol, das Corridas de Automóveis, etc, como se vivessemos em um mar de rosas, que ninguem estivesse passando fome, dormindo ao relento, crianças esmolando nos farois ao invés de ocuparem os bancos escolares. Me entristeço ao passar nas proximidades das Facudades e notar os "barzinhos" abarrotados de estudantes, com garrafas de cervejas ou outras bebidas, bebendo diretamente no gargalo e cigarro na mão, quando deveriam estar na aula e indago: qual o futuro do Brasil?
Mas o passado não pode ser mudado - seja ele bom ou ruim, elogiável ou vergonhoso - ELE ESTÁ AÍ e fa\z parte da nossa historia, como por exemplo, apesar de toda violência, reclamada pela população, estamos diante do fechamento do 36º Distrito Policial - V. Mariana, por estar situado no mesmo terreno onde em épocas passadas funcionou o DOI-CODI

A história,não se apaga!

Neli (Procurador do Município)

A história,não se apaga!Uma obra de arte sim. Infelicidade da OAB,até parece que o Brasil vive num Mar de Rosas. Hoje em dia, a situação está ruim,pela insegurança pública, pelos milhares de drogados que estão na rua da Amargura ,13;pelas milhares de pessoas que moram nas ruas, e a OAB se preocupando com uma obra de arte do século retrasado?Ah, poupe-nos, tente corrigir os problemas de hoje,onde os constituintes de 1988 alçaram bandidos comuns à condição de cidadão(a única no Planeta e colocar essa heresia),e a OAB se preocupando com um quadro do século retrasado?Poupe-nos! A OAB deveria pegar como tema a heresia ao bolso do contribuinte:um senador(deputado ou vereador), eleito para o Legislativo, vai ser subordinado do Executivo(ministro ou secretário), entra o suplente e os contribuintes pagam dois salários,ao político que foi ser subalterno do Executivo e ao suplente.E a OAB se preocupando com um quadro que retratou a sociedade no século XIX?Quanta falta do que fazer,colega!

"Um quadro que retrata um escravo negro amarrado a umtronco

prjccb1949 (Advogado Autônomo - Propriedade Intelectual)

Mais relevante que retirar o quadro de um negro amarrado a um tronco no Fórum da Barra Funda São Paulo, é retirar do quadro de "tratamento desumano e degradante" o(s) bacharel (eis) encontrados algemados nos autos do Recurso Especial 603.530 no STF. Onde apenas UM MINISTRO considera-os impedidos de advogar até "façam o exame de ordem" Exigência inconstitucional aplicada na LEI 8.906/94
Enquanto a voz dos ministros no PLENÁRIO do STF manter silêncio sobre a fala naquele VOTO ISOLADO do Ministro Marco Aurélio o EXAME é sim INCONSTITUCIONAL.
Absurdo se o PLENÁRIO acolher o voto favorável ao exame de ordem.
ACORDA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL. SECCIONAL DE SÃO PAULO.
REFLITAM
SOBRE a escravidão do bacharel.
Pena, no entanto que RUI BARBOSA não esteja no mundo dos viventes. Se aqui estivesse jamais a lei de escravidão 8905/94 teria vigência...
"Salve lindo pendão da esperança. Salve símbolo augusto da paz!
Presidente de Honra do MNBD em São Paulo desde 2012
João Ribeiro Padilha
14.03.2014 sexta feira as 20h14

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