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Risco da atividade

Clube de futebol tem responsabilidade por lesão de jogador

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O Joinville Esporte Clube foi condenado pela 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho a pagar R$ 100 mil de indenização por danos morais e materiais a um jogador lesionado durante partida, o que o incapacitou para continuar a carreira como atleta profissional. De acordo com o relator, ministro Walmir Oliveira da Costa, o esporte é uma atividade que implica risco, por isso, incide a responsabilidade objetiva prevista no Código Civil, segundo o qual, haverá obrigação de reparar o dano independentemente de culpa.

“Na prática desportiva, o risco de lesões a que submetido o atleta profissional é tão expressivo que o legislador ordinário passou a exigir que o respectivo clube empregador contrate seguro de vida e de acidentes pessoais, com o objetivo, expresso, de ‘cobrir os riscos a que eles estão sujeitos’”, observou o ministro.

A lei 9.615/98 (que institui normas gerais sobre desporto) diz que são deveres da entidade de prática desportiva empregadora, em especial, submeter os atletas profissionais aos exames médicos e clínicos necessários à prática desportiva, e contratar seguro de vida e de acidentes pessoais, vinculado à atividade desportiva, para os atletas profissionais, com o objetivo de cobrir os riscos a que eles estão sujeitos.

A decisão da 1ª Turma do TST reformou decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (SC), que havia inocentado o clube por considerar que não houve culpa do empregador. Entretanto, de acordo com a decisão do TST, no caso se aplica o artigo 927 do Código Civil, que afasta o elemento da culpa do ofensor.

“É fato público e notório que a competitividade e o desgaste físico, inerentes à prática desportiva, constituem fatores que podem desvalorizar o atleta que sofrer lesões nos treinos ou nas partidas de futebol, decorrendo, daí, o correspondente dever de o clube empregador indenizar os danos morais e materiais sofridos pelo atleta”, complementou o ministro Walmir Oliveira.

Imagem
Na mesma ação, o TST reconheceu a natureza salarial do direito de imagem recebidos pelo jogador. O advogado do atleta, Fabrício Trindade de Sousa, do Corrêa da Veiga Advogados, sustentou que, apesar de ser permitido firmar um contrato de natureza civil para cessão do uso de imagem com o clube empregador, no presente caso o referido contrato se tratava de uma fraude para mascarar o pagamento de parcela de natureza salarial, pois o contrato não continha elementos básicos, como por exemplo, delimitação da área de atuação, campanhas publicitárias e tempo de duração.

De acordo com o ministro Walmir Oliveira a jurisprudência do TST firmou-se no sentido de reconhecer que a natureza jurídica salarial do direito de imagem, “sendo uma das formas de remunerar as atividades do atleta profissional, uma vez que decorre do próprio contrato de trabalho, razão pela qual, o pagamento dos serviços por terceiros, que exploram a imagem do jogador, à semelhança do que ocorre com as gorjetas, deve ser integrada à remuneração para todos os efeitos”.

Clique aqui para ler a decisão.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 7 de março de 2014, 16h39

Comentários de leitores

2 comentários

Essa é uma das decisões mais ridículas que já li (1)

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

A tomar esse precedente, o lutador de boxe, de MMA, de judô, de karatê, o voador de asa delta, o corredor de Fórmula Um, etc., todos poderão obter reparação por danos morais fundado na “responsabilidade objetiva” de quem aceitou contratá-lo ou da academia que ele escolheu para treinar e o inscreveu para representá-la numa competição, caso sofra um acidente que inere aos riscos da atividade praticada pelo sujeito, não de quem o contratou.
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Isso é simplesmente RIDÍCULO!!!!!!!!!
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Agora, o que mais impressiona é que para um jogador de futebol, cuja atividade implica riscos de lesão (a menos que nenhum outro jogador praticasse faltas na peleja), desde a mais leve até as mais graves que podem retirá-lo da profissão para sempre, essa justicinha “Mandrake” concedeu uma indenização de R$100 mil contra o clube. Já para pessoas que foram arbitrariamente despedidas de seus empregos por motivação política (refiro-me aos funcionários demitidos pelo governo Collor de Mello das empresas estatais extintas como a Interbrás, Petromisa etc.) e enfrentaram uma via-crúcis por mais de 15 anos até que essa demissão, considerada por lei federal inconstitucional e ilegal, mas revogada na prática por decreto do governo FHC, fosse revista e pudessem retomar suas atividades laborais nas empresas sucessoras, a estes essa mesma justicinha tupiniquim, “Mandrake”, “Abracadabra”, ardilosa, cheia de truques e meneios, tem sistematicamente negado a devida indenização pelos danos materiais e morais que tais pessoas sofreram, muitas delas já idosas septuagenárias e octogenárias.
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(CONTINUA)...

Essa é uma das decisões mais ridículas que já li (2)

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

(CONTINUAÇÃO)...
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Realmente, é cada uma que assistimos neste país. A cada dia que passa fico mais convencido de que o sistema faliu e ninguém cultiva mais o menor pudor.
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(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Mestre em Direito pela USP – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br

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