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Nome autoexplicativo

Receber salário e seguro-desemprego é estelionato

Quem recebe seguro-desemprego enquanto está empregado pratica estelionato. O próprio nome do benefício já deixa claro quando ele deve ser pago, afirma decisão da 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que  negou provimento ao recurso de um homem que alegou ausência de dolo na conduta e erro de proibição, por ser pessoa simples e humilde. 

A Turma levou em conta que o próprio réu foi pedir o reconhecimento do seguro na Justiça do Trabalho, ocasião em que a fraude veio à tona. O relator do caso, juiz federal convocado Márcio Mesquita, destacou que a materialidade e a autoria delitivas foram comprovadas pelos documentos relativos ao requerimento do benefício, declarações prestadas pelo réu e pela testemunha, bem como cópia da Reclamação Trabalhista, na qual foi reconhecido o vínculo empregatício do réu.

Mesquita citou, ainda, entendimento do desembargador federal Johonsom di Salvo, no sentido de que "o próprio nome do benefício, Seguro-Desemprego, dirime qualquer dúvida acerca de seu propósito, a situação de desemprego, não sendo crível que a pessoa, por mais iletrada que seja, desconheça a ilicitude do ato de requerê-lo após a reinserção no mercado de trabalho".

A pena foi fixada em um ano e quatro meses de reclusão, no regime inicial aberto, e pagamento 13 dias-multa no valor unitário mínimo, substituída por duas restritivas de direitos. A prestação pecuniária, substitutiva da pena privativa de liberdade, deve ser revertida em favor da entidade lesada com a ação criminosa, nos termos do artigo 45, parágrafo 1° do Código Penal, no caso, a União Federal. Com informações da Assessoria de Imprensa do TRF-3.

Revista Consultor Jurídico, 4 de março de 2014, 13h17

Comentários de leitores

6 comentários

o "crime" do seguro-desemprego

Marisa Vitale (Advogado Autônomo - Civil)

Tornou-se prática recorrente o acordo feito entre empregador e empregado no sentido de protelar o registro em carteira para que o trabalhador continue recebendo o seguro-desemprego. O trabalhador não entende que esta prática é errada, mas, sim, que o seguro-desemprego é um direito, e por consequência, não seria sensato abrir mão dele. Ademais, o "crime" é acordado com o empregador, que também se beneficia com a prática, e que dá um ar de legitimidade ao ato. Repudiamos a decisão do Tribunal e afirmamos que o verdadeiro crime aqui é a criminalização da prática, o que demonstra mais uma vez para que serve a Justiça: punir os pobres e proteger os ricos.

Processo

Aboud (Advogado Assalariado - Trabalhista)

Qual é o numero deste processo?

existem duas situações diferentes.

Bellbird (Funcionário público)

Um caso é quando a pessoa fica desempregada involuntariamente, requer o benefício e depois consegue um emprego sem carteira assinada, recebendo, assim, o benefício e o salario.
Outra é quando a pessoa já tem o emprego sem carteira e vai requerer o benefício. Acho que o estelionato só se enquadra neste caso.

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