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Comentários de leitores

8 comentários

"Faltou combinar com os russos" (III)

L.F.V., LL.M (Advogado Assalariado - Tributária)

Igualmente despiciendo impugnar fontes aprioristicamente quando se trazem à baila fatos, como a natureza das propostas de Piketty (na pena do próprio) ou a fraude em seus dados (mediante remessa a fontes primárias).
De fatos dados não é possível discordar: sua única refutação é a falsidade. Todo o material cuja leitura indiquei, exempli gratia, limita-se à transcrição literal de inteiros parágrafos do próprio Piketty, em sua única e notável obra, e do apontamento de erros FACTUAIS de proporções acachapantes. Sopesar o mérito residual do autor após o confronto fático é encargo exclusivo dos leitores. O próprio colega reconhece (e mencionamos aqui o Financial Times) que diagnósticos equivalentes foram apontados em diversos outros veículos, pelo que o ponto me parece um falso problema.
Peço escusas pela prolixidade, mas é da natureza das impugnações requerer maior esforço que as afirmações. Encerro reiterando a recomendação do debate gravado entre os Ph.D's Thomas Wooods e Robert Murtphy, pois muito esclarecedor sobre os pontos mais técnicos da querela.

"Faltou combinar com os russos" (II)

L.F.V., LL.M (Advogado Assalariado - Tributária)

Não me apetecem as disputas sobre gostos e palavras, que em nosso ambiente soem tratar-se de simples rótulos a fim de impugnar o debate. Acontece que a política, problema fundamental a versar sobre a melhor disposição das coisas externas ao homem mesmo com vistas à sua realização integral (como evoca Aristóteles) não morreu nos anos 1990. E, como se vê, não morreram sequer os agentes e as ideias dos anos 1990. Assim, é vão culpar-nos por seguir contestando do mesmo modo as mesmas afirmações que se seguem apresentando desde então - pois são as mesmas, e o próprio autor faz questão de reputar-se à tradição que lhe interessa já no título de usa "opus magna".
Cumpre esclarecer, entretanto, que deixo por conta do colega reputar maniqueísmo nas objeções levantadas contra o autor. Não se o contesta por questão de rótulo, gosto, cor ou opinião, mas porque as propostas de Piketty enquadram-se objetivamente naquilo que se define por socialismo em política: a concentração progressiva de poder político e econômico em um único agente, o Estado, até a absoluta confusão entre ambos. O entrevistado, naquilo que postula em concreto, apresenta exatamente essa posologia por finalidade. Se a uma tal tendência se conhecesse por "elefantismo", Piketty seria um elefantista. Conhece-se - demonstram-no gigantes da CIÊNCIA como Böhm-Bawerk, Hayek e Mises - como socialismo. Ergo, encontramo-nos diante de um socialista (e que seja encampado pelo PARTIDO SOCIALISTA francês não é miragem nossa).

"Faltou combinar com os russos" (I)

L.F.V., LL.M (Advogado Assalariado - Tributária)

Ao prezado colega Guilherme Marques, não lhe soa extemporâneo, em nossa década, reafirmar aquele prognóstico peremptório de Fukuyama no fervilhar dos anos 1990? Não tardou, afinal, para que o transcurso dos dias demonstrasse precipitada a ideia de que a derrocada de um signo - o Estado Soviético - implicasse o automático desaparecimento de seu significado. Quanto mais no caso concreto, quando o objeto em relevo definia a si próprio como doutrina internacional de fim pós-nacional, e o que ruiu foi um... Estado nacional, meramente instrumental e acidental ao projeto de poder que o precedia e, soube-se sempre, o dispensava. Sequer houve um Nuremberg soviético, tampouco campanhas de "descomunização" análogas à desnazificação alemã, e todos os operadores daquele sistema de poder em seus países origináarios seguiram em seus respectivos postos na administração púbica e - agora - privada, bem como na academia, da mesma forma como seus incontáveis correspondentes e simpatizantes no exterior.
Veja-se que, a fim de lhe responder, desvio-me em muito do foco. Afinal, o colega indica como marco da doxa contemporânea a derrocada do "socialismo real", identificado com o modelo soviético. Mas, em meus estudos, tenho por socialismo bem outra coisa, vinculada estreitamente ao fabianismo britânico em economia e aos psico-sociologismos de Frankfurt, que não acompanharam o modelo russo senão por projeção
Efetivamente não o sucedeu: os que decretaram a abolição das ideologias esqueceram-se de o combinar com os ideólogos, e estes seguem a pautar as condutas das nações. Estamos, afinal, cercados por demonstrações radicais de que o século XX (quando não o XIX) não morreu, a ver o que se passa nas vizinhas Venezuela e Argentina. Eis o plano de fundo para nosso debate.

Aos colegas Leonardo Faccioni e Bernardo Alencar

Guilherme Marques. (Outros)

O mundo não é mais dividido entre capitalismo e comunismo, por favor, cuidado com extremismos e lógica binária, já de há muito extinta na política. Não é mais "nós contra eles", "bons contra maus", etc. Aliás, o próprio Piketty ressalva e ressalta muitas vezes no seu livro e em entrevistas que sua tese não é anticapitalista, não é socialista, não é comunista... Então por que insistir em chamá-lo dessas coisas? (É uma pergunta retórica, sei que é por causa da infeliz lógica binária).
Não digo que ele está com a razão quando afirma o que afirma no livro. Estou o lendo e estou gostando, apenas. Mas uma coisa é fato: a "empreitada" é ambiciosa, pois baseada em diversas estatísticas históricas, mais do que se pode dizer do que Marx, Adam Smith e vários outros (inclusive os economistas de Viena) fizeram, pois estes haviam se baseado mais em lógica indutiva do que dedutiva, e firmavam-se mais na argumentação do que na constatação, até porque não dispunham de tantos dados e da facilidade para calculá-los como Piketty, hoje, dispõe.
Repito: se há alguma coisa que Piketty não é, é anticapitalista ou "comunista". Bem longe disso, sua tese é capitalista na essência. Tanto é que muitos da esquerda também rebatem o dito pelo francês. Não é porque ele não defende o laissez faire total(itário) que ele não é capitalista, não confundamos as coisas. Portanto, sem ataques à pessoa, ele não é "vigarista para ser adorado no Brasil", não é um coletivista, NÃO É SOCIALISTA.
E agradeceria fontes que rebatessem Piketty e não fossem do Mises, por favor. Aquele site é tão tendencioso quanto Carta Capital, Brasil247 e outros da "esquerda", mas tendencioso para a "direita".

Uma análise em detalhes (vídeo)

L.F.V., LL.M (Advogado Assalariado - Tributária)

Aos colegas conjurianos que, tendo sobre a língua inglesa um bom domínio, desejarem uma mais detalhada análise da exposição de Piketty, o link seguinte traz quase uma hora de áudio durante a qual dois respeitáveis Ph.D's da área (Thomas E. Woods, Jr. e Robert Murphy) debruçam-se sobre teses, dados e circunstâncias da abordagem que elevou o autor francês.
Eis: https://www.youtube.com/watch?v=aL90pISm7Y8

A doxa dispensa provas: convence porque convém.

L.F.V., LL.M (Advogado Assalariado - Tributária)

Sejamos sinceros: se a tese de Piketty não alimentasse tão gostosamente a doxa que interessa aos poderosos de turno - se suas conclusões, gratia argumentandi, fossem diametralmente opostas àquelas que lhe vêm rendendo tão galharda fama -, as dimensões dos furos já atestados em seu livro por muito menos lhe teriam assegurado epíteto de louco, extremista, fanático ou palhaço, finalmente banido dos meios acadêmicos formais. Tintas fortes, sem dúvida, mas é com essas exatas cores que idênticos formadores de opinião atualmente a incensar como economista isento e respeitável o teórico do imposto de 80% (e de autoridades expropriadoras capazes de editos globais inescapáveis a toda e qualquer autoridade nacional) efetivamente pintam, exempli gratia, um Ron Paul (liderança americana que, examinássemos simplesmente a retórica e desconsiderássemos acuidade ou honestidade, soaria a um leitor menos atento como um Piketty de sinal trocado).
Vê-se logo que as políticas propostas por Piketty, que circulam como panaceia à boca pequena ao menos desde os tempos de H.G. Wells e George Bernard Shaw, não passam de soluções em busca de um problema.

Piketty: um piquete do século XIX

L.F.V., LL.M (Advogado Assalariado - Tributária)

Com a devida vênia, esse sujeito - propagandista do partido socialista francês, e nada além - foi já desmascarado a mais não poder: a petição de princípio da qual sua mais badalada tese depende é equivocada ((vide http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1836), suas conseqüências lógicas, expressas por ele próprio como desejáveis, são do tipo que não se imaginava aceitável para a civilização desde, ao menos, a destruidora colheita das sementes plantadas ao longo da desastrosa década de 1930, quando a defesa dos totalitarismos coletivistas era a última moda na academia e nos cafés da elite bem-pensante (leiam-se as citações textuais daquilo que o ideólogo em tela efetivamente propõe, em http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1872). Finalmente, os muitos números com os quais pretende assegurar aparência de cientificidade a sua lépida retórica são, para dizer o mínimo, improbabilíssimos (v. http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1855 -- o já famoso editorial produzido pelo Financial Times sobre o mesmo tema reserva-lhe adjetivo bem mais severo).
Como se vê, não existem garantias de perpétuo progresso para a escalada do conhecimento humano. Aquelas que se apresentam como "Ideias do [III] Milênio" nada mais são que um requentar de conclusões e métodos fraudulentos, inaugurados por obra propositalmente evocada pelo título do livro do autor, lá em idos do século XIX. Tudo como dantes.
O predecessor de Piketty garantiu cento e vinte milhões de cadáveres civis a fechar com chave rubra o milênio findo.Vamos abrir um novo ciclo de chacinas para impor a absoluta igualdade - a igualdade dos mortos - ao mundo, mais uma vez? Estaria o milênio passado a formar piquete contra o seu tão desejável final, para se estender algumas décadas mais por sobre o novo?

Mais um vigarista para ser adorado no Brasil

BCRAS (Advogado Sócio de Escritório)

É o real detentor da lógica brasileira: “punir o produtivo para premiar o ineficaz”.

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