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Recurso repetitivo

Não cabem honorários em cumprimento provisório de sentença

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por unanimidade de votos, pela impossibilidade de advogados receberem honorários de sucumbência relativos a cumprimento provisório de sentença. O tema foi decidido em julgamento de Recurso Repetitivo, rito previsto no artigo 543-C do Código de Processo Civil (CPC).

O Recurso Especial representativo de controvérsia trata do rompimento, em 2001, de um duto na Serra do Mar que impossibilitou a pesca na região por seis meses. Milhares de processos de indenização se seguiram ao acidente e a Petrobras foi condenada a indenizar vários pescadores paranaenses que trabalhavam nas baías de Antonina e Paranaguá. A empresa entrou na Justiça contra a execução dos honorários requerida pelos advogados dos pescadores.

Paradigma
No caso tratado pela Corte Especial, a Petrobras foi condenada a pagar a indenização a um dos pescadores e a sentença foi mantida pela apelação. O advogado deu início então à execução provisória, solicitando que a Petrobras depositasse o valor da condenação, um total de R$ 3.150, e os honorários arbitrados entre 10% e 20% do valor da causa. O Tribunal de Justiça do Paraná aceitou o pedido de pagamento dos honorários.

Para o ministro Luis Felipe Salomão, relator do processo, o fato de ainda haver possibilidade de recurso impossibilita o pedido. “É descabido o arbitramento de honorários sucumbenciais, em benefício do exequente, na fase de cumprimento provisório de sentença”, afirmou.

Salomão citou decisões relativas à execução provisória e explicou que é entendimento pacífico no STJ a não incidência da multa do artigo 475-J do CPC, aplicada caso não haja pagamento pelo condenado no prazo de 15 dias.

Contradição
Para Salomão, não se pode, portanto, exigir o pagamento voluntário da condenação na fase de execução provisória, pois isto contrariaria o direito de recorrer, tornando prejudicado o recurso do executado. Por essa razão, segundo o relator, seria uma contradição aceitar o arbitramento dos honorários.

Salomão explicou que, se por um lado afasta-se a incidência da multa pelo fato de o devedor provisório não estar obrigado a efetuar o cumprimento voluntário da sentença sujeita a recurso, não é possível condená-lo ao pagamento de honorários na execução provisória exatamente porque não realizou o cumprimento voluntário da mesma sentença.

“Em suma, somente se transcorrido em branco prazo do art. 457-J – que se inicia com o ‘cumpra-se’ aposto depois do trânsito em julgado – sem pagamento voluntário da condenação é que o devedor ensejará instalação da nova fase executória, mostrando-se de rigor, nessa hipótese, o pagamento de novos honorários – distintos daqueles da fase cognitiva – a serem fixados de acordo com o art. 20, § 4º, do CPC”, afirmou o ministro.

Porém, como a promoção da execução provisória é opção do credor, não cabe, neste momento, arbitramento de honorários. “Posteriormente, convertendo-se a execução provisória em definitiva, nada impede que o magistrado proceda o arbitramento dos honorários advocatícios”, concluiu. Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ.

REsp 1.291.736

Revista Consultor Jurídico, 21 de janeiro de 2014, 11h30

Comentários de leitores

3 comentários

Cada caso é um caso.

Michelle Junia Silva Soares (Estudante de Direito)

Cada caso é um caso. Não dá para generalizar. De fato quanto houver o rolezinho com o objetivo de apenas manifestar a vontade de fazer parte, ok. O problema é quando a vontade de manifestar se une a de fazer baderna e criar uma ambiente hostil etc etc. O juízes estão corretos quando estudam o caso, agora se copiam e colam decisão pronta, se são honestos ou não e blá blá blá aí já é outro problema do nosso país !

Pagando o pato

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

E o mais curioso (e fato que poucos compreendem) é que o Brasil acaba sendo o campeão mundial de violação ao direito, na medida em que vão sendo criados, dia a dia, mecanismos visando impedir ou dificultar o exercício da advocacia. O Estado e o poder econômico dão as cartas nesta área, e o cidadão comum, com a ingenuidade do "jeca tatu", paga o pato quando precisa fazer valer seu direito.

Nada pode

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Quer-se no Brasil até mesmo submeter as pessoas à prisão (já cheias até a tampa) mesmo sem trânsito em julgado. Mas quando o assunto é honorários advocatícios nada pode. Qualquer coisa é argumento para impedir o recebimento, sempre com a inércia da OAB.

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