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Movimento islâmico

Turquia destitui 350 policiais de Ancara após investigação

O novo ministro do Interior da Turquia, Efkan Ala, assinou um decreto que destituiu ao menos 350 policiais da capital do país, Ancara, nessa terça-feira (7/1). Entre eles, segundo a BBC, estavam agentes que comandaram uma nova fase da operação anticorrupção contra uma rede de subornos e de manipulação de licitações da empresa pública de ferrovias.

O afastamento aconteceu três semanas após um escândalo de corrupção ter atingido ministros e empresários ligados ao governo turco. Ainda de acordo com a BBC, as demissões parecem ser uma forma de retaliar a prisão, no mês passado, dos filhos de três de seus ministros em uma operação contra corrupção que foi o estopim de uma grave disputa política no país.

Segundo o Estado de S. Paulo, o governo do primeiro-ministro Recep Erdogan afirmou ser alvo de uma conspiração e afastou centenas de chefes de polícia e oficiais desde que as autoridades policiais deram início a ações contra aliados próximos ao premiê, em 17 de dezembro. A investigação levou à detenção de mais de 50 pessoas, entre elas filhos de ministros e o diretor do banco estatal turco Halkbank. Após o escândalo, três ministros se viram forçados a renunciar, e outros dez foram substituídos pelo premiê

Erdogan também se voltou contra o Judiciário. Em uma reviravolta, ele disse que pode apoiar um novo julgamento de centenas de oficiais das Forças Armadas, acadêmicos e jornalistas condenados por conspirar contra o seu governo.
Muitos dos promotores desses casos são os que agora estão por trás das atuais investigações, afirmou a BBC.

Investigação
O Conselho Supremo de Magistratura, órgão responsável por nomear os membros superiores do Judiciário abriu investigação contra o recém-nomeado chefe da polícia de Istambul, Selami Altinok, e quatro procuradores que supervisionaram parte da investigação sobre corrupção de dezembro do ano passado.

Para analistas, de acordo com a Folha de S.Paulo, a destituição de policiais pelo governo tem por objetivo enfraquecer as investigações e a influência do Movimento Gulen, ou Hizmet, dentro do aparelho estatal turco. Acredita-se que boa parte dos integrantes do Judiciário e da polícia turca façam parte desse movimento religioso e social, liderado por Fethullah Gulen, radicado nos EUA desde 1999. O Hizmet nega estar envolvido nas investigações da polícia.

Gulen era aliado do partido governista Justiça e Desenvolvimento, conhecido como AK, mas essa relação veio se deteriorando nos últimos meses. Em novembro, Erdogan anunciou planos de fechar as escolas privadas ligadas ao Hizmet, importante fonte de renda do grupo.

O premiê, que atribui a operação policial deflagrada em dezembro a uma conspiração contra seu governo, controla a política turca há 11 anos. Em março, haverá eleições municipais no país. Em junho de 2013, Erdogan enfrentou uma onda de protestos que questionou sua postura autoritária e teve como epicentro o parque Gezi, em Istambul.

Revista Consultor Jurídico, 8 de janeiro de 2014, 15h14

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