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Natureza alimentar

Honorários podem ser penhorados do salário do devedor

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A impenhorabilidade dos salários, prevista no inciso IV do artigo 649, do Código de Processo Civil, não deve ser tomada ao pé da letra. Antes, precisa ser interpretada em consonância com a sua real finalidade, em atenção ao critério da razoabilidade. Com este entendimento majoritário, a 17ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul acatou recurso que irá permitir o desconto de honorários advocatícios diretamente da folha salarial da parte que perdeu a causa.

A relatora do Agravo de Instrumento, desembargadora Elaine Harzheim Macedo, negou a penhora, com base na literalidade deste dispositivo do CPC, independentemente de a pretensão se fundamentar em créditos que também sejam alimentares — no caso, honorários de sucumbência. A decisão foi tomada na sessão do dia 28 de novembro.

O desembargador Gelson Rolim Stocker, porém, abriu divergência. Responsável por redigir o acórdão, Stocker afirmou que a verba honorária devida ao advogado — tanto a contratual como a de sucumbência — possui natureza alimentar, posicionamento que vem sendo acolhido pelo Superior Tribunal de Justiça.

Para Stocker, a penhora de parte dos valores excepcionalizados pelo dispositivo não só deve ser permitida como vai, exatamente, ao encontro dos princípios que nortearam tanto a limitação da penhora como a sua excepcionalidade — tudo previsto na regra legislativa.

Nesta linha, o magistrado também se socorreu da jurisprudência do STJ. Diz o excerto de ementa da REsp 1326394/SP, relatado pela ministra Nancy Andrighi, em julgamento realizado na sessão do dia 12 de março de 2013:

‘‘(...) A regra do art. 649, IV, do CPC, constitui uma imunidade desarrazoada na espécie. Isso porque: (i) a penhora visa a satisfação de crédito originado da ausência de repasse dos valores que os recorrentes receberam na condição de advogados do recorrido; (ii) a penhora de parcela dos honorários não compromete a subsistência do executado; e (iii) a penhora de dinheiro é o melhor meio para garantir a celeridade e a efetividade da tutela jurisdicional (...)’’.

Clique aqui para ler o acórdão. 

 é correspondente da revista Consultor Jurídico no Rio Grande do Sul.

Revista Consultor Jurídico, 6 de janeiro de 2014, 13h03

Comentários de leitores

2 comentários

Litigantes sem fronteiras.

Bernardo Batista (Advogado Sócio de Escritório - Família)

Realmente é absurda a concessão da justiça gratuita sem critérios, obrigando a parte e seu advogado a provar que o adversário tem sim condições de fazer frente às custas e honorários. Quantos são os casos em que o demandante perde o processo, mas recorre livremente por não ter de pagar as custas.

Revanche

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

O STJ já decidiu pela possibilidade de penhora de salários, pensões e aposentadorias para pagamento de honorários advocatícios, e todos os juízes sabem muito bem disso. Entretanto, como em regra os demandados são beneficiários da justiça gratuitas, eles negam o direito, obrigando o advogado a arcar com custas para interposição de agravo de instrumento, que não são ressarcidas pelo Estado ou pela parte contrária. É a forma que os magistrados encontraram para revanche contra a advocacia, mesmo sabendo que no final das contas o advogado vai receber o que lhe é devido.

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