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Revisão de vencimentos

Julgamento sobre indenização para servidores é suspenso

O julgamento que vai decidir se servidores públicos têm direito a indenização por falta de revisão anual em seus vencimentos foi supenso por pedido de vista do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal. Com repercussão geral reconhecida, o caso foi retomado nesta quinta-feira (3/4) pelo Plenário da corte.

A ministra Cármen Lúcia apresentou seu voto-vista acompanhando o entendimento do relator, ministro Marco Aurélio, que reconheceu o direito dos servidores paulistas à indenização. O ministro Luis Roberto Barroso divergiu dessa posição.

Os autores do recurso afirmam que não buscam obter, na Justiça, qualquer espécie de reajuste ou aumento nos vencimentos, mas apenas indenização pelas perdas inflacionárias sofridas nos últimos anos, por conta da omissão do estado de São Paulo que, desrespeitando o disposto no artigo 37, inciso X, da Constituição Federal, não concedeu a revisão geral anual para os servidores públicos estaduais.

No RE, os autores defendem que o STF já reconheceu, na ADI 2.492, a mora legislativa do governo paulista sobre o tema desde 1999 — ou 12 meses após a edição da Emenda Constitucional (EC) 19/1998, que deu a redação atual ao mencionado inciso —, o que seria bastante para caracterizar a omissão, fazendo surgir daí a obrigação de indenizar.

No início do julgamento, em junho de 2011, o ministro Marco Aurélio reconheceu o direito dos servidores à indenização. Para ele, a revisão não é ganho, nem lucro, nem vantagem, mas um componente essencial do contrato do servidor com a Administração Pública. Além disso, seria uma forma de resguardar os vencimentos dos efeitos da inflação. Concluindo pelo provimento do recurso, o ministro lembrou que a revisão geral anual está assegurada na Constituição, no artigo 37, inciso X.

Na sessão desta quinta-feira (3/4), a ministra Cármen Lúcia se manifestou no mesmo sentido do relator. Para ela, a omissão quanto à edição de leis para garantir revisão geral anual aos servidores paulistas configura frontal desrespeito à Constituição, causando danos aos servidores paulistas, o que permite invocar a responsabilidade do ente estatal.

"Reconhecida a mora do governo de São Paulo e evidenciado o dano aos servidores daquele estado, que, por falta da lei prevista pelo artigo 37, inciso X, da CF, viram-se privados da reposição do valor da moeda, não cabe dúvida quanto à possiblidade jurídica do pedido veiculado nesse RE", frisou a ministra. Por se tratar de omissão ilícita, já reconhecida desde o julgamento da ADI 2.492, o ressarcimento tem natureza reparatória, concluiu Cármen Lúcia ao acompanhar o relator pelo provimento do recurso, lembrando que o estado chegou a editar leis, mas meramente simbólicas, que não chegaram a implementar, de fato, o direito dos servidores à revisão geral anual.

Divergência
A divergência na votação foi aberta pelo ministro Luís Roberto Barroso, para quem o dispositivo constante do artigo 37, inciso X, da Constituição não deve ser visto como um dever específico de que a remuneração seja objeto de aumentos anuais, menos ainda em percentual que corresponda à inflação apurada no período.

Segundo Barroso, revisão não significa modificação. Assim, para o ministro, o estado seria obrigado a avaliar anualmente a remuneração geral dos servidores, o que não significa necessariamente a concessão de aumento. O chefe do Executivo tem o dever de se pronunciar anualmente e, de forma fundamentada, dispor sobre a conveniência e possiblidade, ou não, de concessão de reajuste geral anual para o funcionalismo.

Ao votar pelo desprovimento do recurso, e contra o que ele chamou de uma forma de indexação permanente, o ministro revelou o temor do retorno a uma situação de indexação ampla, geral e irrestrita, como já aconteceu no Brasil em passado recente. Com informações da Assessoria de Imprensa do STF.

Clique aqui para ler o voto do ministro Marco Aurélio.

RE 565.089

Revista Consultor Jurídico, 3 de abril de 2014, 21h11

Comentários de leitores

3 comentários

Para os amigos do poder tudo, para o resto nada

ricardo alves - servidor (Outro)

O Brasil é realmente um país surreal, para dizer o mínimo.
A nossa "Constituição Cidadã" (será mesmo que é cidadã?) é de uma clareza solar acerca do assunto (revisão anual dos vencimentos), mas a tese da reserva do possível se tornou a solução mágica para os nossos juristas de escol dos tribunais superiores não concederem o que é devido aos servidores públicos, ao aposentados, etc., ou se concedem o fazem num patamar irrisório.
Ricardo Luiz Alves

Ministro barroso toca um ponto interessante

Gabriel da Silva Merlin (Advogado Autônomo)

De fato como disse o Ministro Barroso essa decisão, na prática, vai gerar uma indexação dos vencimentos dos servidores públicos. O que é demais perigoso, ainda mais em um Estado inchado de servidores como o brasileiro.
A divida pública do Brasil já está gigante, se vierem com essa de indexar o salário dos servidores como Estado vai fazer para pagar essa conta? Imprimindo mais dinheiro, causando o que? Inflação, e eu acho que todo mundo já viu essa história antes...
Portanto acho correta a decisão do Ministro Barroso, até por que essa "indenização" nada mais é do que uma indexação do salário dos servidores públicos travestidas de uma pretensa indenização.

Darth Vader e seus discípulos

Limmals07 (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Darth Vader deseja ser Presidente da Ucrânia, mas parece que deixou uma série de discípulos no Brasil que parecem estar integrando a legião do lado obscuro da força...
Pois é, Eu gostaria de saber que efeito mágico está contido naquela cadeira amarela do STF, que determinados indivíduos após ocupá-las, de uma hora para outra passam a dizer muitas coisas contrárias ao que defendiam nos seminários e congressos por aí afora!!!
É o velho ditado, "quem te viu e quem te vê"...

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