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Butique cromosso Y

Bancas especializadas em divórcio para homens crescem

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O enorme outdoor em cima do prédio diz com muita clareza o que o escritório do advogado Jeffrey Feulner faz: "MEN’S DIVORCE" (divórcio para homens), em letras bem grandes, e "Law Firm", em letras menores. A ilustração é uma bola de futebol americano. Ele tem poucos concorrentes conhecidos. Notadamente, o "Divorce for men" (mesmo significado) e o "Dads divorce" (divórcios para papais). São escritórios pequenos, de dois a quatro advogados. Mas se espalham como se fossem franquias bem-sucedidas por todas as cidades da Flórida.

No "Men’s Divorce" são quatro sócios: Feulner e mais três advogadas. Feulner era um advogado de família que, com o tempo, se especializou em divórcio e, depois que se divorciou, se especializou em divórcio para homens. Quando chegou a esse nicho do nicho, fez sucesso. Ele disse ao jornal Orlando Sentinel que foi bem tratado no tribunal, em seu processo de divórcio. Mas notou que outros homens estavam preocupados, com base em uma "falsa presunção" de que os tribunais tendem a privilegiar as mulheres nesses processos. E que eles se sairiam mal.

Feulner não precisa fazer mais nenhum esforço de marketing para promover o escritório, porque a definição de sua atuação, o "Men’s Divorce", já faz todo o trabalho. Não precisa divulgar, nem prometer, que irá fazer uma defesa agressiva dos clientes masculinos: o "Men’s Divorce", no outdoor e no cartão de visita, dá essa ideia, mesmo que não seja a intenção. Ao contrário, diz Feulner, o trabalho da butique sempre começa com tentativas de reconciliação. Se não funcionar, o passo seguinte é a negociação com a ex-mulher e seu advogado. Aliás, a maioria dos casos é resolvida na negociação.

"Os homens criam essa ideia de que precisam de uma defesa agressiva, porque a mulher está a fim de lhe tirar até a camisa do corpo", ele conta. "Eles acham que vão enfrentar uma guerra de armas pesadas, na qual não podem entrar apenas com uma faca na mão", ele diz. E por que procurar um advogado de família, que faz de tudo, como se fosse um clínico geral, ou mesmo um advogado de divórcio, se há um advogado fortemente apetrechado para defender os interesses dos homens nos tribunais?

A negociação é facilitada pelo "nome" fictício do escritório. "Men’s divorce" é só uma descrição do que o escritório faz. As mulheres e seus advogados de família pensam, muitas vezes, que não é uma boa estratégia levar o caso ao tribunal, onde teriam de enfrentar o "Men’s Divorce". Especialmente porque o escritório tem três advogadas que, na condição de mulheres, entendem muito bem os pontos fracos do mundo feminino. Uma boa negociação e o caso só vai ao tribunal para selar o acordo.

Curiosamente, o escritório é procurado por mulheres. Na avaliação do advogado, provavelmente elas acreditam que um escritório com o "nome" de "Men’s divorce" conhece todos os pontos fracos dos casos dos homens. E sabem como atacá-los. Nenhuma mulher é rejeitada pelo "Men’s divorce", porque isso não seria uma boa conduta profissional. Para o escritório isso é bom: pegar casos de mulheres e privilegiar a negociação, esvazia a ideia, nutrida por muitos, de que os escritórios desse gênero se dedicam a uma guerra dos sexos.

Um escritório que se dedica apenas ao divórcio para homens parece ter um nicho limitado. Mas não é. O site do escritório "Divorce for Men", do advogado Johny Drizis, lista 39 situações, relacionados ao divórcio, nas quais pode prestar aconselhamento aos clientes e atuar: desde divórcios colaborativos a divórcios disputados, custódia dos filhos, direitos de visita, pensão alimentícia, divisão de propriedades etc.

Nem todo mundo gosta da ideia. A professora da Faculdade de Direito da Universidade da Flórida Nancy Dowd, por exemplo, está entre os críticos. Ela acha que um escritório que posa como defensor dos direitos dos homens cria uma noção de que as coisas só se resolvem através de uma batalha judicial, quando o melhor é buscar soluções razoáveis. "Os advogados de família devem procurar aliviar o confronto", ela diz.

Isso é o que faz o "Dads Divorce". Em seu site, o escritório adverte os homens de que suas mulheres querem "sangrá-los". Querem obter do homem a "submissão" total. E sugere que os homens devem armar armadilhas e oferecer iscas para levar as mulheres a cometer algum erro grave. É uma exceção. As demais butiques insistem que preferem a negociação e o consenso.

A butique "Men’s Divorce", por exemplo, afirma que sua melhor fã é a ex-mulher de um de seus clientes. O advogado e as advogadas do escritório foram "responsivos e sensíveis". Montaram toda a logística de compartilhamento da filha, de uma forma que as duas partes ficaram satisfeitas.

"Isso não é muito diferente de escritórios especializados de outras áreas", diz Feulner. "Há advogados especializados em acidentes de automóveis que só representam as vítimas, nunca a empresa ou pessoa que está sendo processada" — como há advogados trabalhistas que só representam o trabalhador e outros que só representam a empresa.

Existem também escritórios que só representam mulheres. "É como escolher um lado, em vez de escolher um sexo", diz o advogado Kenny Leigh, que abriu um escritório especializado em divórcios para homens, sem ter qualquer experiência em divórcio, mas já tem 13 advogados experientes trabalhando com ele em diversas cidades da Flórida. A franquia está crescendo.

Certo ou errado, se aplica em outros países ou não, as butiques especializadas em divórcios para homens é um bom exemplo de solução econômica para advogados autônomos ou pequenos escritórios, em oposição à estratégia de buscar o crescimento para porte médio ou grande. Nos EUA, as únicas sociedades de advogados que estão se proliferando por todo o país são as butiques.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 27 de novembro de 2013, 13h41

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