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Razões do coração

Promotora quer pena branda após convencer por perpétua

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A promotora Sherri Walsh cumpriu bem a missão atribuída à acusação, em um julgamento em Ohio. Tão bem que se arrependeu.

Durante a semana, ela convenceu o júri a condenar John Wise, de 68 anos, por todas as acusações que apresentou: homicídio doloso, homicídio doloso qualificado e agressão criminosa. A condenação implica prisão perpétua para Wise — a pena mínima compulsória para o caso, segundo a legislação americana.

Na quinta-feira (14/11), ela anunciou, em nota, que protocolou um pedido à juíza Mary Rowlands para mudar a condenação. Pediu que sentencie o réu por homicídio com grau atenuado de culpa. Se a juíza concordar, a pena será, no máximo, de seis anos.

A promotora argumentou, em seu pedido, que "fatos singulares" a convenceram, finalmente, de que o réu merece uma pena bem menor. Wise teria matado sua mulher, dentro do hospital, "por amor". Isso ele registrou em um bilhete, ainda no hospital, em que pediu desculpas por causar qualquer trauma ou inconveniência a todos. "Minhas razões foram boas e decentes", ele escreveu.

Wise passava todo o tempo que podia com a mulher Barbara, no hospital, enquanto ela tentava, sem sucesso, se recuperar de uma série de aneurismas cerebrais — uma dilatação vascular das artérias. Os médicos haviam dito a Wise que a saúde da mulher estava piorando hora a hora.

No dia em que matou Barbara, Wise disse que não aguentava mais ver o sofrimento da mulher. E se comoveu muito com as lágrimas que lhe corriam dos olhos. No julgamento, ele contou que ele e a mulher haviam feito um pacto, para que um não deixasse o outro continuar vivendo em estado de coma ou em muito sofrimento.

Foi a sua casa, apanhou uma arma e, conforme descreveu, acabou com o sofrimento da mulher. Ele mesmo descreveu o que fez, no julgamento: "Voltei ao hospital, entrei no quarto, dei um beijo no rosto de minha mulher e a matei". O plano era de também se matar, mas ele foi impedido, de acordo com o jornal New York Times e outras publicações.

Em sua declaração, a promotora disse: "O que Wise fez foi ilegal e perigoso. Ele matou alguém e colocou em risco as vidas de outras pessoas no hospital. No entanto, uma sentença de prisão mais curta será justa".

A juíza vai anunciar a sentença na próxima segunda-feira (18/11).

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 15 de novembro de 2013, 15h38

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