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Complexo de MacGyver e os modelos de juiz (episódio 1)

Comentários de leitores

6 comentários

e o resto da turma?

PedroPCP (Outros)

De fato, é assombroso o uso da teoria das nulidades do processo civil no processo penal. Por meio deste instrumentalismo processual violam rotineiramente o devido processo legal substancial.
Também concordo com as críticas aos juízes que se valem de "ementas" para montar em cavalo selado e "não decidir decidindo".
Por outro lado, acho que aqueles que focam a figura do juiz para tratar tanto da hermenêutica como do Direito em geral adotam uma ótica míope, enxergam só o que está pertinho dos olhos, não percebem que estas decisões não surgem "do nada", muitas vezes quem as suscita são as próprias partes.
Deve ser desesperador você ser juiz e lidar com acusações mal fundamentadas, memoriais ridículos, defesas de advogados dativos que pouco se preocupam com o resultado do processo, basta receberem os honorários pagos pelo Estado... Enfim, sugiro que antes de continuar a saga do Juiz MacGyver, os colunistas introduzam os "coadjuvantes", como o promotor "capitão nascimento" e o advogado "homer simpsons".

Canivete simplificado.

djavan high hopes (Estudante de Direito)

Com certeza um dos textos mais interessantes que já li por aqui. Nos faz pensar no quanto o Direito é complexo e no quanto não sabemos sobre ele achando que sabemos. Lênio Streck que nos diga. Ah senhores, como já disse, é rezar para não sermos vítimas das "bombas desarmadas".
O mais interessante é sermos aprendizes de MacGyver. Nossas faculdades estão cheias de pós-graduados nos ensinando a ser agentes secretos. O bom para alguns, é que nosso “swiss-army-knife" é do tipo simplificado. É difícil se livrar dessa coisa.

Muy bien!

Democrata Republicano (Outros)

Da excepcional união dos ilustres juristas não poderia sair nada diferente: que obra-prima!
Suponho que o juiz Macgyver também seja um "surfista hermenêutico" que vai na onda das (velas) novas teorias apregoadas em Pindorama.
É um descolado esse juiz pós(?)-moderno!

Heidegger, Streck e a angustia

JEFF AMADEUS (Advogado Sócio de Escritório - Administrativa)

Com efeito, “o véu do ser” que se abateu sobre o direito necessita de uma “clareira - como diz o querido prof. Lenio Streck_Oficial. Isto, a toda evidência, implica dizer que o senso comum teórico precisa se dá conta de que a tradição em que eles estão inseridos é um(a) tradição inautêntica do direito. O Dasein inautêntico, portanto, não vive como si mesmo, mas como "eles vivem". Ele apenas reproduz (e só coisas ruins - registre-se!). É preciso - urgentemente! - ser expulso do “em casa”, pois o “em casa” é confortável, alienante. Numa palavra: eles precisam se "angustiar", pois a angustia acaba com essa familiaridade, expatria.

O Juiz MacGyver e o Juiz Paleontólogo (Parte 2)

Bruno ISP (Outro)

Acredito que esta irônica colocação do meu colega de faculdade resuma bem boa parte do problema que os senhores descrevem e que costuma ser brilhantemente analisado também pelo Prof. Lênio Streck.
Estão aí todos os personagens da crise hermenêutica: o estagiário, o novo "Hermes" citado por Dr. Streck em seus textos, que muitas vezes minuta a decisão e faz a “ponte” entre o magistrado e a lide, terceirizando a jurisdição; o juiz solipsista, que, até mesmo contrariando o bom senso, decide que “pau é pedra” e pretende impor essa sua posição estritamente pessoal; o juiz pragmático, adotando uma posição teleológica, que primeiro decide para depois procurar um fundamento, ainda que este não tenha um verdadeiro teor jurídico; o pan-principiologismo, pois a “floresta fóssil” (ou o canivete suíço), na maioria das vezes, nada mais é do que um emaranhado de máximas, teorias inovadoras e princípios desconhecidos (ou mesmo inventados), que se pretendem jurídicos, usados pelo juiz para fundamentar sua decisão e tentar convencer os incautos de que pau pode ser pedra, etc.
Aí estão o Juiz Macgyver e o Juiz Paleontólogo, dois personagens caricatos, mestres no "jeitinho" e nas soluções Kinder Ovo.

O Juiz MacGyver e o Juiz Paleontólogo (Parte 1)

Bruno ISP (Outro)

Ilustres autores,
inicialmente parabenizo pelo excelente artigo. O texto aborda de forma criativa a crise hermenêutica que atravessamos. O canivete suíco do Juiz MacGyver nada mais é do que outra prancha usada para surfar a "onda solipsista", como diz o Dr. Lênio Streck.
Já citei em outra oportunidade e agora repito uma historinha que também trata de forma curiosa a questão do posicionamento teleológico dos juízes e outras questões relacionadas ao solipsismo e a crise hermenêutica.
Primeiro, esclareço que em minha querida cidade natal, Teresina – PI, existe um raríssimo sítio paleontológico conhecido como “Floresta Fóssil”. Nele é possível encontrar árvores petrificadas ainda em sua posição vertical. São troncos de árvores que viveram há milhões de anos. Os “tocos de pedra” estão lá, à margem do Rio Poti, provavelmente na mesma posição em que se encontravam quando vivos. Até onde sei, trata-se de fenômeno paleontológico único e praticamente desconhecido, pois nem mesmo nós, piauienses, lhe damos a devida importância.
Pois bem. Certo dia estava conversando com um colega de faculdade que havia alcançado o cobiçado "cargo" de estagiário de juiz, quando lhe perguntei sobre sua atividade. Animado, o “neo-escravo” contou que estava muito satisfeito porque redigia sentenças. O único porém, lamentou o rapaz, é que não estava aprendendo o “Direito dos livros”, pois passava boa parte do tempo procurando florestas fósseis.
Quando perguntei o que ele queria dizer com isso, a resposta foi mais ou menos a seguinte: “É que pau é pau, e pedra é pedra... mas, se o juiz disser que pau é pedra, o jeito é encontrar uma floresta fóssil para colocar na fundamentação”.

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