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Cursos executivos

Gestão de escritórios faz sucesso em faculdades dos EUA

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Um novo bando de estudantes começa a voltar às faculdades de Direito, nos EUA. São advogados atuantes, tarimbados na profissão, mas sem formação empresarial para gerir seus escritórios. Agora eles estão em busca de um novo curso que as faculdades começaram a oferecer exatamente para eles: educação executiva. Os cursos foram projetados para ajudar advogados a desenvolver as artes da liderança e da administração e, obviamente, a qualificação empresarial, segundo o The National Law Journal.

Tudo começou em 2007, quando a atual ministra da Suprema Corte dos EUA Elena Kagan era reitora da Faculdade de Direito da Universidade de Harvard, em Massachusetts. Ela foi buscar um dos melhores professores da Escola de Negócios de Harvard, Ashish Nanda, para liderar o novo programa da Faculdade de Direito, inteiramente separado dos programas de educação continuada, que são obrigatórios para os advogados americanos que querem manter suas licenças para atuar.

A educação continuada qualifica ainda mais os advogados para atuar em sua profissão, ao se focar no Direito Positivo, mas não para a gestão de escritórios. Os cursos visam exatamente corrigir essa falha na formação dos advogados, que não podem se associar com profissionais de outras áreas para desenvolver os negócios de suas firmas. E, por isso, têm de cuidar eles mesmos de um empreendimento para o qual não estão preparados.

Alguns anos depois da iniciativa de Harvard, a Faculdade de Direito da Universidade de Georgetown, de Washington D.C., concluiu que a ideia era muito boa. Pelo menos 280 advogados frequentam os cursos da Harvard, todos os anos, e a faculdade já começou a ter lucro com eles. A maioria dos alunos se inscreve nos cursos por recomendação de seus colegas de profissão. A faculdade de Georgetown começou, portanto, a desenvolver um projeto semelhante. No ano passado, seu programa de educação executiva foi iniciado com a participação de 200 alunos.

No rastro das duas, surgiu a Faculdade de Direito da unidade em Irvine da poderosa Universidade da Califórnia (UC). Os planos da UC-Irvine enveredam por um caminho um pouco diferente, para o curso principal. Ela pretende oferecer, a partir de 2014, educação executiva para assessores jurídicos — ou advogados corporativos — de empresas, ou para preparar advogados que pretendam exercer essas funções.

O programa terá cursos de seis semanas, em períodos de férias principalmente, dedicados à qualificação empresarial e a outras matérias, como propriedade intelectual. Será uma alternativa "aprofundada" aos cursos de alguns dias que a faculdade já oferece a advogados corporativos. Os alunos podem se inscrever em quantos módulos de cinco dias quiserem. E os que fizerem pelo menos três módulos receberão um certificado.

As faculdades de Direito de Harvard e de Georgetown focam principalmente cursos de liderança e qualificação empresarial, mas com abordagens diferentes. Harvard oferece, por exemplo, uma sessão de cinco dias de treinamento em liderança para sócios bem posicionados de bancas. E uma sessão separada, de uma semana, para sócios de escritórios que podem assumir, em breve, responsabilidades administrativas. E também um curso de liderança, de três dias, para advogados corporativos.

O programa de liderança da Faculdade de Direito de Georgetown oferece duas sessões de três dias, separadas em quatro meses. Ao final da primeira sessão de três dias, cada participante do curso tem uma entrevista particular com um instrutor, quando recebe uma tarefa: trabalhar em um projeto específico antes de voltar ao campus universitário para ter seu esforço avaliado. A faculdade oferece um programa de introdução à liderança, de dois dias, para advogados que estão em "nível médio" nesse mister.

As duas faculdades também oferecem programas de educação executiva exclusivos para advogados de uma mesma banca. A Milbank, Tweed, Hadley & McCloy foi a primeira a formar uma turma de advogados, com posições intermediárias na banca, para participar de sessões de treinamento em Harvard.

Os custos variam de US$ 2,5 mil a US$ 15 mil, dependendo de vários fatores. Mas o maior problema para os advogados não tem sido esse. É arrumar tempo. Cursos noturnos não são uma prática comum nos EUA. Por falar em dinheiro, os responsáveis pelos cursos de Harvard e Georgetown, antes de pensar em lucros, as faculdades têm de pensar em qualidade de ensino. O lucro virá como consequência, porque a demanda existe.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 22 de maio de 2013, 10h16

Comentários de leitores

1 comentário

Outra realidade

MSRibeiro (Administrador)

São fantásticos os cursos de liderança, motivação e organização de escritórios como empresas. Creio que as bancas que treinam seus profissionais e realmente implementam aquilo que um curso fornece terão grande sucesso. No Brasil, infelizmente, vivemos uma crise de liderança em todos as empresas (não só na política). Lideres mornos, com pouca empatia, pouca habilidade de comunicação, pouca maturidade, pouca interação com a equipe, mais focados em cobrar resultados projetados em planilhas e PPT´s, enfim, são como máquinas que são colocadas para seguir preceitos administrativos pasteurizados e difundidos pelos meios de comunicação empresarial apenas buscando resultados imediatos. Todos eles dizem que sabem o que é governança corporativa, gestão orientada por competências, porém, na prática, fazem aquilo que se praticava há 50 anos atrás. O gestor aqui no Brasil tem mais papel de CAPATAZ do que de alguém que saiba motivar, conduzir, direcionar e capacitar os liderados. Aliás, aquele que possuir realmente uma boa capacidade de liderança empresarial, logo será sabotado e colocado de canto quando outros superiores descobrirem esta qualidade. É essa a realidade das empresas de fundo de quintal da republiqueta tupiniquim.

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