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Segunda Leitura

Concursos dão mais valor ao currículo do que à pessoa

Comentários de leitores

11 comentários

Nomeação de "cumpadi"

MSRibeiro (Administrador)

Basta ser amigo de algum "Rei" que você poderá ser juiz do TIT. Já ouvi ocupantes deste cargo dizerem que não entendiam nada sobre ICMS mas estavam lá para julgar recursos administrativos sobre tal imposto, portanto, vemos o quanto a moralidade, a publicidade, a impessoalidade e a eficiência fazem parte do dia a dia dos nossos Três Poderes.

O dinheiro compra tudo

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Afinal, quem "é o bom" nas diversas profissões jurídicas? Essa pergunta jamais teve e jamais terá uma resposta, por um motivo muito claro: cada um, de acordo com seu contexto socioeconômico, vai apontar quais as características desejáveis é um "bom profissional" da área jurídica. Para os tribunais brasileiros um "bom jurista" é o cidadão do tipo "cordeirinho", aquele facilmente manipulável pelas cúpulas, que memoriza tudo o que os membros do tribunal, de acordo com seus próprios interesses pessoais, qualificam como "melhor direito aplicável ao caso concreto". Para o "povão", bom jurista é aquele ostentador, que ficou rico e "comprou fazenda". A meu ver, no entanto, bom jurista é aquele que firma posições científicas sobre dado tema, que a história se encarrega de admitir como acertada. É "bom jurista" quem defende uma tese que se sagra vencedora na Suprema Corte, da mesma forma que é "bom jurista" quem se posiciona publicamente a respeito de cerca causa que no final se sagra vitoriosa. Obviamente, isso exclui do conceito de "bom jurista" boa parte dos filhos da classe média que permanecem por anos decorando matéria em cursinhos preparatório, com o dinheiro dos pais, e nada produzem de efetivo em favor do sociedade ou do direito, lembrando que defender uma boa tese no Brasil pode custar ao patrono uma boa dose de perseguição, que por vezes faz gerar o que os bandidos institucionalizados chamam de "longa ficha criminal". Infelizmente, no Brasil, dinheiro compra quase tudo, inclusive o status de "bom jurista". O inerte que fica decorando matéria de concurso sustentado pelos pais passa por "cidadão de reputação ilibada", ao passa que quem está no front de batalha, suscitando ódios e rancores, é o bandido.

Há bandidos também no Judiciário e Ministério Público

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

O Articulista, infelizmente, ainda não se despiu do perfil corporativista, incorrendo no erro comum de se acreditar que os agentes públicos são a figura da pureza e da candura, quando na realidade há organizações criminosas públicas e privadas, alguns dentro do próprio funcionamento da máquina estatal, outras fora. Trago alguns exemplos muito conhecidos para ilustrar. Há alguns anos o Desembargador Federal Roberto Haddad e também o Juiz Federal Ali Mazloum foram afastados de suas funções sob o argumento de que eram bandidos da mais elevada periculosidade, tendo praticado ambos um imenso universo de delitos, segundo as denúncias. Submetida as defesas aos tribunais superiores, a conclusão foi no sentido de que as acusações eram ridículas, e totalmente sem cabimento. Os bandidos, na verdade, muito provavelmente eram os acusadores e aqueles que receberam as acusações ridículas. Escolhi esses dois episódios para lembrar mais uma vez a razão pelo qual a Constituição Federal elege como regra fundamental na República do Brasil e presunção de inocência. Se é verdade que há bandidos e organizações criminosas, é certo que muitos desses bandidos e organizações criminosas estão também no Judiciário, no Ministério Público, e em... bancas de concursos (fato que o Articulista parece ignorar por completo). Ora, e se os dois magistrados mencionados acima estivessem prestando um concurso público para a magistratura quando surgiram as acusações? Era justo excluí-los do certame devido às acusações de que faziam parte de organizações criminosas? O princípio da presunção de inocência não é pouca coisa. Foi formado ao longo de séculos de estudos, e é rigorosamente respeitado em todas as nações civilizadas. Há bandidos acusando e julgando, fato que não pode ser esquecido.

Sofrimento

Servidor estadual (Delegado de Polícia Estadual)

A ára de concursos padece dos mesmo problema das demais: falta de transparência, principalmente na famigerada prova oral. Fui eliminado duas vezes pela mesma examinadora que me fez a mesma pergunta e utlizava um livro do Jose Geraldo, que praticamente eu havia decorado. Um outro examinador perguntou para uma pessoa proxima a senhora é a favor ou contra a prescrição virtual, a que ela respondeu a favor, e o "examinador" mas eu sou contra volte a estudar. Para um candidato de "bom sobrenome" perguntavam o que é crime, para outro sem pedigree, quais os reflexos da teoria de Niklas Luhmmann na interpretação de nosso direito penal.Os candidatos não deveriam ser identificados até a aprovação final, quanto aos desvios de conduta, acredito que possa ser melhor avaliada na investigação social. Não é singela conversa como quiz fazer crer o autor que vai identificar um membro do crime organizado, mas sim a busca de antecedentes, e apuração severa de quem é aquele candidato na sociedade.

Defesa de atos de exceção

Simone Andrea (Procurador do Município)

É isso o que Vladimir Passos de Freitas faz, com esse texto mal escrito e absolutamente desprovido do menor fundamento constitucional. Concursos são de pro-vas e de tí-tu-los (preciso soletrar devagarzinho, apesar de estar escrito na Constituição) e não de "personalidades" ou de relacionamentos pessoais. O CNJ fez muito bem em proibir as famigeradas "entrevistas", que não passavam de ARBITRARIEDADES voltadas a justificar a escolha de quem agradasse às bancas. Pedir "informações" sobre a pessoa dos candidatos, como propõe esse texto aí, a fim de saber sua história de vida, é invadir seus mais elementares direitos fundamentais: liberdade, intimidade, vida privada, só para ficar nestes. Essas famigeradas "sindicâncias de vida pregressa" também só servem para tentar justificar escolhas absolutamente idiossincráticas, que é o que o articulista confessa defender! E, sob o sofisma da suposta "necessidade" de se selecionar o(a) juiz(a) "prefeito"(a), qualquer violação de direito é admitida e desculpada pelo articulista, sobretudo, violação do direito à honra do candidato! Vladimir tenta nos convencer, como se fôssemos todos ignorantes, de que, nesse caso, pessoas poderiam ser privadas de direito (ao exercício de cargo público), sem jamais terem sofrido qualquer condenação judicial! Ora, ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo lega, nem considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória... Dr. Vladimir, aproveite sua aposentadoria e faça uma viagem a Cuba, à China, ou à Coreia do Norte, que o senhor vai gostar.

Discordo completamente

Aiolia (Serventuário)

Sou concurseiro e já fui professor de cursos preparatórios para concurso público. Discordo inteiramente do artigo e dos comentários abaixo, certamente nem o articulista, que já está fora do ambiente dos concursos de há muito (se é que era chamado pra compor bancas, quando na atividade, não sei), nem os que comentaram, têm noção de concurso público. Não tem nada de privilégio à pessoa, e quanto ao decoreba, este existe em alguns aspectos, mas se vc não tiver cabedal, vc não entra. Só fazer o teste: apenas decore a lei e veja se vc passa...

Decoreba e simulacro de imparcialidade

P.Sávio (Professor Universitário - Administrativa)

Se existe um consenso em quem se submete a concursos para a magistratura (e, claro, é provido de um mínimo de senso crítico) é que, infelizmente, a pessoa (ou sua árvore genealógica) é considerada sim, e não o seu conhecimento. Do ponto de vista da teoria do controle, temos vários "gargalos" que se, por um lado, geram dificuldades para uns, por outro certamente oferta facilidades para outras pessoas. E não para outros currículos. Para dizer o mínimo.

Avaliação cara de pau

estudioso de São Paulo (Bacharel - Tributária)

A Secretaria da Fazenda teve a cara de pau de apresentar uma desculpa dessas. "Fora de padrão" é um mesmo julgador ter participado de tantos julgamentos de casos "fora do padrão", de elevadíssimos valores, num curto mandato de 2 anos. Tudo indica que ele não agia sozinho, e que esse dinheiro todo pode não ser dele apenas.

concursos não avaliam pessoa, nem curriculo, mas decoreba

analucia (Bacharel - Família)

o modelo atual de concursos não avalia a pessoa, nem o curriculo, mas apenas a decoreba (prova intelectual), uma vez que a prova de títulos é desprezada.
é a visão do racionalismo em que se valoriza apenas um falso conhecimento teórico.
O pior de tudo é que tem juiz federal dando liminar para candidato já condenado em segunda instância por corrupção a prestar concurso público para outra carreira....

Engodo !

Luiz Pereira Neto - OAB.RJ 37.843 (Advogado Autônomo - Empresarial)

Este critério é aplicado somente entre os iguais , ou seja , àqueles que não têm padrinhos .
Nos demais , o que vale é a pessoa e , principalmente , o sobrenome , e , quando não há o sobrenome , mas , existe , uma relação muito profunda , mais vale , ainda , a pessoa . Basta fazer um levantamento , em todos os Tribunais do Brasil , para se constatar esta triste realidade .

Artigo lúcido

Conselheiro Aires (Funcionário público)

O artigo ilustra um velho problema brasileiro: como não se consegue corrigir o que está errado, acaba-se com o que está certo. As entrevistas davam margem a fraudes, a favorecimentos, mas eram absolutamente necessárias. Juízes experientes avaliavam, olho no olho, o caráter, a visão de mundo, a vocação dos candidatos. Não basta ter conhecimento jurídico para decidir a vida das pessoas. É preciso muito mais!

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