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Fatos incômodos

ConJur não foi único alvo de censura de desembargador

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O desembargador de quem a Justiça proibiu a revista eletrônica Consultor Jurídico de falar o nome tentou a mesma medida com o site Última Instância, mas não conseguiu. Por maioria, a 6ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo entendeu que a divulgação de fatos verídicos pela imprensa em notícias não causam dano moral e nem podem ferir a honra do magistrado.

A questão foi definida por dois votos a um e levada ao TJ pelo Última Instância, já que em primeiro grau o site foi condenado, também pela juíza Jacira Jacinto da Silva, da 16ª Vara Cìvel da Capital. O caso se refere ao mesmo fato noticiado pela ConJur, mas, dessa vez, não resultou em condenação.

O desembargador, decano da 18ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP, abriu processos na Justiça para tentar retirar do ar notícias que informavam a abertura de sindicância pela Corregedoria Nacional de Justiça contra ele depois de denúncia da OAB. Foi informado ao então corregedor nacional, ministro Gilson Dipp, que o desembargador havia se recusado a receber um advogado, e a corregedoria do CNJ entendeu que havia notícia de abuso por parte do desembargador e decidiu apurar o caso. 

Ambas as notícias usaram informações da assessoria de imprensa da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo. (clique aqui para ler reportagem da assessoria de imprensa da OAB-SP sobre o caso)

O desembargador Percival Nogueira, relator do caso do Última Instância, que foi defendido pela advogada Taís Gasparian, entendeu que a notícia do site fez juízo de valor sobre o caso, tratando a informação de maneira tendenciosa. Com isso, argumentou, o veículo condicionou o leitor a interpretar o fato de uma forma distorcida.

Mas ele ficou vencido. Os desembargadores Paulo Alcides Amaral Sales e Francisco Loureiro, revisor e terceiro juiz, respectivamente, discordaram do relator. Paulo Alcides foi o autor do voto vencedor. Afirmou que, por mais que a sindicância contra o desembargador tenha sido arquivada, a notícia de sua abertura não deixou de ser verdade. E noticiar a verdade, ressaltou, é papel da imprensa. Não houve dano moral nem divulgação de informação com a intenção de difamar, concluiu.

“Meros dissabores, aborrecimentos ou contrariedades fazem parte do cotidiano da vida, principalmente para quem exerce atividade pública, e a despeito de serem desagradáveis, não podem ser interpretados como doesto à atuação profissional do ofendido”, anotou o desembargador. “Considere-se, por fim, que a imprensa, de forma geral, possui papel preponderante em uma sociedade democrática; patrimônio imaterial, através do qual é possível apurar evolução político-cultural de um povo. Sua atuação livre é garantia do interesse público; afinal, opera como formadora de opinião, espaço natural do pensamento crítico e alternativa à visão oficial dos fatos.”

O recurso foi negado e o desembargador foi condenado a pagar os honorários de sucumbência e as verbas processuais. O montante ficou em R$ 10 mil.

Outra câmara, outra decisão
No caso da ConJur, notícia sobre o mesmo fato resultou numa condenação na primeira instância que está prestes a se confirmar pelo TJ de São Paulo. A sentença, da juíza Jacira Jacinto da Silva, havia condenado a revista a pagar indenizações de R$ 10 mil pelos danos morais ao desembargador e R$ 5 mil pelos danos materiais.

O julgamento foi suspenso na quarta-feira (8/5), depois de pedido de vista pelo desembargador Elcio Trujillo. Mas os dois votos proferidos na sessão, da juíza Maria Regina Dalla Déa Barone, convocada ao TJ, e do desembargador João Carlos Saletti, foram para cassar a indenização por danos materiais e aumentar a indenização por danos morais.

Maria Regina pediu a majoração de R$ 10 para R$ 25 mil e ainda argumentou que a notícia era ilícita, já que falava sobre fatos que tramitavam sob sigilo no CNJ. Saletti concordou com a argumentação, inclusive a da ilicitude, mas pediu que a quantia seja majorada para R$ 35 mil.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 10 de maio de 2013, 7h52

Comentários de leitores

22 comentários

O ilícito e a liberdade de informação

JTN (Jornalista)

Sou jornalista.Se o Processo é sigiloso temos como realizar uma boa matéria sem acesso ao Processo. Há sempre uma denuncia. A OAB tomou atitude e a divulgação dessa postura é lícita.O CNJ abrir qualquer Processo interno, vazou é notícia. A Ilicitude da notícia se caracteriza quando a reportagem aponta dados e documentos que estão apenas no Processo, sendo impossível de serem obtidos em outro local.Mesmo assim,a tendência é condenarem, quem deixou alguém indevidamente ter acesso ao Processo, no caso funcionário público.Porém, aos olhos do povo, a atitude do Desembargador e posterior atitude de juízes de primeira Instância,é apenas uma demonstração de corporativismo.Infelizmente, nosso Judiciário é elitista, corrupto parcialmente,doente ideologicamente,conservador e longe da realidade do povo.Louvo o Conjur, que sempre realiza matérias sérias e ricas em informação.O Conjur ajuda para que o Judiciário não seja uma caixa escura.

Argüição de descumprimento de preceito fundamental nº 130

Domingos da Paz (Jornalista)

ADPF Nº 130 do STF - que versa sobre os Crimes de Imprensa está ai exatamente para coibir os abusos de certas pessoas que se julgam acima do bem e do mal. Sem muitas delongas, o povo brasileiro conhece muito bem o que pensam os magistrados, e o rem´´edio jurídico adequado é exatamente a ADPF nº 130 do STF contra aqueles que persistem em calar a IMPRENSA como no caso em tela, a imparcial Revista Eletrônica CONJUR, aliás, quando mais precisei divulgar as canalhices que o JUDICIÁRIO promoveu contra minha pessoa e família, foi a REVISTA CONJUR que esteve sempre comigo. Agradeço imensamente os profissionais do CONJUR e podem contra comigo para o que der e vier. Fraternais Saudações.

Ironia

Gilberto Strapazon - Escritor. Analista de Sistemas. (Consultor)

Achei interessante que o leitor anônimo usou um singelo apelido "Jus Esperniandi" como que ironizando a questão e defendendo diretamente o resultado presente.
Porque não bota o nome e assume o que diz?
Se sua opinião é tão válida para vir "espernear", acho mais do que justo que faça suas colocações com bom senso e ética.
Citando Voltaire: "Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."

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