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Tragédia em Boston

Advogados célebres vão defender suspeitos de atentado

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O estudante Dzhokhar Tsarnaev, suspeito de ter cometido, em abril, os atentados na maratona de Boston, em Massachusetts, nos Estados Unidos, e os três outros jovens suspeitos de prejudicar as investigações sobre o ataque terão sua defesa feita por veteranos da advocacia criminal norte-americana. Alguns desses advogados são calejados em defender clientes confessos de crimes bárbaros e de forte repercussão pública.

Dzhokhar, junto do irmão morto posteriormente em tiroteio com um policial, é apontado como o responsável por planejar e executar o atentado que matou três pessoas e feriu outras 260. O ucraniano naturalizado norte-americano será defendido pela criminalista Judy Clarke, que é conhecida nos EUA por garantir que réus acusados de crimes hediondos escapem da pena de morte. Foi de Clarke a defesa do atirador Jared Lee Loughner, que baleou, em Tucson, Arizona, em janeiro de 2011, seis pessoas, entre as quais, uma menina de 6 anos e a congressista do Partido Democrata, a deputada Gabrielle Giffords.

A advogada, que tem prática em São Diego, Califórnia, e presidiu a Associação Nacional de Advogados de Defesa Criminal dos EUA, impediu também que o matemático e “ativista anticivilização” americano Theodore Kaczynski, o “Unabomber”, fosse condenado à morte. O terrorista cumpre atualmente pena de prisão perpétua pela sequência de atentados à bomba que mataram três pessoas e feriram outras 23 nos Estados Unidos entre o final dos anos 1970 e meados da década de 1990. À rede de TV CBS, dos EUA, a advogada admitiu que um “tsunami” de evidências pesam contra seu cliente e que a escolha da defesa é tentar salvar a sua vida.

O estudante americano Robel Phillipos, acusado de falso testemunho que beneficiou Tsarnaev, se condenado, ficará até oito anos preso em regime fechado e deve pagar US$ 250 mil de multa. Sua defesa ficará a cargo do avogado Derege Demissie, imigrante etíope que virou expoente da advocacia de Cambridge, cidade limítrofe com Boston, justa e ironicamente defendendo maratonistas.

Demissie, que ainda advoga para a Agência de Atletismo Apex, em Cambridge, diferentente da colega Judy Clarke, alega a inocência de seu cliente, argumentando que Phillipos se atrapalhou com as palavras e acabou “dertupando” o que pretendia dizer à Polícia. Assim como Phillipos, outros dois estudantes cazaques, apontados como amigos de Tsarnaev, são acusados de mentir às autoridade e de obstrução da Justiça.

Robel Phillipos, Azamat Tazhayakov e Dias Kadyrbayev têm 19 anos apenas. Os três teriam mentido sobre o local onde se encontravam os irmãos Tsarnaev horas depois dos atentados e teriam ainda jogado no lixo alguns pertences dos irmãos ucranianos, que poderiam incriminá-los. O FBI tem dúvidas de que apenas Dzhokhar e seu irmão falecido tenham planejado sozinhos o ataque.

Robert Stahl, advogado de Westfield, Nova Jersey, representa Dias Kadyrbayev. O advogado de Nova York Harlan Protass representa Azamat Tazhayakov. Ambos negam as suspeitas da polícia federal norte americana e alegam inocência dos estudantes. Segundo o tabloide The National Law Journal, Protass disse, nesta quarta-feira (1/4), que seu cliente está “cooperando totalmente com as autoridades e espera que a verdade apareça logo nesse caso”.

Cidadãos do Casaquistão, os dois vivem nos EUA com vistos de estudante. Assim como Phillipos, estão presos desde 20 de abril. Robert Stahl é especializado em contencioso civil, criminal e questões de custódia. Ainda segundo o The National Law Journal, sua experiência prévia com clientes russos e vindos da antiga União Soviética foi determinante para que assumisse o caso. Stahl, que foi procurador federal em Nova Jersey, defendeu o rabino Saul Kassin em um escândalo de lavagem de dinheiro que repercutiu em todo os Estados Unidos e levou 44 pessoas à prisão em 2009.

Harlan Protass tem conquistado visibilidade nos EUA como articulista do próprio The National Law Journal e também da conceituada revista eletrônica Slate, criada pela Microsoft e hoje de propriedade do grupo The Washington Post.

Os quatro advogados vão enfrentar do lado da acusação alguns dos mais conceituados procuradores federais, especializados justamente em questões de segurança nacional. O grupo inclui William Weinreb, Stephanie Siegmann e John Capin. Os dois últimos sairam vitoriosos com a condenação, em 2011, dos proprietários da empresa Chitron Elelctronics, Zhen Zhou Wu e Yufeng Wei, acusados de exportar clandestinamente, por mais de dez anos, componentes militares e eletrônicos para o governo da China.

 é repórter da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 5 de maio de 2013, 9h23

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