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Simulação de lide

Má-fé de advogado deve ser apurada em ação própria

A 7ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho afastou a responsabilidade de uma advogada condenada por litigância de má-fé por simulação de lide. De acordo com o relator, ministro Vieira de Melo Fillho, a jurisprudência pacífica do TST não admite a condenação de advogado nos próprios autos em que se constata a litigância de má-fé.

O ministro explicou que condenação do advogado, isolada ou solidariamente, em caso de lide temerária, depende de apuração em ação própria. Após excluir a condenação, a Turma determinou a expedição de ofício à Ordem dos Advogados do Brasil, para que sejam adotadas as providências cabíveis.

No caso, uma mulher ajuizou reclamação trabalhista contra a Amaco Indústria e Comércio de Papéis e Serviços e contra a Três Portos para receber diversas verbas, afirmando ter sido contratada pela Amaco para prestar serviços como analista financeira da Três Portos. As empresas não compareceram à audiência inaugural e o pedido de declaração de revelia formulado pela empregada foi indeferido pelo juiz da Vara do Trabalho de Esteio (RS), que considerou a medida desnecessária.

De acordo com a sentença, a ação trabalhista foi simulada, com fins ilícitos, e outros casos semelhantes já haviam sido detectados por aquela unidade judiciária. A finalidade seria resguardar o patrimônio das empresas, que enfrentaram grave crise financeira nos anos 2000, em especial nos últimos anos da década.  

Os vários aspectos detectados na sentença também foram percebidos pelo Ministério Público. Chamaram a atenção o alto valor da remuneração informada pela analista, contratada já no período de dificuldades financeiras, o ajuizamento da ação um ano depois do encerramento das atividades empresariais, a ausência das empresas para responder à ação e o fato de a suposta empregada estar assistida por advogados diversos da maioria dos trabalhadores que ajuizaram ações naquela Vara.

O juiz aplicou o artigo 129 do Código de Processo Civil e proferiu sentença que impediu o fim ilegal pretendido pelas partes, julgando extinto o processo. Em seguida, diante do comportamento da autora da ação e dos advogados, aplicou multa por litigância de má-fé.

O fato das partes terem procurado alterar a verdade dos fatos, faltando com a seriedade exigida daqueles que acionam o Poder Judiciário, levou o juiz a condenar solidariamente as empresas, a suposta trabalhadora e os advogados ao pagamento de multa de 1% sobre o valor da causa em benefício do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). "As alegações constantes do processo, em confronto com a realidade que se constatou, beiram as raias do mero deboche", concluiu o juiz, que determinou também comunicação do fato ao Conselho de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A manutenção da decisão pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS) provocou o recurso de revista da advogada provido pela 7ª Turma do TST, que afastou a responsabilidade da advogada neste processo.  Com essa decisão, ela foi desobrigada do pagamento de indenização por danos morais coletivos.  Com informações da Assessoria de Imprensa do TST.

RR-205-43.2011.5.04.0281

Revista Consultor Jurídico, 27 de junho de 2013, 13h58

Comentários de leitores

5 comentários

Riscos

Prætor (Outros)

O juiz pode e deve aplicar penalidades previstas em lei a advogados faltosos e que pratiquem ilícitos no processo. A depender apenas da OAB estar-se-ia sujeito ao mais completo corporativismo e advogados poderão cometer abusos de todos os tipos e tamanhos.

Cuidado necessário

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

A história nos mostra que "moralizar" nem de longe significa sair demonizando quem se encontrar pela frente. No caso dos advogados, a regra geral é que inexiste hierarquia entre o advogado da causa e o juiz, motivo pelo qual esse NÃO PODE impor penalidades ao causídico. Porque? Justamente porque o advogado é o "braço técnico" do cidadão quando esse interage com os órgãos estatais, cabendo inclusive fiscalizar o trabalho do magistrado e ingressar com recursos contra as decisões e representações disciplinares em face aos desvios. Se o juiz pudesse apenar o advogado, a advocacia não teria a devida liberdade de agir pois antes de recorrer ou denunciar o causídico perceberia que poderia receber uma sanção como represália. Mesmo assim, devido à inércia da OAB em zelar pelas prerrogativas da advocacia, "penas" aplicadas por magistrados contra advogados crescem a cada dia. Essa "penas", em regra, constituem-se em prática do crime de abuso de autoridade, jamais punido.

Balaio de gatos

Corradi (Advogado Autônomo - Civil)

Se a decisão foi proferida, realmente, como na notícia, ela mais está para balaio de gatos que para esclarecer o fato. Foram condenadas as "reclamadas", a "reclamante" e também a "advogada". Em tendo sido as reclamadas objeto da "fraude" que contra elas teria sido tentada, por que, então, também sairam condenadas? Não entendi. Evidentemente que para o pleno entendimento, deveriamos, antes da crítica, conhecer melhor os autos. Mas não nego que nestes quase 30 anos de advocacia tive, inúmeras vezes, conhecimento de situações de fraudes na JT, tentada ou consumada e lamentavelmente alguns advogados ainda se prestam a isso. A Comissão de Ética precisa analisar casos desta natureza com bastante rigor e se ficar constatado o conluio, sinto muito, o profissional tem que ser banido. De que adiantará a OAB levantar bandeira contra a corrupção se mantiver em seus quadros advogados com postura idêntica. É chegada a hora de moralizarmos tudo. Tudo mesmo.

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