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Política de saúde

Adams visita TRF-4 para falar sobre Mais Médicos

O advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, iniciou nesta segunda-feira (29/7) um giro pelos tribunais do país para explicar o funcionamento do programa Mais Médicos. Apresentado pela presidente Dilma Rousseff em resposta às manifestações populares, o programa foi questionado no Supremo Tribunal Federal por associações de classe.

“Estamos visitando os tribunais para esclarecer os fatos a respeito da adoção desse programa. Apesar de estar gerando muita resistência, os fundamentos dessa oposição não nos parecem adequados, visto que é uma política de saúde básica, destinada à população carente”, disse Adams no encontro com o desembargador Tadaaqui Hirose, presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Adams disse que é importante o esclarecimento do Judiciário, pois muitas ações estão sendo movidas contra pontos do programa. “A Associação Médica Brasileira (AMB) já ajuizou três ações judiciais contra o programa. Viemos enfatizar o quanto ele pode ser positivo para a população brasileira".

Hirose concordou com a preocupação da comitiva. “Fui por muitos anos juiz no interior e presenciei os problemas não só na minha área. A população é carente de vários serviços básicos. Entendo a necessidade de reformulação do sistema de saúde”, declarou o presidente do tribunal.

Ele contou que vem acompanhando com atenção a implantação do programa Mais Médicos pela imprensa, mas agradeceu a visita e classificou-a como importante forma de esclarecimento sobre as intenções do governo federal.

O advogado-geral da União ressaltou a falta de médicos que atinge vários municípios do país. “Temos uma defasagem de 12 mil profissionais no Brasil. Com o Mais Médicos há a estimativa de que em 2026 tenhamos cerca de 600 mil médicos no país, quase o dobro do número atual”.

O secretário de gestão da saúde do Ministério da Saúde, Luiz Odorico Andrade, que fez parte da comitiva de Adams, falou sobre um dos pontos mais polêmicos do programa, a contratação de médicos estrangeiros. “Estamos seguindo o exemplo de vários países. Na Inglaterra, 37% dos médicos são estrangeiros e parte da população é atendida por profissionais paquistaneses e indianos”, argumentou.

“Enquanto nos Estados Unidos 25% dos médicos é estrangeiro, no Brasil temos hoje apenas 1,7% de profissionais formados no exterior”, observou Andrade, que ressaltou o fato de que os médicos que vierem de fora ficarão os três anos do programa sob tutoria das universidades e supervisão de médicos responsáveis, atuando na saúde básica da população.

O diretor do programa Fernando Antônio Menezes da Silva falou da importância de mudança na estruturação da formação médica. “É preciso ter clínicos gerais e isso o programa vai proporcionar com o aumento do tempo da formação acadêmica e o direcionamento das especializações conforme as necessidades sociais”, explicou. 

O programa foi implantado por medida provisória no início de julho e tem por meta levar médicos para atuar durante três anos na atenção básica à saúde em regiões pobres do Brasil. Para isso, será ampliado o número de vagas em cursos de medicina e de residência médica e contratados profissionais estrangeiros. Com informações da Assessoria de Imprensa da Justiça Federal.

Revista Consultor Jurídico, 30 de julho de 2013, 16h12

Comentários de leitores

7 comentários

Um texto para reflexão sobre esse descalabro

cyromasci (Médico)

"Observei que, em todas as discussões que precediam a escravização da medicina, tudo se discutia, menos os desejos dos médicos. As pessoas só se preocupavam com o "bem-estar" dos pacientes, sem pensar naqueles que o proporcionavam. A ideia de que os médicos teriam direitos, desejos e opiniões em relação à questão era considerada egoísta e irrelevante. Não cabe a eles opinar, diziam, e sim apenas "servir". (…)
Muitas vezes me espanto diante da presunção com que as pessoas afirmam seu direito de me escravizar, controlar meu trabalho, dobrar minha vontade, violar minha consciência e sufocar minha mente - o que elas vão esperar de mim quando eu as estiver operando? O código moral delas lhes ensinou que vale a pena confiar na virtude de suas vítimas. Pois é essa que virtude que eu agora lhes nego.
Que elas descubram o tipo de médico que o sistema delas vai produzir. Que descubram, nas salas de operação e nas enfermarias, que não é seguro confiar suas vidas às mão de um homem cuja vida elas sufocaram. Não é seguro se ele é o tipo de homem que se ressente disso - e é menos seguro ainda se ele é o tipo de homem que não se ressente." [A Revolta de Atlas, Ayn Rand]

Inverdades e meias verdades

cyromasci (Médico)

NÃO É VERDADE que os médicos são contra colegas de outros países, o que se EXIGE é que sejam submetidos a prova de revalidação do diploma, para saber se é apto em medicina (para não colocar em risco a VIDA do paciente) e se NO MÍNIMO fala português !
NÃO É VERDADE que faltem médicos, o que falta é ESTRUTURA E GESTÃO. Afirmar que a solução é ter mais médicos equivale a dizer que a solução para a fome é importar cozinheiros, quando o problema é falta de alimento de de cozinhas !
NÃO É VERDADE que médicos não desejem praticar Clínica Geral, o que falta é CRIAR CARREIRA DE MÉDICO digna desse nome, a exemplo do que já existe com formados em Direito, que são bem remunerados para ir a qualquer lugar do país como juízes, promotores públicos ou… advogados da união !!!

Mais médicos

Gustavo Ribas Alves (Assessor Técnico)

A sociedade, tomando conhecimento ou não da visita do AGU aos tribunais, é e será favorável ao programa em debate, visto que beneficiará pessoas carentes, além do que, a sociedade médica é e sempre foi distante do restante da população, por isso, agora, suas reclamações não geram tanto impacto na opinião pública.

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