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Análise de viabilidade

Estudo do Ipea traça perfil dos novos TRFs

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O Instituto de Política Econômica Aplicada divulgou estudo em que analisa a eficiência dos magistrados nos cinco Tribunais Regionais Federais, com o objetivo de verificar a necessidade de criação de outros quatro TRFs, prevista na Emenda Constitucional 73. A norma cria cortes em Curitiba, Manaus, Salvador e Belo Horizonte, mas foi suspensa por liminar do ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, na última quarta-feira (17/7) — clique aqui para ler.

Com jurisdição sobre Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, o TRF-6 terá Curitiba como sede, enquanto o TRF-7, sediado em Belo Horizonte, terá apenas Minas Gerais como jurisdição. O TRF-8 ficará em Salvador, com jurisdição sobre Bahia e Sergipe, e o da 9ª Região, localizado em Manaus, terá jurisdição sobre o Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima.

Utilizando como base dados de 2011, o levantamento aponta que a mudança beneficiaria principalmente o TRF-1, que inclui o Distrito Federal; Minas Gerais; Tocantins; Bahia; Goiás; Mato Grosso; Piauí; Rondônia; Roraima; Acre; Amazonas; Amapá; Pará; e Piauí, e o TRF-4, que tem abrangência sobre os três estados do Sul, já que a demanda dos dois órgãos cairia cerca de 60%.

Já no TRF-3, que abrange São Paulo e Mato Grosso do Sul, e no TRF-5, que inclui Pernambuco; Alagoas; Ceará; Rio Grande do Norte; Paraíba; e Sergipe, a criação dos novos tribunais reduziria a demanda em cerca de 5%. Não há qualquer alteração no TRF-2, pois a área de abrangência que inclui o Rio de Janeiro e o Espírito Santo seria mantida. O estudo aponta ainda que os membros do TRF-1 possuem a maior carga de trabalho, com mais de 19,5 mil casos por profissional, contra menos de quatro mil de cada membro do TRF-2.

Com a existência de nove Tribunais Regionais Federais, a maior carga de trabalho ficaria com os desembargadores de São Paulo, que deveriam analisar 13,9 mil casos cada um. O TRF-3 é, de acordo com o Ipea, aquele em que cada magistrado é mais produtivo, com média de 6,7 mil decisões terminativas por pessoa, enquanto o TRF-1 tem 2,1 mil decisões terminativas. O Tribunal Regional Federal que atende São Paulo e Mato Grosso do Sul é também aquele com maior taxa de atendimento da demanda: 155%, o que significa que o tribunal analisa 155 processos para cada 100 novas demandas.

Na ponta contrária aparece o TRF-1, que atende a apenas 43% de sua demanda. Com base nos dados, os autores do levantamento, Alexandre Samy de Castro, Bernardo Abreu de Medeiros e Alexandre dos Santos Cunha, traçam uma análise dos quatro novos tribunais, prevendo média de três mil casos atendidos anualmente por cada desembargador, com 120% de atendimento da demanda. Cada tribunal teria, em média, 74,4 mil casos pendentes e quase 40 mil novos processos para analisar.

Eles apontam ainda uma hipótese de taxa de congestionamento zero no novo TRF-4, que englobaria apenas o Rio Grande do Sul, pois o potencial para taxa de atendimento da demanda em torno de 261% faria com que, em um ano, todos os processos fossem julgados, incluindo as demandas daquele período, deixando os seus integrantes sem trabalho dentro de pouco tempo. O novo TRF-6, com abrangência sobre Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Paraná, apresentaria 105% de taxa de atendimento da demanda, com 9,6 mil casos por desembargador.

No que diz respeito ao desmembramento do TRF-1, os autores destacam que o TRF-8 (Bahia e Sergipe) atenderia 100% da demanda, com 6,6 mil casos por desembargador, e o TRF-9 (Amazonas, Rondônia, Roraima e Acre) teria taxa de atendimento de 172%, com quase 4 mil casos para cada desembargador. Isso se daria, porém, por conta da reduzida carga de trabalho. Já o TRF-7, que incluiria Minas Gerais, teria taxa de atendimento da demanda de 104%, com 10 mil casos por integrante.

O estudo aponta que o TRF-9 atingiria atendimento da demanda superior a 100% com apenas dois desembargadores, abaixo do mínimo fixado pelo Artigo 107 da Constituição, que prevê sete integrantes em cada Tribunal. No TRF-6 e no TRF-8, o número ideal seria de 14 membros, com a composição do TRF-7 chegando a 20 desembargadores em uma situação ideal.

Movimentação processual estimada com a criação de quatro novos TRFs*   
 Casos novos
por ano
AcervoCarga de trabalho por julgadorTaxa de congestionamento
 AtualApós um anoAtualApós um anoAtualApós um anoAtualApós um ano
TRF-1137.05857.911390.782155.95919.9507.92189%73%
TRF-252.27852.27854.02154.0213.9373.93740%40%
TRF-3173.440164.957407.150392.46114.51513.93554%52%
TRF-4125.69056.20880.27637.5328.2393.75029%-57%
TRF-536.69933.684101.54395.9289.2168.64167%65%
TRF-6-78.206 57.443 9.688 39%
TRF-7-41.546 159.362 10.045 78%
TRF-8-30.283 62.345 6.616 67%
TRF-9-8.832 18.731 3.938 45%
* Com base em dados de 2011. 

Reconhecimento
A divulgação do estudo motivou elogio de Tercio Issami Tokano, procurador regional da União da 3ª Região, que enviou documento ao presidente do TRF-3, desembargador Newton de Lucca, parabenizando o órgão pela produtividade e citando o levantamento para apontar que “caso todas as Regiões fossem tão produtivas quanto o TRF-3, a taxa de atendimento da demanda de segunda instância teria sido de 172%”. Com informações da Assessoria de Imprensa do TRF-3.

Clique aqui para ler o estudo.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 22 de julho de 2013, 11h18

Comentários de leitores

5 comentários

Paradoxo "eficiência-merecimento"

Eduardo R. (Procurador da República de 1ª. Instância)

Não sei se dos dados apresentados é possível extrair uma produtividade, pois só há informações sobre a entrada e a 'carga' per capita, mas não sobre a saída per capita, que seria importante. O dado que mais se aproxima disso é a 'taxa de congestionamento', destacando-se o TRF4. Porém aí vem o paradoxo: sendo ele "campeão" na eficiência (ou produtividade?), não deveria ser tratado como um beneficiário por acaso ou imerecido da mudança. Dizer que ficaria "sem trabalho" é brincadeira, pois, terminando o "acervo" (passivo) em um ano, ficaria sim, a partir daí, apenas com a carga nova que ingressasse a cada ano, justiça rápida, que é o que os políticos e a sociedade efetivamente querem; ou não?

sugiro criar quatro TRFs para cada Estado

analucia (Bacharel - Família)

sugiro criar quatro TRFs para cada Estado.
Em Sergipe proponho seis TRFs, no mínimo.
Vamos nessa farra de TRFs.....

É verdade.

Luís Eduardo (Advogado Autônomo)

Caro Professor Valente, sem querer tomar o lado do Dr. Alves, basta ver que a liminar demorou 4 meses para ser deferida, isso porque se tratava de atendimento médico. Pelas condições que narram da beneficiária a mesma poderia não ter sobrevivido para receber o tratamento. Certo é que o TRF3 tem o maior n. de processos, mas também tem uma morosidade que, com certeza, viola o preceito do tempo razoável à duração do processo. Quem judica na área sabe o quanto sofrem as partes e o advogado, menos os Poderes Públicos e suas autarquias que são os que mais querem e fazem pela morosidade, sufocando os jurisdicionados e os próprios magistrados, com sem números de recursos, mas alguns magistrados também colaboram, por não aceitarem jurisprudência consolidada no STJ e STF, preferindo o entendimento pessoal da interpretação da lei, dando azo a outro sem número de recursos pela parte prejudicada.

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