Consultor Jurídico

Artigos

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Independência funcional

Prerrogativas do MP são garantias de atuação imparcial

Por 

Nos últimos dias, o Congresso Nacional tem realizado inúmeras sessões com o objetivo de apreciar projetos de lei e de emenda à Constituição que atendam aos anseios da sociedade civil organizada.

Dentre as aludidas PEC's, estão em apreciação dois projetos que, à semelhança da PEC da Impunidade (PEC 37), têm potencial para alterar substancialmente a configuração do Ministério Público brasileiro, a saber, as PEC's 75/2011 e 277/2013, tratando, respectivamente, do fim da vitaliciedade para os membros do Ministério Público, permitindo a perda do cargo por decisão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), e da ampliação do rol de membros do CNMP, incluindo representantes da polícia, da Defensoria Pública e da Advocacia Geral da União.

As prerrogativas conferidas aos membros do MP — vitaliciedade, inamovibilidade, irredutibilidade de vencimentos, além da independência funcional — não são privilégios, mas garantias de atuação imparcial e destemida por parte dos membros do MP, incumbidos da defesa de direitos como o patrimônio público, meio ambiente, e outros direitos fundamentais, mormente em favor de minorias como quilombolas, indígenas, dentre outras.

Quanto à PEC 277/2013, tem-se que, ao incluir na composição do CNMP a AGU, a polícia e a Defensoria Pública, ampliando, ainda, a quantidade de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Legislativo, ofende ao princípio da separação de poderes, ao implicar uma desproporcional interferência de membros do Poder Executivo (AGU, polícia e Defensoria) e Legislativo no Ministério Público.

A justificativa da PEC 277/2013, apresentada pelo deputado Bernardo Santana de Vasconcelos, mais uma vez demonstra o descontentamento de setores da polícia com o poder/dever de investigação do MP, ao questionar as Resoluções 13/2006 e 20/2007 do CNMP, que regulamentam o poder de investigação do MP, como um exemplo de “excesso” cometido pela atual composição do CNMP e que precisaria ser combatido supostamente mediante a ampliação da composição do órgão.

Se é consentâneo com o Estado Democrático de Direito que a advocacia pública, Defensoria Pública, OAB e polícia representem ao CNMP eventuais faltas funcionais de membros do MP, não se coaduna com o princípio da separação de poderes que essas mesmas entidades integrem o aludido Conselho, julgando a atuação de membros do MP, muitas vezes contrárias aos interesses do Poder Executivo e das corporações.

Se existe uma crise da Justiça ou do Ministério Público, por excessos ou abusos cometidos por alguns de seus membros, a solução dessa crise não passa por retirar do MP a sua nota essencial: a independência de seus membros.

Faz-se mister que a sociedade acompanhe de forma atenta os projetos de lei e de emenda à Constituição apreciados em regime de urgência pelo Legislativo para que, com o objetivo de atender aos anseios da sociedade, o Congresso Nacional não acarrete o enfraquecimento e esvaziamento do Ministério Público brasileiro, instituição incumbida de proteger os direitos individuais, coletivos e difusos, com prejuízos irreversíveis ao Estado Democrático de Direito.

 é procuradora da República em Resende, Rio de Janeiro.

Revista Consultor Jurídico, 16 de julho de 2013, 7h00

Comentários de leitores

7 comentários

A vitaliciedade é punir corrupto com uma aposentadoria gorda

matérias jurídicas (Delegado de Polícia Federal)

É inconcebível que se puna um juiz ou procurador corrupto com uma pena de aposentadoria. A vitaliciedade é autorizar que um corrupto fique no cargo, mesmo depois de condenado no processo administrativo pelos seus pares. Este corrupto somente sairá do cargo após o trânsito em julgado de 3 ou 4 instâncias da ação que sabe Deus se será interposta contra ele. Outra questão: o CNMP era pra um controle externo, ocorre a grande maioria de seus membros são de colegas (procuradores e promotores) daquele que está sendo julgado. Desse modo como está hoje o CNMP é no máximo um controle interno, para ser um controle externo tem que ter na composição ao menos a maioria de pessoas de fora dos quadros do Ministério Público. A PEC do deputado Bernardo Vasconcellos é justa e séria. Todavia para o MP, qualquer proposta que seja contra os seus interesses corporativistas é algo abominável. Está na hora do MP ao menos tentar fazer uma auto-crítica, sob pena vir a enfrentar outros projetos legislativos mais gravosos no futuro.

Vai comer e se lambuzar

JUNIOR - CONSULTOR NEGÓCIOS (Professor)

Com o episódio de Piraquara, no Paraná, dá-se início o "descontrole" do MP na seara investigativa, entre outros tantos abusos que estão provavelmente "engavetados". Sobre o caso, quem fiscaliza o fiscal, o próprio fiscal?
Vai chegar uma hora que alguma cabeça pensante do MP vai perceber que deram um tiro no pé e lá já se foi o prestígio que possuíam.
Sugiro que os delegados de polícia mandem todos os procedimentos policiais ao MP e peçam para eles se pronunciarem quais eles pretendem "tocar", bem como encaminhar a população para lá para as providências serem feitas em sede de MP.
Sobre o texto, perceptível que não querem transparência na atuação e nem oxigenação no CNMP.

E os outros.

Bellbird (Funcionário público)

Então todo o servidor deveria ter vitaliciedade. Imagina tentar mudar um sindicato que tem apoio do chefe? E a policia então?

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 24/07/2013.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.