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Telhado de vidro

Sindicatos devem ter vida autônoma e independente

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A greve geral convocada pelas centrais sindicais nesta quinta feira, 11 de julho, chamado Dia Nacional de Lutas, pareceu não usufruir da mesma sintonia de conteúdo se comparada às recentes manifestações que tomaram as ruas das principais cidades do país que, marcadas, pela ausência de liderança, permitiu todo e  qualquer tipo de expressão de  insatisfação. Todavia, quando o movimento tem rótulo sindical e trabalhista, exige uma avaliação política das organizações de comando e dos respectivos responsáveis.

No mundo sindical, de início, constata-se que os presidentes das centrais não são efetivamente líderes daqueles que supostamente alegam conduzir: a carga ideológica das centrais é incompatível com a prática de sindicalismo único porque supõe o pluralismo na organização sindical de base, com reconhecimento da liberdade sindical, prevista na Convenção 87 da Organização Internacional do Trabalho. Os trabalhadores não entendem a utilidade das centrais, embora sejam sustentadas com parte da contribuição sindical do dia anual de salário, fazendo-se passar por órgão de representação dos trabalhadores quando, na verdade, representam sindicatos ideologicamente afinados.

Depois, o conteúdo de uma manifestação destinada a paralisar o país deve apresentar o mínimo de consistência. Hoje, a motivação dos líderes  para paralisação volta-se à necessidade de figurar ao dos movimentos sociais de indignação do que propriamente com a condução política em todos os níveis da gestão pública, invadida por oportunismos e pela corrupção generalizada. Será que os sindicatos e as centrais teriam coragem de debater publicamente esses temas, expondo suas próprias chagas?

As centrais sindicais incorporaram a herança histórica do sindicalismo cartorário, sem lastro de legítima representatividade, aproveitando-se do momento histórico do país para motivar trabalhadores a cruzarem os braços e saírem às ruas para engrossar o Dia Nacional de Lutas. As paralisações significativas que possam ter ocorrido invocam palavra de ordem sobre temas genéricos tais como redução de jornada de trabalho, melhoria de transporte público, assistência médica e outros comuns há algum tempo nos debates públicos.

Entretanto, o momento deve levar a uma reflexão maior do movimento sindical: chegou a hora de os sindicatos promoverem sua própria revolução, saindo das saias do governo e buscando vida autônoma e independente. Para quem tem telhado de vidro, a liderança de movimento de indignação sempre será vista como fato sem ressonância capaz de gerar uma efetiva revolução no modelo político. A greve geral passa e a vida continua na mesma batida.

 é advogado trabalhista, professor da PUC-SP e da FGV e sócio do Paulo Sergio João Advogados.

Revista Consultor Jurídico, 12 de julho de 2013, 14h16

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