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Preocupação extra

Violência contra comunidade jurídica alarma EUA

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Há mais um curso que advogados e promotores americanos terão de fazer, se derem ouvidos a ABA (American Bar Association): segurança pessoal. Vem crescendo, de forma preocupante, o número de atentados à vida de profissionais que atuam nas áreas criminal, de família e todo tipo de contencioso, de acordo com o Jornal da ABA e o The Wall Street Journal.

De uma maneira geral, as vítimas são os profissionais que lidam com "encrencas" que, no passado, eram resolvidas à bala. As pessoas aprenderam, com o tempo, a levar seus litígios à Justiça. Mas nem todas aprenderam a lidar com as frustrações da derrota nos tribunais. E o sentimento de vingança continua a ser resolvido de acordo com a lei do Velho Oeste, com uma diferença: ele extrapola o imbróglio entre as partes e se volta contra advogados, promotores e juízes.

Os jornais citam os dois casos mais recentes. Em Delaware, um promotor foi assassinado "em um estilo execução", quando fazia seu caminho de todos os dias, do estacionamento para o fórum. No Arizona, um advogado e seu cliente não tiveram tempo de celebrar uma vitória no tribunal. Foram assassinados na área de recepção do prédio do escritório pelo perdedor do julgamento, que envolvia uma disputa judicial, entre empresários, por US$ 17 mil. O advogado era presidente da seccional da ABA no estado.

Nos Estados Unidos, os tribunais dispõem de sistemas de segurança semelhantes ao de seus aeroportos. Mas, fora deles, advogados, promotores e juízes estão por conta própria. Por isso, a ABA recomenda aos profissionais da comunidade jurídica que façam treinamentos em segurança pessoal e adotem medidas de precaução para se protegerem.

O jornal da ABA ouviu o consultor de segurança Anthony Roman, de uma firma de Nova York que aconselha firmas de advocacia e outras empresas, sobre essas preocupações. O consultor diz que a primeira coisa que os profissionais devem fazer é se dar conta que o problema existe. E se acostumarem a avaliar os casos e as pessoas que estão envolvidas nos processos, sob o aspecto da segurança pessoal e de suas famílias. Estar prevenido evita surpresas, ele diz.

"Não é preciso ceder ao medo, mas é importante ter consciência das circunstâncias, levar em consideração os sinais e os sintomas de possíveis problemas, para lidar com eles a tempo. Muitas pessoas fazem isso instintivamente, mas um treinamento pode ajudar", afirma. Muitos profissionais também ignoram ameaças, o que não pode acontecer, diz o consultor.

Uma vez identificado o perigo, nomes e fotos devem ser colocados no banco de dados do escritório. A tecnologia moderna possibilita a câmaras checar visitantes contra o banco de dados. "Isso não envolve apenas criminosos comuns. Criminosos de colarinho branco também são perigosos", ele adverte. Em caso de dúvida, uma investigação de antecedentes criminais pode ajudar.

Em reuniões fora do escritório, particularmente quando partes contrárias estão presentes, os advogados devem aprender a ler o termômetro da temperatura emocional do ambiente. E devem ter um plano para essas situações. Um dos planos é fazer uma pausa na reunião, para abaixar a temperatura. Outro é simplesmente encerrar a reunião, apresentando qualquer motivo, e remarcá-la para outra data, para a qual poderá ter um esquema de segurança para lhe dar cobertura.

A questão da segurança dos profissionais da comunidade jurídica é universal, mas nos Estados Unidos tomou proporções um tanto alarmantes — provavelmente derivada da paranoia geral que tomou conta do país após os atentados contra as Torres Gêmeas de Nova York. O consultor disse ao jornal da ABA que muitos advogados instalaram em seus carros um sistema de ignição à distância. Se o carro explodir, quando for ligado, pelo menos não estarão dentro dele.

Muitos advogados, promotores e juízes também estão instalando sistemas de segurança de alta qualidade em suas casas e em volta delas, com alertas disparando quando alguém cruza o perímetro de suas residências, chegam à qualquer porta, janela, telhado ou entrada para o porão. Estão usando sistemas conectados com uma torre de telefonia celular, em vez de cabos que podem ser cortados.

Todos os funcionários do escritório, bem como todos os membros da família, incluindo as crianças, estão sendo treinados em segurança, diz o consultor. As crianças aprendem a ficar alertas em ambientes fora de casa, dar notícias de seus paradeiros frequentemente e carregar telefones celulares, para comunicar qualquer situação suspeita. "Isso passou a fazer parte da vida das famílias americanas, de uma maneira geral", diz o consultor. 

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 17 de fevereiro de 2013, 10h55

Comentários de leitores

1 comentário

Preocupante!

Shen Rochus Mingli (Advogado Assalariado)

Como sempre o sr. Ozório nos brinda com excelentes artigos. Aqui no Brasil a tramitação no legislativo emperrou, a tão aguardada lei que permite aos advogados portarem armas e poderem se defender. No nosso estado (do Nordeste), crimes que acontecem contra advogados não são divulgados (como um advogado que recebeu uma saraivada de tiros enquanto estava se exercitando na academia, outro que teve seus testículos arrancados, forçado a engoli-los, trancafiado no porta malas e tendo o veículo sido incendiado, ou o prosaico caso de uma senhora que rogou uma praga terrível contra um advogado na saída do fórum e que poucos meses depois teve uma morte terrível (da mesma maneira que o falecido marido da senhora em questão). Num estado da região Sudeste, recentemente um advogado e sua cliente foram alvejados dentro do fórum (apenas o advogado morreu). Nos EUA, advogados são odiados (mas armas são permitidas, principalmente no Texas). Mas é sempre bom lembrar (e cultivar), cortesia e prudência (sábios conselhos de um nobre articulista) no trato pessoal e profissional.

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