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Um manual de uso da lógica e das técnicas de persuasão

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O Direito é uma ciência; a advocacia, uma arte, cujo instrumento principal é a lógica, com o auxílio da retórica e da dialética. Assim define o advogado e professor Edmundo Dantès Nascimento, de volta às livrarias com a 6ª edição de Lógica Aplicada à Advocacia Técnica de Persuasão, pela Editora Saraiva. O livro não tem a pretensão de se apresentar como um curso de lógica jurídica, mas é exatamente nessa aparente restrição que reside sua importância e o torna uma obra essencial para estudantes e jovens advogados.

Ao longo das 310 páginas do livro é nítida a preocupação do autor em oferecer ao leitor um caminho seguro para a aplicação imediata da lógica no exercício da advocacia. Significa, em outras palavras, facilitar o encontro entre aqueles que não estudaram lógica com a arte de raciocinar corretamente e refutar os raciocínios incorretos no trabalho diário de "requerer, responder, recorrer, argumentar e refutar argumentos".

Com longos anos de experiência como advogado, examinador da OAB de São Paulo e professor universitário, Dantés Nascimento diz que é visível a mudança no perfil de uma categoria de profissionais liberais, que sempre se destacou por reunir grandes inteligências do Brasil e do mundo. Para ele, o abuso na utilização de "formulários" tem afetado de forma significativa o espírito criador de jovens advogados, transformando-os "em meros preenchedores de espaços vazios", com formas rígidas e quase sempre incorretas.  "Sem raciocínio, sem técnica de linguagem e de argumentação, sem estudo de doutrina, o bacharel será, como diz Cícero, um rábula", afirma.

Ele situa o raciocínio e a expressão como os elementos essenciais à advocacia e destaca a estreita ligação entre a lógica, entendida como a arte de pensar ordenadamente, e a linguagem, como expressão verbal do pensamento. "Quando as palavras exprimem coisas concretas a linguagem se aproxima do pensamento; mas, quando se referem a ideias, torna-se mais difícil a aproximação", ressalta o professor. Tal dificuldade, segundo ele, é superada pela terminologia, própria de cada ciência ou até mesmo de cada profissão. "Basta consultar um dicionário de termos jurídicos para verificar que em Direito os termos tomam uma significação precisa e diferente da linguagem comum", afirma.

Nascimento confere especial atenção à linguagem, lembrando que, como um dos principais instrumentos do pensamento, qualquer imperfeição no seu emprego estará sujeita a confundir e destruir qualquer confiança em seus resultados. "O principal objeto da lógica é o raciocínio, uma operação geralmente efetuada por meio das significações das palavras", afirma. "Assim, sem bom conhecimento da significância e valor dos termos haverá risco de conclusões incorretas", alerta.

A retórica, como a arte de apresentar uma ideia ou tese de forma persuasiva, na linguagem forense, é abordada por ele na parte final do livro. Nascimento situa os elementos clássicos da retórica e lembra que, embora apareçam como novos nomes nos mais variados cursos, eles permanecem inalterados ao longo de séculos. "Não há outra forma de persuadir ou expressar pensamentos", afirma. Para ele, a busca, o encadeamento e a maneira clara e precisa de expor os argumentos representam "uma atividade lógica do espírito, de pensar antes de expressar o pensamento".

Serviço
Titulo: Lógica Aplicada à Advocacia Técnica de Persuasão
Autor: Edmundo Dantes Nascimento
Editora: Saraiva
Edição: 6 ª Edição — 2013
Número de Páginas: 309
Preço: R$ 94,00

 é editor da revista Consultor Jurídico no Rio de Janeiro.

Revista Consultor Jurídico, 11 de fevereiro de 2013, 8h44

Comentários de leitores

1 comentário

Direito virou casuísmo e politicagem, sem lógica alguma

analucia (Bacharel - Família)

o problema é que o Direito virou casuísmo e politicagem, sem lógica alguma.
Agora, apenas repetem como papagaios "dignidade humana" quando não se tem argumentos. Nem sabe a dimensão sociológica, filosófica e política deste conceito, pois apenas decoram conceitinhos em manuais e resumos.

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