Consultor Jurídico

Artigos

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Tensão no Supremo

Joaquim Barbosa deve desculpas a Ricardo Lewandowski

Por 

[Trecho de coluna originalmente publicada nos jornais Folha de S.Paulo e O Globo deste domingo (18/8)]

Na quarta, o ministro Joaquim Barbosa deveria pedir desculpas ao seu colega Ricardo Lewandowski, diante das câmeras, na corte. Todo mundo ganhará com isso, sobretudo ele e sua posição, que é a de mandar alguns mensaleiros a regimes carcerários fechados. Barbosa desqualificou como "chicana" uma posição de Lewandowski e, instado a se desculpar, encerrou a sessão, como o jogador que leva a bola para casa. Ao perder uma votação, já disse que "cada país tem o modelo e tipo de Justiça que merece", como se fora um biólogo ucraniano. Já acusara Lewandowski de alimentar "um jogo de intrigas". Já chamou de "palhaço" um jornalista que lhe fizera uma pergunta, mandando-o "chafurdar no lixo", e, há poucas semanas, retomou a melodia, chamando-o de "personagem menor". Meteu-se num debate com o ministro Dias Toffoli condenando o que supunha ser o voto do colega com um argumento dos oniscientes: "Eu sei onde quer chegar". Não sabia. Toffoli, lembrou-lhe que não tinha "capacidade premonitória" e provou: votava com ele.

Barbosa poderá vir a ser candidato a presidente da República. Mesmo que decida não entrar nessa briga, como presidente do Supremo deve respeitar o dissenso, evitando desqualificar as posições alheias, com adjetivos despiciendos. Fazendo como faz, embaraça até mesmo quem o admira.

Há ministros que se detestam, mas todos procuram manter o nível do debate. As interpelações de Barbosa baixam-no, envenenando o ambiente. Seriam coisas da vida, mas pode-se remediá-las. Na Suprema Corte americana, antes que comecem os debates (fechados) o presidente John Roberts vai para a porta da sala e começa uma sessão de gentilezas, na qual todos os juízes se cumprimentam. Na saída, ele se apressa, volta ao lugar e recomeça o ritual. Boa ideia. Evitaria a cena de salão de sinuca ocorrida depois da sessão de quinta-feira.

 é colunista do jornal O Globo e da Folha de S.Paulo

Revista Consultor Jurídico, 18 de agosto de 2013, 14h47

Comentários de leitores

16 comentários

Julga-se com paixão, ou com desprezo

Sander Fridman - Juspsiquiatria (Psquiatra)

Quem acredita que o julgamento é desapaixonado, que a razão não é instrumento dos instintos e do caráter, poderá estranhar a emotividade envolvida nos debates do STF. Mas a retórica emocional tem ganho o coração dos brasileiros, pois apela adequadamente te pela indignação geral, contra o corpo mole dos julgamentos contra o crime político organizado, sua razão ética é irretorquí el: pretende retomar decisão votada por unanimidade, inclusive por ele mesmo!?!
Da Wikipédia: "As chicanas tem por finalidade suportar os tubos, evitando os problemas causados pelas vibrações, e garantir o fluxo cruzado do fluido do casco, aumentando a convecção forçada sobre os tubos." Em linguagem sindical chamaríamos de pelegos. Como discordar de tal leitura que é mais uma de única do que uma ofensa?

Falta de postura ou de paciência?

Carmem Lílian (Advogado Associado a Escritório)

É sabido que uma boa educação e sempre importante, em especial, em uma Alta Corte do Judiciário.
Contudo,até a nós, advogados pobres e mortais, temos no ímpeto de muitos andamentos e julgamentos a vontade de dizer aos magistrados e aos serventuários da justiça: "isso mais parece uma chicana" - não dizemos, porque não podemos...rs. Essa é a verdade!
E de hipócrita, cada um tem um pouco. Não somente JB e toda a Corte.
Talvez o que falte a JB é a gentilidade do conformismo e da aceitação, característica tipicamente brasileira.
Ainda bem que alguém AINDA tem reações de inconformismo em nosso país. Tomara que não caia, também, na comodidade e deixe tudo "ir indo".
Admiro quem tem CORAGEM.
E para mim o Brasil quem tem que agradecer a postura de JB e à sua atitude de coragem. Não se acovardando ou se vendendo, como muitos o fazem.
Parabéns Ministro Joaquim Barbosa.

Negação de justiça!

Marcio Luciano Menezes Leal (Administrador)

Data vênia, mas que o Lewandoviski desde o início do julgamento tem feito corpo mole com os mensaleiros, tem, e nisso como diz alguns companheiros, o Barbosão está cheio de razão, pois a nação não aguenta mais tantos recursos dos recursos dos recursos, repetitivos, de coisas superadas nos julgamentos unânimes procedidos anteriormente. A nação não aguenta mais a justiça lenta para os pobres e poderosa/protetora em sua lerdeza de julgamento repetitivo, para os ricos/poderosos.
Marcio Leal
(Copacabana-Rio)

Ver todos comentários

Comentários encerrados em 26/08/2013.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.