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Comentários de leitores

6 comentários

Não se está diante da falácia da irrecorribilidade [2]

Pedro Arcain Riccetto (Estudante de Direito)

Complementa-se: a discussão se limita à segunda instância. Sendo a hipótese de adoção das vias recursais excepcionais, cabe à parte recorrer ao STF ou STJ, conforme lhe convier. Isso acaba por afastar o argumento de que "não se permitiria renovar a jurisprudência dominante, porque teses diversas àquelas já adotadas nem ao menos atingiriam instâncias mais elevadas". Assim, não se torna a decisão do magistrado de primeiro grau irrecorrível, mas tão-só obstado novo julgamento pelo respectivo Tribunal.

Não se está diante da falácia da irrecorribilidade

Pedro Arcain Riccetto (Estudante de Direito)

Não se trata de buscar algo que se assemelhe a uma “monarquia” do juiz de primeiro grau ou mesmo de desnecessidade de confirmação de posicionamento em segunda instância. Note bem que o que se pretende é obstar a recorribilidade de toda e qualquer decisão proferida, ainda que fundada em direito inverossímil, cuja reforma seria de todo incerta. O duplo grau de jurisdição se manteria, todavia de forma temperada. Aqui vale frisar que ao vedar-se o recurso à decisão de primeiro grau que se funde em jurisprudência amplamente pacificada ou em questões de direito de baixa complexidade estar-se-ia garantindo ao autor o devido processo legal, mediante prestação jurisdicional mais célere, eis que desnecessária a revisão por corte de maior hierarquia. Se os tribunais superiores já assentaram determinado entendimento, quer dizer que a matéria foi amplamente debatida é fruto de não só uma nova opinião, mas várias. Mais uma vez se adentra na força normativa do precedente, aplicável também à primeira instância, e que vem ganhando força na nossa “civil law”, inclusive com regulamentação no próprio projeto do Código de Processo Civil.
Novamente reiteramos que o objetivo não é afastar o direito de recorrer, mas sim o direito de recorrer de tudo. Restringindo as hipóteses de interposição de recurso nos casos pontuais já citados, não se pode dizer que a falta de experiência do magistrado em primeira instância afastaria a boa prestação jurisdicional, porque se estaria diante de problemática estável ou que não exige grande construção hermenêutica. Volto a afirmar que possui o juiz de primeiro grau condição técnica à resolução da lide, além de ser íntimo à prova produzida, o que o torna apto, sem prejuízo aos jurisdicionados, a decidir em definitivo.

Duplo grau de jurisdição é garantia constitucional necessári

Jorge Haddad - Advogado tributarista (Advogado Sócio de Escritório - Tributária)

O duplo grau de jurisdição é garantia constitucional à segurança jurídica como direito fundamental. Está em consonância com os tratados internacionais sobre direitos humanos aos quais o Brasil aderiu, tendo sido elevado ao patamar de garantia constitucional pelo art. 5º, LXXVIII e seus parágrafos. Portanto, é cláusula pétrea e não pode ser extinto nem por Emenda Constitucional, muito menos por lei ordinária.

Não há inivaç~es no CPC

regina m.c. neves (Advogado Autônomo - Criminal)

Boa noite
ao Nobre Colega
Ademilsom Pereira Diniz
Deixo aqui os meus mais sinceros PARABÉNS ao seu lúcido comentário.
Faço minhas, suas palavras
principalmente quanto aos juizes de primeiro grau.
Bem. Não preciso adicionar mais nada.
Deixo o meu grande abraço

A falácia da irrecorribilidade....

Ademilson Pereira Diniz (Advogado Autônomo - Civil)

O problema da lentidão da justiça -- este que é o mote que consola os 'juristas' que embrulham em papel de seda esse projeto de CPC --,, é o excesso de litigiosidade do principal cliente do JUDICIÁRIO, que é o 'ESTADO' (federal, estadual, municipal e seus entes estatais e para-estatais), bem como o excesso de 'zelo' do Ministério Público que tem evoluções orgásticas em recorrer de tudo, mesmo quando as instâncias da justiça estadual vêm de absolver réus em casos de somenos. Mas, a miopia de 'operadores do Direito' (uma expressão que soa quase obscena além de não ter nenhum significado), além de não atinarem com o real problema, ficam a apontar a existência de RECURSOS, como o bicho papão da máquina judiciária...Ledo engano, e, sobretudo, não se pode criar a 'monarquia' dos juízes de primeiro grau que passariam a agir como verdadeiros 'reizinhos'em suas Comarcas do interior do país (já vemos em sobejo o que hoje ocorre pelo fato de alguns juízes se julgarem verdadeiros IMPERADORES de suas 'paróquias' -- eles assim entendem as Comarcas onde judicam). Por outro lado, é necessário, sim, o duplo grau de jurisdição, não por uma questão de convencimento (psicológico) da parte(e não é esse, afinal, o fundamento dos recursos), mas por se pressupor que duas apreciações sobre o mesmo problema, no mesmo sentido, dará mais segurança à vida social. Mesmo na medicina, vigora o pensamento de que sempre se deverá ouvir uma segunda opinião, porque, é óbvio, não se pode confiar na infalibilidade humana, muito menos de juízes de primeiro grau, às vezes garotos que mal saíram dos cueiros e que só conhecem a vida através de leituras plácidas em noites calmas no recesso de seus lares aconchegantes de classe média.

novo CPC vai piorar a situação, pois não resolve questões

daniel (Outros - Administrativa)

novo CPC vai piorar a situação, pois não resolve questões cruciais como a justiça gratuita. E ainda cria a figura no art. 185 do Super Defensor que pode atuar em nome próprio e sem comprovar a carência, uma espécie de fiscal dos pobres...

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