Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Indulto pleno

Cabo Bruno é assassinado após sair da cadeia

O ex-policial militar Florisvaldo de Oliveira, o Cabo Bruno, de 53 anos, foi executado na noite da última quarta-feira (26/9), em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, por volta das 23h45, quando voltava para casa, após participar de um culto na cidade de Aparecida (SP). Ele estava em liberdade há 35 dias, depois de cumprir 27 anos de prisão. Segundo o Tribunal de Justiça, o ex-policial foi condenado a 120 anos de prisão por chefiar um esquadrão da morte que atuava na periferia de São Paulo na década de 1980. Em agosto, ele foi beneficiado pela lei do indulto pleno. As informações são do portal de notícias G1.

Segundo o advogado de defesa do policial, o grupo foi responsável por mais de 50 assassinatos. Cabo Bruno foi condenado por menos de 20 deles. Ao longo dos anos, a pena foi reduzida de forma progressiva, levando em conta trabalhos e bom comportamento do preso na cadeia.

O tenente da PM, Mario Tonini, afirmou: "Foram vários disparos só contra ele e tudo indica que foi uma execução, mas ainda depende da investigação da Polícia Civil". O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Pindamonhangaba, onde permanece até a manhã desta quinta-feira (27).

Progressão da pena
Em 2009, o advogado de defesa pediu a progressão da pena do Cabo Bruno do regime fechado para o semiaberto. O ex-PM cumpria pena desde 2002. Os exames criminológicos apontaram bom comportamento do preso, que atuava como pastor na prisão.

Em 14 de agosto de 2012, o promotor Paulo José de Palma, responsável pelo processo do Cabo Bruno, encaminhou um parecer favorável ao indulto para a decisão final da Vara Criminal. Junto com o parecer do promotor, baseado em lei que prevê a liberdade definitiva para presos com bom comportamento e com mais de 20 anos de prisão cumpridos, foram encaminhados documentos com elogios de funcionários e da própria direção da P2 sobre a sua conduta na unidade.

Em agosto, na saída temporária dos presos no Dia dos Pais, o cabo deixou a penitenciária pela primeira vez. Após 27 anos de prisão, ele deixou a penitenciária no dia 23 de agosto.

Prisões e fugas
Cabo Bruno foi preso pela primeira vez em 1983 e levado para o presídio militar Romão Gomes, na capital paulista. Entre 1983 e 1990, o ex-policial militar fugiu três vezes da unidade, sendo uma delas depois de fazer funcionários reféns. Em maio de 1991, foi recapturado pela quarta vez, e nunca mais saiu.

Em junho de 1991, foi levado para a Casa de Custódia de Taubaté, onde ficou preso até 1996. Dentro da unidade, onde nasceu uma das principais facções criminosas do Estado, o ex-policial permaneceu mais de cinco anos em uma cela isolada, 24 horas por dia longe dos demais presos.

Em 1996, foi levado para o Centro de Observação Criminológica, onde ficou até 2002, quando foi transferido para a P2 de Tremembé. Em 2009 ele passou do pavilhão do regime fechado da P2 para o semiaberto, dentro da mesma unidade.

Revista Consultor Jurídico, 27 de setembro de 2012, 16h57

Comentários de leitores

2 comentários

Menos, menos com essa história de país sério.

Ramiro. (Advogado Autônomo)

Essa história de país sério para tentar justificar prisões ad infinitum, não é assim que a banda toca quando se combate crime organizado.
Há casos de assassinos de dezenas que cumprem penas mínimas nos EUA quando contribuem para pegar os grandes.
Como a memória é falha, tive de pesquisar na Intenet algum caso...
http://en.wikipedia.org/wiki/Joe_Gallo
virou livro.
http://www.amazon.com/Joey-Hitman-Autobiography-Adrenaline-Classics/dp/B001G8WL7K
Os desfechos são muito parecidos.
A propósito topei com a informação abaixo.
http://truthinjustice.org/blood-bargain.htm
Em Direito Penal, em investigação criminal não há lugar para santos, em algum momento vai ter se dançar com o capeta, e como disse determinado ex gangster, recrutado como informante a título de redução de pena, quando você começa a dançar com o diabo, você não o conduz, o diabo tenta conduzir você...
Por óbvio que é uma história parecida com outras do Brasil, basta lembrar Escadinha, Carlinhos Gordo, isso só em primeira memória.
No final, mais que frase de filme, parece que é da humanidade:"para poder rir tem de fazer rir primeiro".

Se fosse num país sério...

Axel (Bacharel)

Se vivêssemos num país sério, um bandido com vinte homicídios nas costas nunca mais sairia da cadeia. Mas na bananolândia...

Comentários encerrados em 05/10/2012.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.