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Sistema prisional

Confira a nova lei de acompanhamento da execução

Com o objetivo de evitar que as pessoas fiquem presas por tempo superior àquele previsto em lei ou determinado pelo juiz, foi sanscionada na última sexta-feira (14/9) a Lei 12.714/12.

De acordo com a nova legislação, o sistema deverá conter ferramentas que informem automaticamente aos juízes as datas do término do cumprimento da pena.

Veja a lei na íntegra:

LEI Nº 12.714, DE 14 DE SETEMBRO DE 2012.
Dispõe sobre o sistema de acompanhamento da execução das penas, da prisão cautelar e da medida de segurança.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o Os dados e as informações da execução da pena, da prisão cautelar e da medida de segurança deverão ser mantidos e atualizados em sistema informatizado de acompanhamento da execução da pena.

§ 1o Os sistemas informatizados de que trata o caput serão, preferencialmente, de tipo aberto.

§ 2o Considera-se sistema ou programa aberto aquele cuja licença de uso não restrinja sob nenhum aspecto a sua cessão, distribuição, utilização ou modificação, assegurando ao usuário o acesso irrestrito e sem custos adicionais ao seu código fonte e documentação associada, permitindo a sua modificação parcial ou total, garantindo-se os direitos autorais do programador.

§ 3o Os dados e as informações previstos no caput serão acompanhados pelo magistrado, pelo representante do Ministério Público e pelo defensor e estarão disponíveis à pessoa presa ou custodiada.

§ 4o O sistema de que trata o caput deverá permitir o cadastramento do defensor, dos representantes dos conselhos penitenciários estaduais e do Distrito Federal e dos conselhos da comunidade para acesso aos dados e informações.

Art. 2o O sistema previsto no art. 1o deverá conter o registro dos seguintes dados e informações:

I - nome, filiação, data de nascimento e sexo;

II - data da prisão ou da internação;

III - comunicação da prisão à família e ao defensor;

IV - tipo penal e pena em abstrato;

V - tempo de condenação ou da medida aplicada;

VI - dias de trabalho ou estudo;

VII - dias remidos;

VIII - atestado de comportamento carcerário expedido pelo diretor do estabelecimento prisional;

IX - faltas graves;

X - exame de cessação de periculosidade, no caso de medida de segurança; e

XI - utilização de equipamento de monitoração eletrônica pelo condenado.

Art. 3o  O lançamento dos dados ou das informações de que trata o art. 2o ficará sob a responsabilidade:

I - da autoridade policial, por ocasião da prisão, quanto ao disposto nos incisos I a IV do caput do art. 2o;

II - do magistrado que proferir a decisão ou acórdão, quanto ao disposto nos incisos V, VII e XI do caput do art. 2o;

III - do diretor do estabelecimento prisional, quanto ao disposto nos incisos VI, VIII e IX do caput do art. 2o; e

IV - do diretor da unidade de internação, quanto ao disposto no inciso X do caput do art. 2o.

Parágrafo único.  Os dados e informações previstos no inciso II do caput do art. 2o poderão, a qualquer momento, ser revistos pelo magistrado.

Art. 4o  O sistema referido no art. 1o deverá conter ferramentas que:

I - informem as datas estipuladas para:

a) conclusão do inquérito;

b) oferecimento da denúncia;

c) obtenção da progressão de regime;

d) concessão do livramento condicional;

e) realização do exame de cessação de periculosidade; e

f) enquadramento nas hipóteses de indulto ou de comutação de pena;

II - calculem a remição da pena; e

III - identifiquem a existência de outros processos em que tenha sido determinada a prisão do réu ou acusado.

§ 1o  O sistema deverá ser programado para informar tempestiva e automaticamente, por aviso eletrônico, as datas mencionadas no inciso I do caput:

I - ao magistrado responsável pela investigação criminal, processo penal ou execução da pena ou cumprimento da medida de segurança;

II -  ao Ministério Público; e

III - ao defensor.

§ 2o Recebido o aviso previsto no § 1o, o magistrado verificará o cumprimento das condições legalmente previstas para soltura ou concessão de outros benefícios à pessoa presa ou custodiada e dará vista ao Ministério Público.

Art. 5o  O Poder Executivo federal instituirá sistema nacional, visando à interoperabilidade das bases de dados e informações dos sistemas informatizados instituídos pelos Estados e pelo Distrito Federal.

Parágrafo único.  A União poderá apoiar os Estados e o Distrito Federal no desenvolvimento, implementação e adequação de sistemas próprios que permitam interoperabilidade com o sistema nacional de que trata o caput.

Art. 6o  Esta Lei entra em vigor após decorridos 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias de sua publicação oficial.

Brasília, 14 de setembro de 2012; 191o da Independência e 124o da República.

DILMA ROUSSEFFJosé Eduardo Cardozo

Maria do Rosário Nunes

Revista Consultor Jurídico, 19 de setembro de 2012, 17h15

Comentários de leitores

3 comentários

Lei

andreluizg (Advogado Autônomo - Tributária)

A próxima coisa que temos de fazer é terminar ou reduzir a aplicação desses regimes de cumprimento de pena... São piada de estudante comunista de 2ª categoria. Todos sabem que não funcionam, e, ainda assim, mesmo com base em todos as estatísticas assustadoras, da altíssima taxa de retorno carcerário no Brasil, seus defensores as apregoam.
Acho que precisamos trocar a cadeira de filosofia do curso de direito por matemática estatística. Faria um bem...

Dr. Ribas - delegado-

Fernando José Gonçalves (Advogado Sócio de Escritório)

Mas, Doutor Delegado, imagine se nesta lei também se previsse a impossibilidade de mantença do acusado nas Delegacias, após a conclusão do I.Policial, como justa e coerentemente reivindica V. Senhoria ? Já imaginou quantos novos presídios haveriam de ser construídos ? Pois é, isso é exatamente o que NUNCA SE FEZ; NÃO SE QUER FAZER E JAMAIS SERÁ FEITO: INVESTIR EM ESTABELECIMENTOS PRISIONAIS. Sds.

Nova lei

Ribas do Rio Pardo (Delegado de Polícia Estadual)

Por preconceito ou ignorância afastou a autoridade policial da execução da pena, a colocando como mero alimentador de dados. Infelizmente também não se proibiu de uma vez por todas a manutenção do preso em delegcia após a conclusão do inquérito policial, o que desanima, uma vez que a Secretaria dos Direitos Humanos participarou da elaboração da lei. Outro fato lamentável é que nada acrescentou sobre os reeducandos cumprindo pena nos regimes aberto e semi aberto. Parece que apenas o encarcerado é sujeito de direitos. Participo de um grupo de trabalho na minha cidade e a grande dificuldade é afastar o pre-conceito e convencer os empresarios a contrata egressos. O Governo Federal e o Estadul se preocupam com o desencarceramento com vistas a não investir em prisões, mas abandonados os egresos voltam a delinquir, recebem penas maiores ainda aumentando o tempo de permanência na prisão e superlotando presidios e delegacias. Só é possível impedir a reincidência assistindo o egresso nos dois anos seguintes a sua colocação em liberdade. De outro modo vira um circulo vicioso.

Comentários encerrados em 27/09/2012.
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