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Verbas questionados

Fux rejeita ação popular contra benefícios de juízes

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O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou, na última quarta-feira (28/3), a Ação Popular contra a norma dá a juízes alguns benefícios concedidos a membros do Ministério Público por lei. Impetrada por um procurador federal, a ação questiona a Resolução 133/2011 do Conselho Nacional de Justiça.

O ministro Fux nega provimento à petição inicial “por manifesta impossibilidade de manejo da Ação Popular para o objetivo pretendido pelo demandante de sustação de atos normativos”. A decisão cita o artigo 297, inciso I, do Código de Processo Civil: “extingue-se o processo, sem resolução de mérito, quando o juiz indeferir a petição inicial”. Monocrática, a decisão não entra no ofício da ação.

A ação questionava o fato de o CNJ ter dado, administrativamente, benefícios que estão previstos na Lei Orgânica do Ministério Público a juízes. Segundo consta na ação, apenas a legislação pode tratar da remuneração de servidores públicos e, no caso de juízes, o assunto deve ser abordado pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).

O texto do CNJ dá, entre outras verbas, auxílio-alimentação, diárias por viagens e a venda de férias não gozadas. AindaDe acordo com a ação, só com os juízes federais, os cofres públicos serão lesados em R$ 82 milhões por ano.

Com a negativa da ação, o ministro Fux fez o que pediu a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). Na segunda-feira (26/3), a entidade entrou com pedido para ser assistente dos réus junto à Ação Popular. Alegou que a ação tem “a mascarada pretensão” de “transformar a Ação Popular em Ação Direta de Inconstitucionalidade”. Isso porque, segundo a entidade de juízes, ações populares devem se dirigir especificamente a atos ou personalidades (por exemplo, os conselheiros do CNJ), mas não podem questionar resoluções, em tese.

O procurador federal Carlos André Studart Pereira, que assina a Ação Popular, diz, por e-mail, que vai recorrer da decisão, mas que não pode comentar o caso por não ter tido acesso aos autos. Ele acredita que houve um "equívoco por parte do relator", já que o fato atacado foi especificado (a resolução do CNJ).

"De fato, não tinha como especificar todos os demais dela decorrentes (tribunais locais). Não se poderia exigir isso de um cidadão, que apenas buscou, com essa ação, evitar prejuízo ao erário. A Constituição da República assim prevê: qualquer cidadão é parte legítima para propor Ação Popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público", declarou.

Mesmo objeto
A Resolução 133/2011 do CNJ também é atacada pela Advocacia-Geral da União. Em Ação Cível Originária ajuizada também no STF, o órgão pede que seja declarada a inconstitucionalidade da regra.

Os argumentos são semelhantes aos apresentados na outra ação, mas a abrangência é menor. A ACO lista o Conselho da Justiça Federal, o Tribunal Superior do Trabalho e o Superior Tribunal Militar no polo passivo do processo, enquanto a primeira ação abrange todo o território nacional.

A relatoria do processo da AGU está com o ministro Luiz Fux, por suposta prevenção em relação à ação do procurador Carlos Studart e devido à suspeição alegada pela ministra Rosa Weber, a quem o processo foi distribuído originalmente.

ACO 1725

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 29 de março de 2012, 17h48

Comentários de leitores

23 comentários

Leonardo Couceiro.

Andre Colares (Advogado Autônomo - Tributária)

O Juiz Federal Leonardo Couceiro tem razão, comparar um juiz a um gari não é a solução. A punição de "aposentadoria" para juiz se é justa ou não, pouco importa, sou favorável. Um juiz não pode ter medo de condenar, nem de ser julgado pela sociedade, e talvez não exista uma cadeira com mais espinhos que a de um magistrado.
O que não concordo é que juiz se equipare a promotor, e meus clientes que são médicos do DETRAN e do Emocentro do mesmo estado, ambos médicos e desempenhando exatamente a mesma função não sejam "isônomos", assim como os assistentes sociais que no DETRAN ganham mais de R$ 4.000 e na secretaria de saúde R$ 1.700 em fim de carreira, e detalhe, foram do mesmo concurso público e cada um escolheu onde trabalhar, os que foram para o DETRAN, ótimo, os que não foram ... paciência.
O que não pode ocorrer é o despeso entre cidadãos de igual dignidade, (juiz x assistente social), porque o Juiz pode e o assistente não pode ter o mesmo direito constitucional à isonomia, direito de TODOS?
Benefícios para juízes? Voto "sim", mas voto "não" à imoralidade, e à desparidade, não de salários ou benefícios, juiz tem que receber mais do que hoje, sem dúvida.
por isso pergunto AONDE ESTÁ A ISONOMIA? é um direito que assiste à todos?

Leonardo Couceiro.

Andre Colares (Advogado Autônomo - Tributária)

O Juiz Federal Leonardo Couceiro tem razão, comparar um juiz a um gari não é a solução. A punição de "aposentadoria" para juiz se é justa ou não, pouco importa, sou favorável. Um juiz não pode ter medo de condenar, nem de ser julgado pela sociedade, e talvez não exista uma cadeira com mais espinhos que a de um magistrado.
O que não concordo é que juiz se equipare a promotor, e meus clientes que são médicos do DETRAN e do Emocentro do mesmo estado, ambos médicos e desempenhando exatamente a mesma função não sejam "isônomos", assim como os assistentes sociais que no DETRAN ganham mais de R$ 4.000 e na secretaria de saúde R$ 1.700 em fim de carreira, e detalhe, foram do mesmo concurso público e cada um escolheu onde trabalhar, os que foram para o DETRAN, ótimo, os que não foram ... paciência.
O que não pode ocorrer é o despeso entre cidadãos de igual dignidade, (juiz x assistente social), porque o Juiz pode e o assistente não pode ter o mesmo direito constitucional à isonomia, direito de TODOS?
Benefícios para juízes? Voto "sim", mas voto "não" à imoralidade, e à desparidade, não de salários ou benefícios, juiz tem que receber mais do que hoje, sem dúvida.
por isso pergunto AONDE ESTÁ A ISONOMIA? é um direito que assiste à todos?

Imparcialidade

Mário Silveira (Estudante de Direito)

A imparcialidade é impraticável em uma ação em que se julga o próprio benefício, ou seja, ser parte e juiz do processo, e que abrange toda a categoria.

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