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A mulher que sabe demais

Advogado oferece o apartamento para libertar cliente

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Acusada pela Promotoria Pública de Nova York de operar uma casa de prostituição para milionários e "figurões" da sociedade, a americana Anna Gristina, que se tornou a sensação dos tablóides do país com o cognome de "Madame", vai comparecer a uma audiência em um tribunal de Manhattan, nesta segunda-feira (12/3). O juiz vai avaliar se ela é rica ou pobre, para decidir se ela pode ou não ser assistida pela defensoria pública do estado.

Mas, no fim de semana, o advogado Peter Gleason, tornou essa decisão irrelevante. Ele declarou à imprensa que vai comparecer à audiência e oferecer seu próprio apartamento, avaliado em US$ 2,5 milhões, como garantia da fiança de US$ 2 milhões, fixada pelo tribunal para "Madame" responder o processo em liberdade.

Caberá ao juiz Juan Merchan, do Tribunal Criminal de Manhattan, aprovar essa e outras ofertas do advogado. Ele também vai propor ao juiz que Anna Gristina, 44, seus quatro filhos e seu terceiro marido, que residem em Monroe, no estado de Nova York, fiquem em seu próprio apartamento, se o juiz não quiser que ela deixe a cidade de Nova York, até que o caso seja decidido. Ele declarou ainda à imprensa que Anna Gristina concordará em usar uma tornozeleira de monitoramento eletrônico, como noticiam o New York Post e o Huff Post New York. Ela já era defendida pelo advogado Richard Siracusa.

"É extremamente raro, mas não antiético, o fato de um advogado cobrir a fiança fixada para um cliente", disse o New York Post, que entrevistou o advogado Ron Kuby, especializado em direitos civis. Kuby também vai comparecer à audiência nesta segunda-feira, segundo o Washington Post, para alegar que Gleason estava exercendo seus direitos constitucionais e agindo dentro da ética ao dar entrevista à imprensa sobre o caso e oferecer seu apartamento para cobrir a fiança. E também para ajudá-lo na defesa de Anna Gristina.

A linha de defesa de Gleason será a que ele já parcialmente declarou à imprensa: que Anna Gristina estava iniciando um serviço de encontros, o que não é ilegal. Ela negou todas as acusações e ficou especialmente indignada com as alegações da promotoria de que arranjara alguns encontros amorosos secretos entre seus clientes importantes e garotas menores de idade.

"De acordo com as regras da ética, advogados de defesa podem falar, de uma maneira geral, para responder a acusações feitas por autoridades ou publicadas pelos jornais, mas não podem fazer qualquer declaração destinada a influenciar possíveis jurados", disse o Washington Post.

O caso teve mais um desdobramento no fim de semana. A "bela loira" Jaynie Mae Baker — assim descrita pelos jornais — que estava supostamente foragida, vai se apresentar à Justiça, acompanhada pelo advogado Robert Gottlieb, definido pelo New York Post como um "advogado de grande notoriedade". Ela vai se defender das acusações de promover prostituição e explicar o funcionamento do negócio de promoção de encontros e de serviços de acompanhantes.

Segundo o processo, Anna e Jaynie foram investigadas por cinco anos. Mas as investigações foram feitas pela Unidade de Corrupção Pública da Promotoria, que processa autoridades públicas e policiais — e não pelo departamento de Polícia que reprime a prostituição. Os promotores que atuam no caso, segundo os quais Anna Gristina tem sido protegida por policiais e por funcionários de seu próprio departamento, está atrás de "figurões", possíveis clientes da "Madame", diz o New York Post. "E é isso mesmo", ela disse. "Diga nos o que queremos e nós a deixaremos ir para casa", os promotores teriam dito a ela. Aparentemente, Anna Gristina é uma mulher que sabe demais.

 é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.

Revista Consultor Jurídico, 12 de março de 2012, 18h03

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