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Imprensa e ficção

Ataque a Renato Parente gera movimento de solidariedade

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Embora não vivam, propriamente, uma lua de mel, juízes e jornalistas de Brasília uniram-se esta semana num ponto de vista comum. O consenso se deu em torno de um texto publicado pela revista Carta Capital. Ali, o jornalista Leandro Fortes faz um esforço descomunal para caracterizar o chefe do serviço de comunicação institucional do Tribunal Superior do Trabalho, Renato Parente, como uma pessoa desonesta. O que se conseguiu até agora, diferente da intenção pretendida, foi um movimento de solidariedade a Parente.

Funcionário concursado da Justiça do Trabalho, Parente atuou no Supremo Tribunal Federal, como responsável pelo serviço de imprensa dos ministros Marco Aurélio, Maurício Corrêa e Gilmar Mendes. Depois de uma passagem pelo Senado Federal, Parente chegou ao TST. Foi ele quem administrou a instalação da TV Justiça e criou algumas das mais importantes campanhas do Judiciário, como o “Começar de Novo”, destinada a garantir empregos para ex-presidiários.

Leandro Fortes tentou associar sua vítima à Fundação Renato Azeredo que, segundo a notícia tem vencido sucessivas licitações nos tribunais de Brasília. “Isso é rigorosamente impossível”, rebate Parente: “Jamais contratei, geri ou trabalhei em qualquer órgão que tenha contratado a Fundação.”

Parente é acusado também de ter burlado antes de 2008 uma formalidade burocrática, na área da comunicação, que só seria criada em 2010: exigência de diploma de curso superior para chefiar serviço de imprensa.

Em defesa da reputação de Renato Parente alguns dos nomes mais respeitáveis do Judiciário e do jornalismo manifestaram seu inconformismo, mesmo sem terem lido a reportagem da Carta Capital. “O Renato é um profissional tão compenetrado e sério que chega a ser chato”, depõe o presidente do STF, ministro Cezar Peluso, que o define como “um servidor irretocável, sempre voltado para a Instituição que serve”. No campo da imprensa, a diretora da Rede Globo em Brasília, Sílvia Faria, o descreve como “uma pessoa da maior correção”. O relacionamento com Parente, diz a jornalista “é altamente profissional e respeitoso em todas as situações — das mais burocráticas às mais delicadas”.

A ministra Eliana Calmon, corregedora do Conselho Nacional de Justiça, se disse aturdida com a notícia. “Isso é um absurdo. Uma maldade enorme.” E descreve o assessor como “excelente profissional, brilhante e antenado”. Para ela, quem quiser colocar em xeque uma reputação construída em tantas administrações deveria apresentar elementos inquestionáveis e não apenas insinuações sem provas.

Nas palavras do ministro Marco Aurélio, que presidiu o STF e o Tribunal Superior Eleitoral, seu ex-assessor é “um homem da comunicação, preocupado com a coisa pública e que encara a atividade de forma muito séria e proficiente”. O ministro aproveitou para fazer uma observação de ordem técnica: quem cuida de licitações nos tribunais não são assessores de imprensa, mas servidores especializados do quadro administrativo.

O ministro do Superior Tribunal de Justiça, Gilson Dipp, que já ocupou no CNJ a cadeira hoje ocupada por Eliana Calmon, também defendeu o assessor: "Conheci Renato Parente quando no cargo de corregedor nacional de Justiça, ocasião em que pude constatar a conduta correta, eficiente e competente com a qual trabalha".

A jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, foi mais uma profissional que fez questão de dar seu depoimento em favor da honorabilidade de Renato Parente, mesmo sem ter lido o texto da CC. “Em diferentes cargos, trabalhando com autoridades das mais diversas personalidades, ele conseguiu ser um dos assessores mais respeitados e corretos do país”.

Para Fausto Macedo, do jornal O Estado de S.Paulo, que conhece Parente há muitos anos, a honestidade do assessor é uma característica que ele exibe nos menores detalhes. “Ele nunca omite informações que sejam do interesse público, mas chega a ser contundente na hora de cobrar correção dos dados que divulga.” Esse traço de fidelidade, diz Macedo, fez de Parente um profissional respeitado. “Jamais ouvi qualquer coisa que o desabonasse.”

Bartolomeu Rodrigues, diretor da ConJur em Brasília, ex-presidente do sindicato dos Jornalistas de Brasília e ex-diretor da Sucursal do Estadão na Capital, coloca-se como um admirador do trabalho de Parente. “É um profissional impecável, rigoroso e devotado”. Bartô, como é conhecido, confessa nutrir uma ponta de inveja do colega na criação da TV Justiça. Ele destaca ainda a forma fervorosa com que Parente dedica-se às missões que recebe.

À frente do serviço de imprensa da Organização Internacional do Trabalho, Severino Goes, dono de uma carreira bem sucedida como repórter do Jornal do Brasil, Folha de S.Paulo, Gazeta Mercantil e como diretor da sucursal do Estadão em Brasília, solidarizou-se também. “Em minha atuação profissional em Brasília, de quase 35 anos, poucas vezes conheci profissionais de assessoria de imprensa que levem o trabalho tão a sério e de forma competente como Renato Parente. Primeiro, como responsável pela Comunicação do Supremo Tribunal Federal, depois do Tribunal Superior Eleitoral e, agora, no Tribunal Superior do Trabalho. A atuação de Renato Parente sempre foi pautada pelo profissionalismo e correção.”

Leia a carta de esclarecimento de Renato Parente, destinada aos ministros do STF, STJ, TST e TSE:

Brasília, 5 de março de 2012

Excelentíssimo Senhor Ministro,
A edição desta semana da revista da CartaCapital ocupa três páginas para tentar assassinar minha honra e minha reputação profissional. Num corolário de mentiras e de adjetivos maledicentes, a publicação tenta estabelecer uma fantasiosa ligação entre mim e Fundação Renato Azeredo em licitações de diversos órgãos do Poder Judiciário. Como isso seria possível se eu jamais contratei a referida fundação?

No Supremo Tribunal Federal, onde ela presta serviço desde novembro de 2011, eu trabalhei de maio de 2001 a abril de 2004 e de abril de 2008 até abril de 2010.

No Tribunal Superior Eleitoral, a entidade foi contratada em junho de 2010, ou seja, mais de 2 anos após eu haver deixado aquela Corte (abril 2008).

O que dizer, então, de instituições como o Superior Tribunal de Justiça e o Conselho Nacional de Justiça, onde jamais atuei?

O texto afirma ainda que teria assessorado o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto. Mentira. Passei em concurso público e fui nomeado em novembro de 1990 para cargo do quadro permanente do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. Jamais trabalhei direta ou indiretamente com ele. Outrossim, fui o responsável por administrar a crise de imagem decorrente do escândalo que eclodiu à época.

Quanto à suposta nomeação irregular para ocupar cargo em comissão, efetivamente, embora havendo frequentado todo o curso de Comunicação Social, por problemas pessoais, não pude colar grau.

Ressalto que o § 8º, do artigo 5º, da Lei 11.416, de 15/12/2006, dispõe textualmente que “para a investidura em cargos em comissão, ressalvadas as situações constituídas, será exigida formação superior”. Esclareço que ocupei de setembro de 1992 a abril de 2010 cargo em comissão CJ-3 (ou equivalente) no Poder Judiciário Federal: no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-SP), no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal Superior Eleitoral sem um único dia de interrupção. Ou seja, minha situação estava amparada na ressalva contida na lei. Tanto assim é que os setores competentes das áreas de Recursos Humanos dos tribunais jamais exigiram o documento.

Senhor ministro, quando aceitei, em 2001, o honroso convite do Exmo. Sr. Ministro Marco Aurélio para assumir a Comunicação Social do STF, não imaginava que, 11 anos depois, eu ainda estaria em Brasília, a colaborar com a aproximação do Poder Judiciário com a sociedade, missão essa que me foi confiada, também, pelos ministros Maurício Corrêa, Gilmar Mendes e, agora, João Oreste Dalazen e, anteriormente, por diversos presidentes do TRT-SP.

Ao longo desses anos, trabalhei muito para aprofundar a cobertura e a divulgação dos atos e decisões judiciais das Cortes onde atuei. Instalei e concebi a grade de programação da TV Justiça (2002) da Rádio Justiça (2004) e do Canal Ponto Jus (subcanal digital de conteúdo educacional da TV Justiça, em 2010), montei as agências de notícias da Justiça Eleitoral (2006) e da Justiça do Trabalho (2011), desenvolvi inúmeras campanhas institucionais, como, por exemplo, a “Vota Brasil 2006” — que teve o menor índice de abstenção da história recente das eleições gerais —, a campanha do programa “Começar de Novo” (2008, em parceria com a comunicação do CNJ) — de reinserção de egressos do sistema prisional — e a campanha do “Programa Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho” (2011). Levei, ainda, de modo pioneiro, o Poder Judiciário às redes sociais, com a página do STF no Twitter (2009), o canal do STF no YouTube (2010) e a página do TST no Facebook (2011).

Por fim, informo a Vossa Excelência que procurarei em juízo Cível e Criminal a reparação de parte do sofrimento que a revista CartaCapital está provocando em mim, em minha família e naqueles que me conhecem e sabem de minha honestidade.

Respeitosamente,
Renato Parente

 é diretor da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 5 de março de 2012, 18h03

Comentários de leitores

3 comentários

Bom nome versus necessidade de investigar

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Todos são inocentes até prova em contrário. Porém, toda acusação deve ser investigada, e não se pode utilizar o bom nome e honrabilidade do acusado para se deixar de averiguar uma denúncia, exceto se for constatado de plano a inconsistência. Obviamente, constatado o dolo daquele que acusa indevidamente, cabe ao infrator responder na esfera cível e criminal. Ao invés de reunir depoimento de nomes de peso do meio jurídico, melhor se andaria averiguando tudo de forma rápida e transparente.

Até que ponto???

JPLima (Outro)

Tudo isso nos assusta a todos. Será mesmo que o Poder não tem limites, tanto da imprensa quanto dos membros das Instituições Públicas. Afinal, que País é este que está sempre esperando pelo escândalo do dia seguinte? Estamos vivendo no Brasil a era do vale tudo, a era na qual ética e moral são apenas aspectos filosóficos e ainda assim, para uns poucos.

Uma pena

Antonio Matiello (Jornalista)

Conheço Leandro Fortes e Renato Parente. Tenho pelos dois, ademais de apreço, grande respeito profissional. Desconheço os detalhes da polêmica (não li a matéria ou coluna do Leandro na Carta Capital), mas não preciso ler a carta de esclarecimento do Renato para me solidarizar inteiramente com ele, um profissional sério e competente, com que tive o prazer de trabalhar, e aprender, em iniciativas de parceria no Poder Judiciário, quando trabalhei em entidade nacional de representação de classe. De tudo isso, só me resta lamentar o ocorrido, na esperança que os esclarecimentos satisfaçam as expectativas de quem alimenta estas por aqueles.

Comentários encerrados em 13/03/2012.
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