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Lula, Gilmar, duendes e sacis e o sistema eleitoral

Comentários de leitores

10 comentários

Jornalista e advogado de defesa do gilmar mendes

Jotaeme (Funcionário público)

O ilustre jornalista escreve um artigo defendendo o Ministro Gilmar Mendes e induz o leitor a achar que o Ministro do STF está falando a verdade e que o Presidente Lula está mentindo. Citar o currículo do Ministro Gilmar Mendes nesse artigo tem qual objetivo? É lamentável se valer da profissão para atacar o Presidente Lula e a esquerda e vangloriar o Ministro Gilmar Mendes que todos sabemos gosta de aparecer na mídia e chamar atenção. Após o envolvimento dos jornalistas da Revista Veja com o Sr. Carlinhos Cachoeira é necessário avaliar bem o que os outros jornalistas escrevem. No caso em tela, o ilustre jornalista não escreveu um artigo isento de ideologia política. Ele quer ser o dono da verdade defendendo o Ministro Gilmar Mendes sem ouvir as outras partes envolvidas. As Instituições brasileiras não tem mais credibilidade, pois todas estão envolvidas com atos de corrupção. E a nossa última esperança (A IMPRENSA) que denunciava a corrupção e nos fazia acreditar em dias melhores agora também não tem mais credibilidade, pois muitos de seus jornalistas, como o ilustre autor do texto em comento, usam sua profissão para defender pessoas que se acham donas da verdade.
Quem cometeu crime que seja punido, quer seja da direita, quer seja da esquerda. Agora o jornalista sério e isento tem que ouvir as duas partes antes de publicar um assunto de interesse do país.
Defender amigos valendo-se da profissão é falta de ética profissional.

Afirmação de Nelson Jobim continua sendo ignorada....

Ana Cabral (Servidor)

Talvez a amiga do colunista tenha realmente acusado/questionado a sua posição política por um critério inadequado. Me parece que ser esquerda, hoje, é ser contra o Lula. E o colunista declarou-se contra o Lula. Essa conclusão me faz ler com mais cuidado a sua explanação sobre a excelência do currículo do Ministro da Suprema Corte.
Segundo sua análise, parece que só necessitados ganham propinas. Poderia concluir da ampla descrição do currículo do Ministro da Suprema Corte que não haveria motivos para ele aceitar gracejos de valor econômico, tão pouco uma viagem para Alemanha.
Em sentido contrário, a história mostra que os grandes esquemas para desviar valores altos dos cofres públicos são organizados por pessoas endinheiradas e com amplo acesso ao poder. A questão que continua sem resposta é se Gilmar Mendes recebeu favores do Senador Demóstenes. O Ministro alegou, em entrevista (http://m.jb.com.br/pais/noticias/2012/05/29/mensalao-gilmar-mendes-diz-estar-lidando-com-gangsteres/), que portava provas de que a viagem não lhe foi paga pelo Senador. Mas, por algum motivo, o jornal deixou de verificar, ou de publicar, as supostas provas.
Além disso, nas palavras do colunista, parece ser expertise do PT oferecer blindagem. Talvez. E pergunta-se: por que o Lula ofereceria blindagem a alguém que não precisa dela?
Eu sou de esquerda.Não sou a favor do Lula. Sou a favor de um país mais sério, mais limpo, sem misérias, e com um combate razoável à corrupção (já que minha utopia por um país totalmente limpo de corruptos se foi pouco depois que deixei de acreditar nos duendes, no Papai Noel, e na imprensa brasileira). Todavia, questiono por que a imprensa vem se debulhando em uma suposta situação da qual sua única testemunha, Nelson Jobim, nega ter acontecido

Lula você é uma vergonha!

Pek Cop (Outros)

Depois de dois mandatos sempre achei que o senhor revolucionou o Brasil, mas quando ao deixar a presidência, deu asilo político aquele homicída italiano Cesare Battisti e possou por cima do Poder Judiciário como um todo!, acredito que o correto seria responder criminalmente pela tentativa de corromper o Ministro do STF o Dr. Gilmar Mendes.

Duendes e Sacis

J. Cordeiro (Advogado Autônomo - Civil)

Excelente a narrativa da coluna do jornalista Carlos Costa, nesta semana. A equiparação do "duende" ao ministro Gilmar Mendes e do "saci" ao presidente Luis Inácio Lula da Silva é magistral. O duende, figura da mitologia europeia, remete ao estudante do Rheinische Friedrich-Wilhelms Universität e também servido da Embaixada brasileira no pais de Goethe. Já o saci, da mitologia indígena do sul do Brasil, cai bem ao operário, já que representa uma figura malígna, além da condição de inútil --- na figura falta uma perna, no presidente, um dedo! Desde o episódio do também jornalista João do Rio, no século passado, sobre o artigo pedido pelo dono jornal sobre Jesus ("quer contra ou a favor?") eu não tinha lido texto tão semelhante e bem articulado. Parabéns, senhor Carlos Costa...

Legalista

Observador.. (Economista)

O que é ser "de direita" no Brasil?O país tem de fato uma "direita"?Organizada, conservadora e que se apresenta unida para o debate?Não percebo.
Alguns acham, por exemplo, que o PSDB é "de direita".À não ser que, quem discorda do PT, seja sempre qualificado como "de direita".Aí tudo bem.Temos uma direita expressiva então.Mas, como bem disse o articulista, isto infantiliza o debate.
Ser de esquerda, para alguns no Brasil, parece conferir uma aura, uma qualificação ética e moral que, em muitos ( muitos mesmo ) casos se distancia da realidade.
Seria o "falso self". O indivíduo distancia-se da expressão e contato com a realidade. Sua vida adulta passa a ser vivida através de uma fachada, falsa, epidérmica.Parece a história de alguns sujeitos "nestepaiz".
Espero que, de esquerda ou direita, tenhamos cada vez mais, atores políticos sérios, legalistas, que pensem em termos de gerações ( não de dias )e consigam melhorar nosso cotidiano.Afinal, ao fim e ao cabo, é isto que a sociedade espera.

Caráter

Fiks (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Não se trata de analisar curricullum e sim caráter, caso contrário seria melhor fazer um concurso.

Excelente texto e rica análise

Ruy Samuel Espíndola (Advogado Sócio de Escritório - Eleitoral)

O jornalista e articulista foi preciso quanto ao currículo de Gilmar Mendes. Os dados trazidos mostram, para quem tem olhos para ver, que a mídia tem sido muito injusta com esse grande juiz e estudioso do direito brasileiro, que é independente nas idéias e na postura judicante.
Homem muitas vezes incompreendido em seus votos e manifestações, que presam sempre o direito e sua vinculação com a constituição,e não com as fluídas e movediças "aspirações da opinião pública de momento".
Sobre a análise da distorção político-institucional, defluente de nossa estrutura federativa, demais perfeito o ponto. Não tinha ainda ouvido crítica tão incisiva e adequada.
Parabéns!
É de opiniões e análises perfeitas e isentas como estas que precisamos.
Também procede, ao meu ver, a crítica ao infantilismo dualista de colocar o ponto entre "direita ou Lula."
Lula tem seus méritos, mas também seus pecados.
É "um homem e suas circunstâncias." Compreensível pelo olhar da política, nem sempre aceitável sob o crivo da ética...
Que prevaleça, no debate, a razão pública sem preconceitos e reservas com o ânimo de produzir a verdade, embora essa não seja de fácil apreensão, e, sob muitos olhares, "relativa".
Pois "Verdades Absolutas" relembram absolutismo filosófico e político. Demais ruim para uma democracia que se quer pluralista...

Distorções do pacto federativo

alvarojr (Advogado Autônomo - Consumidor)

A concentração da maior parte dos assentos do Congresso nos Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste tem a finalidade política de conter o florescimento de movimentos separatistas nessas regiões. Ainda que tenha um custo político alto para os Estados do Sudeste e Sul, é mais vantajoso para as regiões mais abastadas do país a manutenção da integridade do território nacional do que realizar afirmação política sem levar em conta as desigualdades regionais.
Se por um lado são hiper representados no Congresso, por outro os Estados da região amazônica se queixam de que lhes é destinada uma ínfima fração do orçamento da União. Segundo o senador Flexa Ribeiro em artigo publicado na Folha de São Paulo sobre o plebiscito sobre a divisão do Estado do Pará, apenas 1,1 % do orçamento da União é destinado aos Estados da região amazônica, o que em parte explica o clamor de alguns grupos políticos em favor da criação dos Estados do Tapajós e de Marabá, que acarretaria ainda maior concentração dos assentos do Congresso nos Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Com relação a Collor ter sofrido impeachment em razão da distorção na distribuição dos assentos do Congresso, é uma versão não só simplista como falaciosa.
E se é para ser simplista é melhor atribuir a causa do impeachment ao confisco da poupança, feito por medida provisória convertida em lei pelo Congresso.
As regiões Sul e Sudeste não acirram o debate em torno da distribuição dos asssentos no Congresso porque o que lhes interessa mesmo é o Executivo.

Demonização da direita.

Diogo Duarte Valverde (Advogado Associado a Escritório)

É muito interessante a demonização da direita nestepaiz. A palavra "direita" parece ter ganhado status de palavrão, e a esquerda quer para si o monopólio da academia e do intelecto. Indivíduos de direita, principalmente da direita conservadora, são levados ao ostracismo na academia, como se fossem aberrações sem direitos ou voz. A direita não é tratada como uma das ideologias existentes, possuidora de história, autonomia e valor, mas sim, como algo que deve ser eliminado. Mitos e mentiras acerca da direita e do conservadorismo são divulgados de forma totalmente acrítica, até mesmo por professores.
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É a triste realidade.

Polarização ideológica

D. Avlis (Outro)

Infelizmente há falsa polarização ideológica, que não encontra reflexos nas práticas partidárias. Assim como na visão sistêmica da sociedade de Niklas Luhmann, o sistema político age com a lógica binária do ter/não ter poder e se confunde com o sistema econômico do ter/não ter dinheiro.
De fato, Gilmar Mendes tem um currículo invejável. É certo que muito da sua projeção advém do fato de ter acesso amplo à doutrina alemã no original, coisa para poucos ante a influência mais forte de outros países, notavelmente Itália e França no Direito. GM foi alçado ao STF em uma época pré-Toffoli, em que se dava importância à parte "notável saber jurídico". Infelizmente nunca se deu muito valor à reputação ilibada. Afinal, trata-se do Brasil, em que se vê em matizes de cinza quando se convém. Raríssimas as pessoas que passariam por um "pente fino" e GM não foge disso.
Fez bem o colunista em não comparar o currículo de Lula e GM. Seria risível a comparação. Obviamente ambos tiveram pontos de partida diferentes e tomaram rumos opostos. Entretanto, vejo um ponto de contato nessa relação. Os dois ex-presidentes de Poderes da República, independentes e harmônicos entre si, padecem do mesmo mal: confundir a esfera pública e a privada.
A imprensa (marrom?) noticia que o instituto de GM é constantemente contratado com dispensa de licitação. P. ex. o Senado o contratou por R$300.000,00"http://www.senado.gov.br/transparencia/licitacoes/asp/getArquivosBlob.asp?codTxt=691&codTexto=7924". Espera-se que não tenha obtido vantagem direta disso. Mas é no mínimo estranho que assim ocorra e que venha "engordar" seu subsídio. Outro defeito comum entre ambos é perderem a oportunidade de ficarem calados e sempre falarem depois que as coisas já foram difundidas na imprensa. Triste!

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