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Juizes federais

“Juiz precisa de paz para trabalhar”, diz Nino Toldo

Comentários de leitores

12 comentários

Refletindo

Edevaldo de Medeiros (Juiz Federal de 1ª. Instância)

“A grande aspiração do jurista é a justiça.
O legislador busca traduzi-la em fórmulas; o jurista a estuda, esquadrinha, investiga, sonda; o juiz, mais que qualquer outra pessoa, é quem a realiza.
Na verdade, os homens dependem mais da justiça que da lei; muito mais do juiz que do legislador.
É utilíssimo para um povo ter boas leis; mas é melhor ainda ter bons juízes.
O bom juiz resiste às leis manifestamente iníquas, corrige as imperfeitas, dá polimento e vida às excelentes e põe em prática a norma que se aproxima do ideal.
E, sem arranhar as garantias do jurisdicionado, encontra meios de fazer justiça”
(Hélio Tornaghi

Em tese o ápice, na prática o chão

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Entendo que a magistratura deveria ser sim o ápice da carreira jurídica (embora discorde que o seja hoje). O cargo de juiz deveria ser ocupado exclusivamente por profissionais de reconhecida competência, maduros, que mostraram seu valor ao longo de anos de tralho duro. Se isso fosse uma realidade entre nós, a remuneração obviamente deveria ser condigna com essa situação (ou seja, elevada). Fato é que a magistratura brasileira distorce tudo a seu favor. Eles se auto problamam o ápice da carreira, mas sem que efetivamente os cargos sejam ocupados por profissionais que realmente já provaram seu valor (veja-se por exemplo o mecanismo usado pelo TJSP para dar empossar os "escolhidos", barrado pelo CNJ), recebendo assim uma remuneração em regra muito acima da real qualidade dos profissionais. Já disse várias vezes e repito novamente que antes de continuar a reclamar das condições de trabalho, para não se desmoralizar mais ainda, a magistratura deveria se preocupar com a qualidade técnica dos seus, cada dia mais precária.

Explica muita coisa esta entrevista

Ramiro. (Advogado Autônomo)

"Isso é muito ruim porque a magistratura deveria ser o ápice daquelas pessoas que buscam uma carreira jurídica."
Enquanto julgarem que o ápice é limitado ao status social, ao status que a carreira faz de si própria, não haveria problemas.
A questão é a realidade que se vê. Um Advogado trabalha dez, quinze anos numa causa.
A parte vencida dá razão a uma execução de mais de milhão de reais, por vezes na cifra de dois dígitos de milhões de reais.
Então, alguns despachos seriam capazes de fazer Alexy dar voltas de rir ou chorar de desgosto, vem o "princípio da proporcionalidade à magistratura brasileira". Sucumbência de 10%? Nem pensar!!! Colocam sucumbências por vezes inferiores a 0,05 do valor da causa, pela "proporcionalidade". Talvez o pensamento seja que é hígido e bem adequado, extremamente necessário, e altamente proporcional em sentido estrito a percepção lato sensu que nenhum operador do direito, jamais, em hipótese alguma, pode querer ter a ousadia,a impertinência de ganhar em uma causa o que um Juiz Federal considera que não ganharia em um, dois, cinco anos de trabalho. Nem me arrisco nesse comentário a citar muito Lenio Streck e as análises deste genial jurista sobre a baixíssima constitucionalidade, enfim. Há o desqualificativo universal: "é inveja dos que não são capazes de aprovar no concurso público mais difícil do país, a inveja é uma...". Pronto, "teje desqualificado" qualquer argumento.

Status superior gera lambança superior

Ramiro. (Advogado Autônomo)

Essa história de ápice das carreiras jurídicas... Esse ar de superioridade é comum em grandes universidades onde medicina é o curso mais disputado, e então as pichações em banheiros de faculdades, "medicina é ..., o resto é excremento..."
Faz me lembrar de dois matemáticos, não é piada, é história real, aconteceu, discutindo um trabalho científico que enviaram para publicação no exterior. Dois referees aprovaram sem problemas o trabalho, mas um alemão, de uma das grandes universidades germânicas, sabe-se lá por que motivo começou a criar óbices para publicação do trabalho, afirmando que havia erros crassos, e deu dois contra exemplos. Os matemáticos brasileiros (nossa matemática se equipara as melhores do mundo em qualidade, não dá por enquanto para competir com França e Inglaterra), analisaram os contra exemplos e estavam preparando o envio para revista, demonstrando que os dois contra exemplos é que estavam errados.
Então o comentário: "essa história de alemão como raça superior, quando faz lambança, faz lambança superior".
Afastando o lado da estigmatização do preconceito (mesmo que reverso), o que se vê hoje é um glamour pelas carreiras públicas.
O sujeito já entra na faculdade de direito afirmando que odeia advogar (por consequência é natural que despreze os advogados), e faz questão de bater no peito e dizer que está já se matriculando em cursos preparatórios para as carreiras jurídicas. Os que podem pagar, os que têm condições de ficar dois, três, até cinco anos só assinando peças que outros redigem, e estudando quatorze horas por dia, sem ter que enfrentar nada da realidade de um processo judicial.
Começo a ver com outros olhos o sistema de indicação dos Magistrados que vige nos EUA.

Miopia judicante

JrC (Advogado Autônomo - Civil)

Enquanto a maioria dos juízes não tiver experiência alguma de trabalho - já que o que se vê hoje em dia é o recém formado, sem ter trabalhado em ABSOLUTAMENTE nada, presta concursos desenfreadamente até passar em algum. Formam-se juízes despreparados e sem uma visão MACRO do mercado de trabalho. Isso traz miopia do mercado, e acham que são os reis do mundo.

A Arrogância continua

Karla sinova (Advogado da União)

A entrevista ia ótima até a afirmação infeliz de que juiz tem de ser visto como o ápice das carreiras jurídicas. Até quando os senhores juízes( em especial os federais) vão continuar nessa esquizofrenia de se acharem melhores que o rei. Que lutem por melhores salários , condições de trabalho, etc, mas enquanto continuarem com esse argumento ridículo( e aquela ladainha de que trabalham finais de semana, etc) continuarão tendo o desprezo da população e os ouvidos moucos de quem detem o Poder de decisão( Executivo e parlamento). A magistratura não é nem mais importante e nem exige mais sacrifícios ou conhecimentos do que o exercício das funções essenciais à justiça,as carreiras injustiçadas são na verdade aquelas que ganham bem aquém, pois o Texto Constitucional iguala a todas, como defensorias e advocacia pública.E cada um que procure a sua vocação, um advogado privado vocacionado e bem sucedido vai querer ser juiz para quê? Mais humildade, senhor novo presidente da AJUFE!

Melhores do que os outros

Marcos Alves Pintar (Advogado Autônomo - Previdenciária)

"Juiz precisa de paz para trabalhar". E os outros trabalhadores, não precisam?

ganhos com responsabilidade

JrC (Advogado Autônomo - Civil)

O CNJ deve ficar "em cima" mesmo. O que infelizmente não vemos o CNMP fazer. Cargos públicos não são simples profissões. O potencial lesivo que um mal juiz (como também o mal promotor) traz para a sociedade é enorme.
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O que se percebe é que as pessoas querem colher os louros mas não querem nenhuma responsabilidade sobre elas.

sofrível sim!

Ricardo T. (Outros)

Hoje quem quer ser juiz é porque não passou no MP ou não conseguiu ganhar dinheiro advogando. Tem CNJ em cima, advogado que só critica, ninguém concorda com as decisões. Eu serei promotor porque é muito mais legal.

oque os juizes precisam

Cid Moura (Professor)

Aprender é que o P Jud é apenas um dos atores da democracia. Nao o unico, tão menos o mais importante.

Desconhecimento do que é sofrimento de verdade

JrC (Advogado Autônomo - Civil)

Sofrimento é o cidadão ter que "catar" materiais recicláveis no lixo para tentar ganhar algum dinheiro para sobreviver. Dormindo, muitas das vezes, na rua.

Vender a idéia de sofrimento

JrC (Advogado Autônomo - Civil)

Não entendo o motivo pelo qual os juízes brasileiros querem vender essa imagem de que o exercício da judiactura é sofrível, difícil, e que os juízes tem uma super vocação.
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Não é difícil, não é sofrível. Pior ainda é vender a imagem de que o juiz tem problemas de saúde, problemas de depressão e etc.
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Vejamos a prática:
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1) O juiz não tem horário de trabalho (tem na teoria, mas na prática não há nenhuma fiscalização para ver se o cumpre;
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2) Juiz não tem prazo nenhum para julgar os processos;
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3) Juiz, apesar da defasagem salarial em razão da falta de atualização monetária, ganha uma remuneração líquida de uns 13 mil reais/mês - sendo que o salário mínimo é de menos de hum mil reais;
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4) Quando se aposentar, o juiz receberá aposentadoria bastante confortável;
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5) Verifica-se que os juízes, em suas férias, fazem viagens ao exterior, conhecem lugares bacanas. Nada contra viajar, pois TODOS temos o direito disso. Mas sinceramente NÃO ENCONTREI SOFRIMENTO ALGUM na atividade judicante.

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