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Comentários de leitores

26 comentários

O ineditismo é do tema principal, não dos intermediários (3)

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

(CONTINUAÇÃO)...
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Dadas essas definições, como alguém pode plagiar a si próprio? É uma «contradictio in terminis» dizer que um autor se autoplagiou. Sim, porque, se plagiar é apresentar como sua obra de outrem, só é possível plagiar obra de terceiro, jamais a própria obra.
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Portanto, fica provado, tal como 2 + 2 = 4, ou seja, à moda dos geômetras, que os ataques desferidos contra os Professores Maluf e José Luiz Gavião de Almeida são insubsistentes, e escusados somente no caso de aqueles que os assestam sofrerem de dislexia lógio-racional, ou não terem nenhum compromisso com a honestidade intelectual.
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(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Mestre em Direito pela USP – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br

Gravíssima falta de ética - atentado contra a ciência

Cláudio Castello de C. Pereira (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Só cabe uma postura aos professores do Largo São Francisco que defendem a qualidade de ensino: A DESCLASSIFICAÇÃO DO CADIDATO ACUSADO DE AUTOPLÁGIO (E PLÁGIO DE OBRA DE SEU FILHO) EM CONCURSO PÚBLICO MACULADO POR GRAVE INFRAÇÃO À ÉTICA E AO QUESITO "INEDITISMO", DO EDITAL.
Mesmo que isso não seja um voto a favor do outro candidato (que ainda terá de ser avaliado).
É um tanto assustador nos darmos conta de que, em curso espaço de tempo, dois grandes escândalos puseram a nu o Departamento de Direito Civil da FADUSP e revelaram a sua essência protecionista, expuseram a carranca de um projeto de "dominação" de uma cúpula que é a negação da originalidade científica e do zelo acadêmico.
Caso o desembargador não seja sumariamente desclassificado de provado o autoplágio (40 em 200 páginas), o cinismo, a desfaçatez e a trapaça política assumirão dimensões inéditas.
O DCV já teve gente sem nenhuma vergonha na sua direção. Os sem-vergonhas, no entanto, tinham vergonha de não ter vergonha.
Após o episódio da manutenção do título do Professor Carlos Alberto Davus Maluf, a sem-vergonhice se jacta de sua esperteza, é vista como ato de "resistência".
Olhem o caso do Maluf, como já citei. Submetida a investigação ao descarado e confesso ato de copiar, o professor não se vexou de tentar denunciar uma "conspiração dos adversários".
Sim, estou perplexo. Uma perplexidade que já é longa. Que me faz indagar: "E aí? Por que vocês, professores, são tão lentos na punição desse tipo de conduta antiética? Por que não se mexem? Por que não fazem ciência com mais qualidade e pureza? Por que permitiram que chegássemos aqui e não denunciaram antes essa baixa qualidade acadêmica?".
Sim, todas essas são perguntas pertinentes, são indignações justas.

Acusação de autoplágio é falácia e contradição (1)

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

A acusação de autoplágio bem como eventual exigência de citação própria segundo as regras usadas para a citação do que outras pessoas escreveram são contradições inefáveis, sobre constituir um atentado aos direitos autorais.
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Aspear citações tem uma finalidade que a justifica: dar a conhecer que o conteúdo («ipsis litteris» ou parafraseado) utilizado foi produzido por alguém diferente daquele que utilizada a citação. As aspas só obrigatórias sob tais circunstâncias, informadas no dever ético de quem orienta seu trabalho pela honestidade intelectual.
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Porém, colocar entre aspas as próprias palavras só porque exaradas em outro lugar não faz o menor sentido. Se fizesse, autorizaria também a exigência de autoautorização para tal procedimento, o que é manifestamente absurdo.
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O autor de uma expressão, frase, período, texto, enfim, de um pensamento qualquer tem a liberdade de fazer dele o que bem quiser. Pode, v.g., inseri-lo em quantos trabalhos seus entender cabíveis. Para demonstrar isso, imagine-se um trabalho sobre um determinado tema qualquer que haja sido publicado. Posteriormente, o mesmo autor escreve um ensaio, seja mais profundo, seja mais raso, ou até sobre um tema ligado ao primeiro, em cuja arquitetura deva incluir um tópico, capítulo, ou seção, sobre o que já escreveu naqueloutro. Estaria obrigado a colocar seu próprio texto entre aspas? Estaria obrigado a fazer citação de si mesmo e do local onde tal texto foi divulgado pela primeira vez? A resposta, fundada na Lógica e na boa razão, é desenganadamente negativa, e os que preconizam o contrário, cometem atentado contra a ontologia, a essência do pensamento.
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(CONTINUA)...

Acusação de autoplágio é falácia e contradição (2)

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

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Um autor é dono de suas emanações intelectuais. Pode dispor delas como bem entender. Se desejar inseri-las em vários trabalhos distintos, cada um sobre um tema diferente, mas que possuam em comum um texto dele mesmo já publicado, a repetição fará parte integrante de cada um desses trabalhos, sem qualquer necessidade de aspear o texto repetido ou citar a fonte onde apareceu pela primeira vez porque a fonte genuína, ontologicamente considerada, é a mente do autor, seu intelecto, o espírito idiossincrático que o produziu.
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De acordo com a NBR 10520 da ABNT, citação é a «menção de uma informação obtida de outra fonte». Por respeito à honestidade intelectual e ao direito autoral — desde que a informação haja sido obtida, pois pode acontecer de duas pessoas terem a mesma ideia simultaneamente em lugares distintos —, exige-se o aspeamento da informação quando extraída de outrem reproduzida «ipsis litteris» em vez de parafraseada. Nesses casos, também é exigível citar a fonte, seja em nota de rodapé, seja nas referências bibliográficas.
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Em suma, a questão resolve-se de modo muito simples quando se coloca a razão à frente de toda e qualquer vaidade, ou para controlar a vaidade: deve-se aspear o texto alheio e citar a fonte de onde foi extraído. Exigir que alguém aspeie e cite a si próprio significa atentar contra a essência da produção intelectual, pois a fonte não é o repositório ou o suporte, mas o próprio autor.
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(CONTINUA)...

Acusação de autoplágio é falácia e contradição (3)

Sérgio Niemeyer (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

(CONTINUAÇÃO)...
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Por essas breves razões, entendo que a acusação de autoplágio sobre ser uma flagrante falácia, é uma contradição grosseira, um atentado à ontologia da produção intelectual.
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Espero que a USP resolva esse problema sem se deixar levar pelo desejo de furar a fila que já estava povoada muito antes de ele se diplomar bacharel.
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(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Mestre em Direito pela USP – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br

Ironias.

Amanda R. (Advogado Autônomo - Criminal)

Um é acusado de plágio, e o outro não tem experiência suficiente.
Pra mim, então, ambos não estariam aptos a dar aula.
Engraçado como o "Quem Indica" comanda as universidades de renome.

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